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A fonte mais perigosa de plásticos nos oceanos que ninguém comenta

Você deixou de comer peixe alguma vez para diminuir a poluição de plásticos nos oceanos? Provavelmente não deixou, porque ninguém te falou a verdade sobre de onde vem a maioria dos plásticos que estão em nossos oceanos e como a escolha dos nossos alimentos tem contribuído para isso.

Comentário da Sea Shepherd Global.

Constantemente somos lembrados sobre a mensagem que você provavelmente já deve ter ouvido: Investir em garrafas de água reutilizáveis e canecas de café, trocar a compra de sacolas plásticas por uma de pano “sacola para a vida” e se recusar a utilizar plástico descartável, principalmente canudos. Essa lista continua…

Com certeza, todos esses esforços valem a pena serem colocados em nosso dia a dia. O desperdício de plástico é claramente um dos mais urgentes e visíveis problemas que estão afetando nossos oceanos e a vida marinha. A quantidade de plástico produzida pelo humano a cada ano é equivalente ao peso de toda a raça humana junta. Apesar de todos os nossos esforços para “recusar, reduzir, reutilizar e reciclar”, 91% dos resíduos de plásticos nunca são reciclados.

Ao invés de decompor ou biodegradar, os plásticos no oceano são na verdade quebrados em pedaços cada vez menores, eventualmente se tornando microplásticos tão pequenos que os olhos humanos não conseguem ver. Não existe “fim” para os plásticos. Cada pedaço de plástico que uma vez foi produzido, ainda permanece em nosso planeta. Mais de 90% das aves marinhas tem plásticos em seus estômagos e pesquisadores estão prevendo que o oceano irá ter mais plástico do que peixes (em peso) até 2050 se não agirmos agora.

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Mas apesar do que a maioria das pessoas pensam, plásticos de consumo comum como cotonetes, talheres descartáveis e recipientes de shampoo não são os maiores culpados.

A maior fonte de plástico que está sufocando a vida marinha nos nossos oceanos é feita de redes de pesca, cordas, FADs (dispositivo de agregação de peixes), espinhel, caixas e cestas que são propositalmente ou acidentalmente perdidas, descartadas ou abandonadas.

Pelo menos metade do […resíduo de plástico no oceano] não são plásticos de consumo, dos quais são o centro de debate atual, mas equipamentos de pesca, “afirma George Leonard, chefe cientista do Ocean Conservancy.

Aproximadamente 46% de 79 mil toneladas de plásticos no “Great Pacific Garbage Patch” (maior acumulação de plástico no oceano do mundo, localizada entre o Havaí e a Califórnia) são feitos de redes de pesca, algumas do tamanho de um campo de futebol, de acordo com um estudo publicado em Março de 2018 em relatório científico, do qual chocou os pesquisados que esperavam uma porcentagem próxima a 20%.

Redes de pesca perdidas, abandonadas ou descartadas no mar, também conhecido como “redes fantasmas” – podem continuar matando indiscriminadamente por décadas e décadas, prendendo ou sufocando incontáveis peixes, tubarões, baleias, golfinhos, tartarugas marinhas, focas e aves marinhas todos os anos. Estima-se que 30% do declínio em algumas populações de peixes são resultado de equipamentos de pesca descartados, enquanto mais de 70% dos animais marinhos enroscados são por redes de pescas abandonadas.

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A equipe da Sea Shepherd e voluntários em campanhas ao redor do mundo são testemunhas diárias da devastação causada por equipamento de pesca. Na operação Icefish em 2014, enquanto a embarcação Bob Barker da Sea Shepherd perseguiu o conhecido navio de caça Thunder por 110 dias até eles afundarem seu próprio navio, a equipe da embarcação Sam Simon ficou atrás no congelante oceano antártico, passando semanas recolhendo a rede de 72km de comprimento abandonada pelo Thunder quando fugiram. Em cinco campanhas consecutivas da Operação Milagro no mar do Cortez, México, nossa equipe recuperou mais de 180km de redes fantasmas, além das redes de pescas ilegais responsáveis por matar a Vaquita marinha, que está criticamente ameaça de extinção. Em 2015, a Sea Shepherd França lançou a Operação Mare Nostrum para remover redes fantasmas do mar Mediterrâneo, onde foi recuperada uma rede de arrasto em uma área marinha protegida, próximo a costa da França onde todos os tipos de pesca são proibidos. Em 2018 a Sea Shepherd do Reino Unido lançou a Operação Ghostnet, uma campanha usando pequenos barcos rápidos e mergulhadores para remover perigosas redes fantasmas e outros equipamentos de pescas abandonados em áreas costeiras ao redor da Inglaterra, Escócia e País de Gales. A Operação Siso, campanha da Sea Shepherd para confiscar equipamentos de pesca ilegal encontrados na costa mediterrânea da Itália, foi nomeado para uma jovem baleia cachalote, cuja migração pelas ilhas Eólias terminou quando se enroscou em uma rede à deriva e morreu. Em agosto de 2018, por volta de 300 tartarugas marinhas ameaçadas de extinção foram encontradas mortas na costa do Sul do México, presas apenas por uma rede de pesca abandonada.

Tartarugas marinhas são duplamente afetadas por equipamentos de pesca abandonados, porque quando chegam as praias de nidificação, a tartaruga mãe fica presa quando vai colocar seus ovos e os bebês quando nascem não conseguem escalar os escombros para chegar ao mar. A embarcação Bob Barker da Sea Shepherd recentemente ajudou a limpar mais de 4 toneladas de resíduo marinho de uma ilha na África Ocidental em Cabo Verde. A terceira praia de nidificação mais importante no mundo para tartarugas cabeçudas.

O que você para fazer para ajudar?

A sua generosa doação ajuda a Sea Shepherd a continuar essas campanhas vitais para remover equipamentos de pesca mortais dos nossos oceanos. Você também pode participar das limpezas de praias realizadas pela equipe da Sea Shepherd local (Nota importante: nunca tente retirar equipamento de pesca abandonado da água sozinho, isso pode ser extremamente perigoso para você e até prejudicial para o animal preso. Entre em contato com as autoridades locais se você avistar algo).

Mas não seria melhor parar esses equipamentos de pesca industrial de poluir nossas águas em primeiro lugar?  Nós estamos trabalhando para impedir as garrafas plásticas de chegarem na água, encontrando alternativas e reduzindo sacolas plásticas proibindo-as no caixa do supermercado. Então, como conseguimos parar a inundação de equipamentos de pesca abandonado em nossos oceanos? Existe realmente uma outra maneira de impedir os equipamentos de pesca de sufocar nossos oceanos do que parar isso na fonte? Os governos podem (e deveriam) tomar todos os tipos de medidas para prevenir os equipamentos de pesca de poluir ainda mais os oceanos e a Sea Shepherd irá continuar perseguindo e ajudando a interromper as operações de pesca ilegal enquanto tira equipamentos de pesca sempre que encontrado. Mas cada consumidor tem o poder de fazer a diferença.

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O jornal Guardian do Reino Unido, recentemente observou a hipocrisia na condenação da mídia de plástico descartável… “o fator mais importante…nós falamos menos.” Será que esse silêncio é devido à grande mídia não querer abalar os interesses econômicos do setor de pesca comercial ou porque resolvendo o problema, significa que os consumidores irão conectar os pontos…de volta para eles mesmo?

Teria realmente uma maneira de cortar a demanda por peixe – e a massiva indústria por trás disso – reduzindo ou eliminando totalmente peixes da nossa dieta? Isso é difícil de discutir, isso pode fazer você sentir que está nadando contra a maré, mas talvez seja a melhor maneira para cada indivíduo fazer o maior impacto além de evitar plásticos descartáveis. Se nós realmente nos importamos com o problema do plástico nos oceanos, nós precisamos resolver o problema de equipamento de pesca. E até encontrarmos novas opções melhores, isso significa tirar peixes do cardápio.

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