S.O.S.: Salve o nosso navio, o Steve Irwin! – Atualização e apelo contínuo

Por Carla Robinson, Diretora de Desenvolvimento

Steve Irwin (atualmente)

Steve Irwin (atualmente)

Em nome do capitão Paul Watson e todos da Sea Shepherd por todo o mundo, ofereço um caloroso muito obrigado a todos vocês que doaram para nos ajudar a salvar o nosso navio! Entretanto, o navio ainda está detido no porto de Lerwick, na Escócia, aguardando nossa possibilidade de pagar uma fiança que estimamos ser do montante de 1.411.692,87 dólares.

Como chegamos a isso? Como alguns de vocês já sabem, no final da tarde de sexta-feira, 15 de julho, nossa embarcação, o Steve Irwin, foi detida nas ilhas escocesas Shetland pela corte britânica devido a um processo civil contra nós pela companhia maltesa Fish and Fish Limitada. Eles alegam danos por causa do atum-azul que resgatamos de suas redes em junho de 2010, peixes que acreditamos ter sido pegos ilegalmente após o encerramento da temporada, sem um inspetor a bordo, ou qualquer documento que provasse a legalidade de sua pesca.

Desde o nosso apelo inicial, seis dias atrás, aqueles de vocês que amam a vida marinha fizeram um número recorde de doações para nós para um período de tempo como esse, e ficamos profundamente tocados por seu apoio em massa. No domingo, 24 de julho, nossa estimativa de doações chegou a 442.279,37 dólares – isto é fantástico, mas ainda estamos bem aquém de nosso objetivo. Esperamos que aqueles de vocês que não doaram ainda encontrem uma maneira de fazê-lo.

Westra, adquirido em 2006

Westra, adquirido em 2006

Trabalho com a Sea Shepherd há 16 anos, portanto não posso deixar de me emocionar durante este esforço de salvar o nosso navio. Espero que vocês compartilhem do nosso amor a esse navio, que fez tanto pela defesa da vida selvagem dos oceanos. A embarcação de 174 pés, Steve Irwin, é muito preciosa para nós! No outono de 2006, quando encontramos o navio pela primeira vez, na Escócia, ele se chamava Westra – e tinha servido orgulhosamente como embarcação da Proteção da Pesca Escocesa. A Sea Shepherd comprou o navio com a ajuda de numerosos apoiadores, mudou seu nome para Robert Hunter (em referência ao bom amigo do capitão Watson, com quem fundou o Greenpeace) e navegou para a Antártida para surpreender os baleeiros ilegais japoneses! Com a capacidade de navegar a 16 nós, o Robert Hunter manteve os matadores de baleias em fuga com mais sucesso do que se tinha feito no passado.

Em 2007, mudamos o nome da embarcação oficialmente para Steve Irwin, em homenagem ao falecido conservacionista australiano. Um pouco antes de sua morte prematura, Steve afirmou sua intenção de vir à Antártida conosco para defender as baleias ao lado do capitão Watson e sua corajosa tripulação. Assim, parecia adequado que ele pudesse juntar-se a nós em espírito, com o seu nome adornando nosso mais rápido e eficaz navio de proteção às baleias do mundo.

Nos curtos cinco anos desde sua aquisição, o navio fez mais de 30 viagens e transportou centenas de tripulantes dedicados para lugares remotos, onde a vida selvagem do oceano precisava de defesa. Existe um incontável número de horas de trabalho investidas no navio, na forma de manutenção, reparos e melhorias. Além desse trabalho voluntário, também houve uma miríade de presentes materiais trazidos ao navio por apoiadores cuidadosos, incluindo peças, ferramentas, suprimentos e comidas de todos os tipos (e lembre-se, esses brindes comestíveis são aquilo que funciona de combustível para nossa tripulação poder fazer o que fazem de melhor!).

Robert Hunter, em campanha em 2006

Robert Hunter, em campanha em 2006

Por ser o Steve Irwin o navio que o capitão Watson navega e do qual lidera nossas campanhas, chamamos ele de nau almirante. O Steve serve como nosso comando e centro de controle durante as campanhas, e também é a base de nosso helicóptero. Desde a nossa aquisição do Steve, construímos um compartimento especial na popa, para proteger as hélices delicadas da aeronave e abrigar o seu mecanismo de precisão da ferrugem induzida pela maresia dos oceanos – e protegê-la da frota baleeira japonesa!

Isso me traz de volta ao nosso dilema atual! Precisamos que o Steve Irwin seja liberado de sua detenção em Lerwick, na Escócia, para que nossa embarcação possa rumar para as ilhas Faroé, na Dinamarca, para sua próxima tarefa. Nosso objetivo é ter o Steve em conexão com a nossa embarcação trimarã, o Brigitte Bardot (antes Gojira) o mais rápido possível, e começar a trabalhar na intervenção contra o massacre cruel de baleias piloto que os faroenses chamam de “trabalho árduo” (The Grind). Assim que nossa missão lá no Atlântico Norte estiver cumprida, esse cavalo de batalha que é a embarcação de conservação, irá rumar de volta ao Santuário do Oceano Austral para, mais uma vez, proteger as baleias indefesas dos arpões dos baleeiros ilegais japoneses. 

Mais do que nunca, precisamos de nossa tripulação de apoio – VOCÊ – para nos ajudar a superar esta adversidade e levar adiante a missão que temos em mãos. Se você pode doar, por favor, saiba que qualquer quantia que tiver a possibilidade fará realmente diferença. Se você não puder fazer uma doação neste momento, por favor, considere compartilhar esta mensagem com seus amigos, familiares e círculo de influencia através do Facebook, Twitter e email. O seu apoio a nós é valioso em qualquer forma – e agradecemos a você!

Libertem o Steve!

Muito obrigado por nos ajudar a defender a vida selvagem do oceano por todo o mundo,

Carla Robinson
Diretora de Desenvolvimento
Sea Shepherd Conservation Society

Como colaborar:

As doações podem ser feitas através do link http://seashepherd.org.br/doacoes/ ou diretamente no site internacional: https://my.seashepherd.org/NetCommunity/SSLPage.aspx?pid=398

Traduzido por Carlinhos Puig, voluntário do ISSB.

Desafiando a morte nas praias da Namíbia

Membros da Sea Shepherd escapam da Namíbia

Relato do Capitão Paul Watson

Não é sempre que uma pequena organização pró-conservação é acusada de ser uma ameaça à segurança nacional de uma nação. Minha tripulação acaba de retornar a salvo para a África do Sul, depois de completar a Operação Focas do Deserto, uma missão sigilosa da Sea Shepherd Conservation Society na Namíbia. Eu me encontrei com eles na sexta feira, 22 de julho, em Durban, KwaZulu-Natal.

Focas na Reserva de Focas de Cape Cross

Focas na Reserva de Focas de Cape Cross

Nossa missão era documentar e expor o terrível massacre de focas filhotes na tempestuosa e fria costa desértica do litoral sudoeste da África. Devo acrescentar que é difícil ser sigiloso atualmente, especialmente quando nossa série de TV, Whale Wars, parece ser tão popular, mesmo no Sul da África. Meu papel era fazer entrevistas na Reserva de Focas de Cape Cross no dia que o massacre de focas filhotes deveria começar. Eu realizei as entrevistas como planejado, mas não havia nenhum caçador de focas a vista. Aparentemente várias pessoas me reconheceram e a notícia que a Sea Shepherd estava na costa da Namibia se espalhou.

Como resultado, os matadores foram orientados a não se aproximar da praia, e o massacre foi adiado. No entanto, essa pausa durou apenas cinco dias. Durante esse tempo, nossa casa alugada foi invadida por ladrões, apesar do fato que uma tripulante estava na casa no momento. Ela conseguiu fugir, mas retornou mais tarde com outros tripulantes, encontrando câmeras quebradas, e os passaportes, laptops e dinheiro tinham sido roubados.  Um grupo de marinheiros na Baía de Henties também atacou outros membros de nossa equipe, incluindo o líder da campanha, Steve Roest. Steve saiu de uma loja e encontrou outra tripulante cercada por um grupo de homens furiosos gritando contra ela. Ela se manteve tranquila enquanto Steve calmamente entrou no carro e ambos dirigiram-se para um local seguro.

Tripulantes se preparam para a missão sob a proteção da noite

Tripulantes se preparam para a missão sob a proteção da noite

Fomos descobertos e forçados a realizar uma falsa retirada, e para que acreditassem, eu tive que sair do país. Eu o fiz com o serviço secreto da Namíbia me seguindo pelo deserto até o aeroporto, em Windhoek, enquanto o resto da tripulação se dispersava em grupos pré determinados para continuar a missão.

Essa foi minha primeira visita à colônia de focas de Cape Cross, na Namibia, onde o negociador internacional de pele de foca, Hatem Yavuz, um residente australiano e cidadão turco, opera o que é hoje a maior matança de focas no planeta, matando mais de 90.000 focas a cada ano.

Foi uma ótima experiência estar entre tantos pinípedes e na maior colônia de focas que já vi. Os filhotes de foca eram adoráveis, e as inter-relações sociais entre as mães focas e seus filhotes eram fascinantes. Mas, ver os filhotes de foca brincando uns com os outros alegremente enquanto eu sabia que eles seriam espancados até a morte em uma questão de dias foi extremamente entristecedor. A indústria de turismo da Namíbia também sabe disso, já que Cape Cross não é apenas uma reserva de focas, é ironicamente uma das maiores atrações turísticas da Namibia, e traz muito mais lucro para as comunidades costeiras do que a chacina de focas.

No entanto, o problema permanece, pois esse não é principalmente um ponto turístico; ao invés disso é uma área de assassinato em massa. Os assassinos de focas quebram os crânios dos filhotes de focas no início da manhã, e assim que eles acabam o trabalho sujo, um trator chega na praia e cobre a areia recentemente encharcada de sangue. Só depois, quando a verdade está literalmente e figurativamente enterrada na areia, os turistas podem entrar na reserva para observar o “espetáculo belo e sereno das focas de Cape Cross no seu habitat natural”.

Então por que isso continua? Porque pessoas como Hatem Yavuz conseguem manter as concessões para a caça de focas na Namíbia através de propinas para oficiais do governo e polícia. Toda essa caça é ilegal, e sobrevive apenas graças à gritante corrupção envolvendo políticos da Namíbia, burocratas, polícia e agora os militares.

Depois que saí da Namíbia, no começo de julho, os líderes de equipe da Sea Shepherd, Steve Roest, do Reino Unido, e Laurens de Groot, dos Países Baixos, se reagruparam para implementar o plano de atravessar 15 quilômetros de deserto até a colônia de focas na praia. Seu objetivo era posicionar câmeras, e assim documentar remotamente a brutalidade dos caçadores de foca da Namíbia. Laurens liderou uma equipe com um australiano, vários sul africanos e um batedor namibiano. Uma segunda equipe, de suporte, incluía diversos americanos, um australiano e dois cidadãos sul africanos.

(Esquerda para direita) Laurens de Groot, Paul Watson, Steve Roest

(Esquerda para direita) Laurens de Groot, Paul Watson, Steve Roest

A equipe se enterrou nas areias da praia, em sacos de dormir para protegê-los do frio – não foi agradável. Um dos membros estava em um buraco gravando os caçadores dirigindo em direção à colônia de focas, quando virou para trás e viu um escorpião (do gêreno Androctonus) com seu ferrão levantado e pronto para atacar. Quase cara a cara com o escorpião, ele rolou para dentro do buraco até que o artrópode se assustou e fugiu. Ele não estava ciente que aquele tipo de escorpião é capaz de lançar seu veneno. Por mais desagradável que tudo aquilo tenha sido, a equipe conseguiu se posicionar no escuro, com uma boa visão da área de caça.

Era um bom plano, mas no final a Sea Shepherd não é páreo para as forças militares da Namíbia. Nossa equipe foi localizada usando imagens térmicas a partir de um barco de patrulha da praia, e soldados foram enviados na direção dos nossos agentes na praia. Usando equipamentos de visão noturna, os voluntários da Sea Shepherd puderam ver os militares se aproximando e perceberam que os soldados também estavam equipados com seus próprios equipamentos de visão noturna.

Foi uma longa e exaustiva corrida pelo deserto até os carros. Em determinado momento, um membro da equipe foi perdido quando se abrigou em uma mina de sal para evitar ser descoberto. Ele conseguiu se unir ao resto da equipe, e assim que entraram na rodovia, viram carros da polícia correndo na direção deles. Os carros passaram, indo em direção à praia, para evitar que nossa equipe escapasse. A equipe da Sea Shepherd então seguiu para as montanhas, dirigindo os veículos sem luz, enquanto usavam os equipamentos de visão noturna para evitar pedras, dunas e desfiladeiros. Até que chegaram a salvo na fronteira com a África do Sul. Foi uma viagem perigosa, angustiante e desconfortável, mas eles conseguiram chegar à fronteira com a África do Sul sem serem pegos.

Caçadores de focas descansando

Caçadores de focas descansando

E eles o fizeram na hora certa! O Presidente da Namíbia foi insensato; o que fizemos não era mais uma simples invasão de propriedade. O Presidente Hifikepunye Pohamba nos declarou uma ameaça à segurança nacional e afirmou que as focas precisavam ser mortas para não comer os peixes da Namíbia. Assim terminou nossa primeira jornada investigativa às praias ensanguentadas de Nam.

Por que a Sea Shepherd está se envolvendo agora? Porque depois de anos batalhando contra a horrível chacina de focas no Canadá, nós finalmente vimos o colapso do mercado canadense de produtos de focas. Ainda que o Departamento de Pesca Canadense aumente a cota de caça anualmente, nesse ano chegando a quase 468.000 focas, na realidade foram mortas apenas cerca de 58.000, assim elevando a Namíbia ao primeiro lugar das nações que matam focas no planeta. E uma vez que a Sea Shepherd inicia um projeto, nós ficamos com ele até que a missão seja cumprida. Nosso objetivo de destruir o mercado de produtos derivados de focas do Canadá foi alcançado, e agora vamos focar nossas energias para parar a Namíbia.

Delegacia de polícia na Namibia

Delegacia de polícia na Namíbia

Não será fácil. Assim como o Canadá, a Namíbia transformou em crime a documentação por civis das atrocidades na praia, para manter a caça escondida. Mas, diferente do Canadá, ao invés de multas e pequenas surras da polícia, a Namíbia ameaça potenciais violadores com severas sentenças de prisão (e o potencial para significativas e letais surras). É um ambiente altamente perigoso, muito mais do que placas de gelo e perseguições com a guarda costeira canadense. Na Namíbia é a simples agressividade sendo empregada na defesa da matança. Os caçadores de focas da Namíbia fazem os caçadores de Newfoundland e Magdalen parecerem hippies pacíficos em comparação, e diferente do Canadá, a corrupção na Namíbia é gritante. O governo, a polícia e os militares estão à venda e todos sabem disso.

Esse tipo de oposição brutal pede por uma estartégia muito diferente da utilizada no Canadá, e nosso objetivo é documentar, expôr e utilizar essa evidência para criar pressão econômica. Nós precisamos nos concentrar no turismo, especialmente da Alemanha. Nós precisamos espalhar as imagens da brutalidade da Namíbia por todo mundo. Nós precisamos apontar o holofote internacional de condenação no pequeno grupo de gananciosos cidadãos não-namibianos que estão lucrando às custas de cidadãos namibianos inocentes e da vida marinha.

A Namíbia tem um incrível potencial como a Meca do turismo, e uma população saudável de focas é um certo atrativo turístico. No entanto, as populações de focas estão diminuindo, e o tamanho da colônia já foi drasticamente reduzido. O que foi uma vez magnífico é hoje muito menos, e diminui a cada ano. Logo, haverá apenas poucas focas, o interesse turístico irá sumir e com ele todo o grande lucro derivado do turismo, que beneficia tantos trabalhadores namibianos.

A Sea Shepherd está atualmente entrincheirada na luta para acabar com essa desprezível e ilegal chacina de focas. Nós entramos nessa briga dramaticamente e agressivamente, e vamos continuar com uma campanha agressiva e ousada até que alcancemos nosso objetivo de abolir os crimes de Yavuz e dos políticos corruptos que ele paga para recolher os lucros do sangue derramado de centenas de milhares de filhotes de foca indefesos e inocentes.

Fábrica de processamento de pele de foca

Fábrica de processamento de pele de foca

Traduzido por Marcelo C. R. Melo, voluntário do ISSB.

Caçadores de tubarão são presos dentro da Reserva Marinha de Galápagos

Foto: Parque Nacional de Galápagos

Foto: Parque Nacional de Galápagos

Um dos maiores casos de caça ilegal de tubarões na história do Parque Nacional de Galápagos está em curso na província equatoriana. Os guardas florestais do Parque e um navio da Marinha equatoriana apreenderam o navio de pesca industrial de espinhel de Manta, no Equador, e cerca de 30 pescadores. No momento da captura, o navio de pesca estava pescando há 20 milhas marítimas dentro da área designada da Reserva Marinha de Galápagos, a sudeste da Ilha Genovesa.

Após a inspeção, ficou claro que o navio estava usando espinhel para pescar tubarões comercialmente, o que é ilegal na Reserva Marinha de Galápagos. Além disso, descobriu-se que este navio estava envolvido em um massacre em massa de tubarões. O navio detido estava cheio de tubarões, 357 no total. A lista incluiu a morte confirmada de 286 tubarões-raposa, 22 tubarões-azuis, 40 tubarões de Galápagos, 6 tubarões-martelo, 2 tubarões-tigre e 1 tubarão-mako.

Foto: Parque Nacional de Galápagos

Foto: Parque Nacional de Galápagos

O Parque Nacional de Galápagos abriu um processo administrativo contra a embarcação, seu proprietário, e a tripulação. Simultaneamente, a nova promotoria ambiental para Galápagos iniciou um processo penal, a fim de obter penas máximas para as pessoas envolvidas neste crime ambiental grave.

A Sea Shepherd Galápagos irá acompanhar de perto este caso, quando for a julgamento. O impacto sobre o frágil ecossistema de Galápagos é devastador, e uma mensagem precisa ser enviada de que tais atividades altamente ilegais terão graves conseqüências.

A Sea Shepherd Galápagos está implementando o Sistema de Identificação Automática, que vai melhorar ainda mais a capacidade de monitoração de navios para o Parque, fazendo com que a pesca ilegal fique cada vez mais difícil dentro das águas protegidas da Reserva Marinha de Galápagos.

A Sea Shepherd tem trabalhado em estreita colaboração com o Parque Nacional de Galápagos desde o ano de 2000, e com a Polícia Nacional equatoriana desde 2007.

Traduzido por Raquel Soldera, voluntária do ISSB.

Sea Shepherd investiga cemitério secreto de baleias-piloto debaixo d’água

Mergulhador da Sea Shepherd analisa um crânio de baleia-piloto encontrado no local. Foto: Simon Ager

Mergulhador da Sea Shepherd analisa um crânio de baleia-piloto encontrado no local. Foto: Simon Ager

A tripulação da Sea Shepherd Conservation Society, a bordo do rápido navio interceptor, Brigitte Bardot, investigou um enorme cemitério submerso, onde carcaças de baleias-piloto são descartadas após os grinds em Vestmanna e Leynar, nas Ilhas Faroé. O maciço cemitério secreto submerso foi descoberto durante a Operação Grind Stop do ano passado, uma campanha da Presidente da Sea Shepherd França, Lamya Essemlali, atualmente a bordo do Brigitte Bardot.

“Muitos dos moradores negam a existência deste cemitério, mas as imagens falam por si. Carcaças de baleias-piloto são despejadas em uma fenda secreta entre Vestmanna e Leynar, e onde podem, então, ser secretamente arrastadas para o mar”, disse Essemlali.

Mergulhadores da Sea Shepherd, o canadense Simon Ager e o americano Beck Straussner, mergulharam 20 metros  em uma fenda na lateral de um penhasco monumental, para confirmar o segredo sujo que abriga este fiorde. O que eles encontraram corrobora com relatos prévios da área. “Eu vi uma vala comum de proporções terríveis. Havia crânios, vértebras e costelas espalhadas pelo fundo do oceano, tanto quanto os olhos podiam ver. As algas dançam com a gordura ainda ligada aos ossos. Foi a primeira vez que eu chorei debaixo d’água”, disse Straussner.

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As baleias-piloto são descartadas no mesmo penhasco que também é utilizado para o descarte dos resíduos das famílias locais e dos resíduos industriais. “Os faroenses alegam que a matança é um bonito rito religioso de passagem. Mas, ao mesmo tempo, eles descartam os corpos destas bonitas criaturas em um poço de lixo que também contém peças de trator e gerador de resíduos industriais, entre outras coisas”, disse Ager.

Um crânio de baleia-piloto coletado do cemitério foi trazido a bordo do Brigitte Bardot para análise, mas foi posteriormente colocado de volta ao mar. “Teria sido ótimo manter o crânio para mostrar aos outros europeus as vítimas do grind. No entanto, seria ilegal trazer o crânio na União Europeia, porque as baleias-piloto são listadas como uma espécie ameaçada sob a Convenção de Berna. Ironicamente, a razão que não podemos trazer este crânio em terra para fins de divulgação, é o mesmo motivo que a caça de baleias-piloto não deve estar ocorrendo”, disse o sueco Peter Hammarstedt, Primeiro Oficial.

A Sea Shepherd continuará suas patrulhas nas Ilhas Faroé, na Dinamarca, em busca de baleias-piloto durante a Operação Ilhas Ferozes, uma campanha destinada a defender e proteger as baleias-piloto. Contudo, um navio da Marinha das Ilhas Faroé está atualmente atrapalhando o navio do grupo ambientalista. “As baleias-piloto são nossos clientes. E como bom pastores, vamos continuar por perto para defendê-las”, disse o capitão Fraser Hall, do Canada.

O Brigitte Bardot passou a noite de 20 de julho atracado em Vestmanna, em Streymoy, oferecendo excursões ao navio para as crianças locais. No final da manhã, o navio iniciou suas patrulhas estratégicas em Streymoy e Vaga.

Crânio de baleia-piloto trazido a bordo para análise. Foto: Simon Ager

Crânio de baleia-piloto trazido a bordo para análise. Foto: Simon Ager

 

Local do cemitério submerso de baleias-piloto. Foto: Simon Ager

Local do cemitério submerso de baleias-piloto. Foto: Simon Ager

 

 

 

 

 

 

 

 

Traduzido por Raquel Soldera, voluntária do ISSB.

 

Dois cidadãos das Ilhas Faroé se unem à Sea Shepherd em Torshavn Harbour

Hall e Hammarstedt, da Sea Shepherd, com os tripulantes das Ilhas Faroé, Kamarinum e Bogason. Foto: Ager Simon

Hall e Hammarstedt, da Sea Shepherd, com os tripulantes das Ilhas Faroé, Kamarinum e Bogason. Foto: Ager Simon

Na tarde de 19 de julho, o navio da Sea Shepherd, Brigitte Bardot, entrou em Torshavn Harbour, nas ilhas Faroé, para coletar dois tripulantes das Ilhas Faroé para a campanha em defesa das baleias-piloto, Operação Ilhas Ferozes. Magnus Hjaltalin A Kamarinum, 21 anos, de Torshavn e Reinert Hilmar Bogason, 21 anos, de Skala, se uniram à Sea Shepherd como os mais novos tripulantes do Brigitte Bardot.

O navio está atracado em Vestara Vag, onde cerca de 200 moradores das Ilhas Faroé, alinhados ao longo do cais, vislumbraram sua chegada. Sob o comando do Capitão Fraser Hall, do Canada, o Brigitte Bardot passou pela alfândega e imigração em Torshavn sem incidentes.

A maioria dos moradores estavam simplesmente curiosos sobre a presença da Sea Shepherd, com exceção de Marnar Andreasen, feitor do distrito de Torshavn para o grind, que se aproximou do navio usando seu tradicional “grindakniv”, a faca usada para cortar a medula espinhal das baleias-piloto encalhadas. Empunhando a faca em volta da tripulação, Andreasen advertiu a Sea Shepherd a não ficar “entre ele e suas baleias”. Implacável, a tripulação do Brigitte Bardot passou quase 24 horas guiando os moradores locais em um tour pelo navio.

Morador das Ilhas Faroé exibe seu 'grindakniv' usado para abate baleias-piloto. Foto: Simon Ager

Morador das Ilhas Faroé exibe seu 'grindakniv' usado para abate baleias-piloto. Foto: Simon Ager

Na manhã de 20 de julho, vários moradores de Torshavn montaram um stand ao lado do Brigitte Bardot para servir carne de baleia-piloto para aqueles que passavam. A carne de baleia-piloto tem uma concentração tão alta de metais pesados ​​que Pal Wiehe, Assessor de Saúde das Ilhas Faroé, recomendou que a população não consumisse nada. A carne de baleia-piloto foi oferecida à tripulação da Sea Shepherd, que surpreendentemente recusou. “Oferecer carne de baleia-piloto é como oferecer cigarros em uma convenção anti-tabagismo. Não só é irônico, mas também mortal”, disse o Primeiro Oficial sueco, Peter Hammarstedt.

“Eu estava em cima do muro sobre tudo isso, mas a matança está fora de mão. Baleias demais estão sendo mortas e os métodos de abate são desumanos”, disse Kamarinum.

“Alguém tem que ser o primeiro a se opor ao grind. Esperamos que outros faroenses sigam o nosso exemplo”, disse Bogason, sem saber que tipo de recepção o espera dos moradores depois que ele sair do navio.

Kamarinum e Bogason representam uma população crescente das Ilhas Faroé que se opõe a matança, mas têm muito medo de expressar suas opiniões antipatriotas em público.

“Kamarinum e Bogason são heróis que nos dão esperança de que podemos parar a matança nas Ilhas Faroé. Há uma nova geração nas Ilhas Faroé, que vêem o grind como o que é – um massacre bárbaro de cetáceos que não tem lugar atualmente no século 21”, disse o capitão Hall, do Canada.

Ao meio-dia, em 20 de julho, o Brigitte Bardot começou suas patrulhas planejadas da região mais a sul das Ilhas Faroé, em busca de baleias-piloto.

Traduzido por Raquel Soldera, voluntária do ISSB.