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BIOCENTRISMO, por Paul Watson

Foto: Kogia / Karim Iliya
O Que Somos
Por Paul Watson, Fundador da Sea Shepherd.
Quando observamos o panorama geral e os milhões de espécies que habitam nosso planeta, podemos perceber que não somos especiais. Não estamos no centro desta roda da vida.
Nós existimos por causa dessa roda, não separados dela. Somos, juntamente com todas as outras espécies, parte de um coletivo que apoia e sustenta todos os demais membros deste extraordinário planeta vivo.
Há cerca de 14 bilhões de anos, o Universo como o conhecemos passou a existir, e cerca de 200 bilhões de trilhões de estrelas formaram centenas de bilhões de galáxias e milhares de milhões de planetas.
Há algumas dezenas de milhares de anos, um grupo de primatas hominídeos em uma pequena rocha orbitando uma estrela mediana e comum conseguiu sobreviver e, há cerca de 10 mil anos, seus descendentes decidiram que nós deveríamos ser a razão de tudo isso existir. Que tudo teria sido criado apenas para nós, porque decidimos que éramos especiais. Na verdade, fomos seduzidos pela crença delirante de que éramos — e somos — a única espécie que importa.
Foto: Kogia / Karim Iliya
Esse delírio chama-se antropocentrismo.
Todas as grandes religiões do mundo são antropocêntricas.
A realidade, porém, é que estamos conectados e somos interdependentes de outras espécies, algumas das quais são muito mais importantes do que nós, pela simples razão de que não podemos viver sem muitas outras espécies, enquanto a maioria das demais espécies pode viver muito bem sem nós.
Graças ao fitoplâncton e às florestas tropicais, temos oxigênio para respirar. Graças aos vermes e aos microrganismos, temos o solo que produz os alimentos que consumimos. Graças às abelhas e a muitos outros insetos, as plantas são polinizadas e, porque as plantas conseguem literalmente se alimentar da luz do sol, nós não passamos fome.
Precisamos de uma nova perspectiva: o biocentrismo.
Seus pensamentos são bem-vindos.
Foto: Kogia / Warren Keelan