Frota da Sea Shepherd de volta para casa

Frota da Sea Shepherd de volta para casa. Foto: Sea Shepherd Australia/Eliza Muirhead

Depois de ser escoltado para fora do Santuário de Baleias da Antártida pela Sea Shepherd Austrália, a frota baleeira japonesa fez meia-volta e voltou para o sul, não por praticidade, mas para uma tentativa deprimente de mostrar o orgulho de sua matança cruel e ilegal de baleias. Tempestades fizeram com que a matança de baleias tenha sido uma tarefa impossível para os caçadores de baleias.

Os navios da Sea Shepherd estão a caminho de Seaworks Pier, em Williamstown, Melbourne, na Austrália, e devem chegar em 11 dias, na quarta-feira, 20 de março. As tripulações do Steve Irwin, Bob Barker, Sam Simon e Brigitte Bardot voltam sabendo que a vida de centenas de baleias foram salvas graças a seus esforços na que tem sido a mais bem sucedida campanha de em defesa das baleias da Antártida, a Operação Tolerância Zero.

“Por causa da Sea Shepherd Austrália e de sua tripulação corajosa, centenas de baleias estarão nadando para o norte vivas, em vez de serem transportadas para Tóquio como pedaços de carne”. – Bob Brown, Presidente da Sea Shepherd Austrália.

“Esta é uma vitória histórica para a Sea Shepherd Austrália e nossos apoiadores. Temos a honra de gerenciar e liderar esta campanha em defesa das baleias, defendendo o Santuário de Baleias do Oceano Austral e, na ausência das autoridades australianas, mantendo a decisão do tribunal federal australiano. Fui surpreendido com a bravura de todas as tripulações de nossos navios e capitães, revoltados com os caçadores de baleias e a completa falta de respeito do governo japonês por qualquer vida e lei australiana e internacional”- Jeff Hansen, Diretor da Sea Shepherd Austrália.

“A Sea Shepherd Austrália gostaria de enviar um sincero agradecimento a todas as pessoas que tornaram esta campanha possível, desde nossos doadores e apoiadores, nossas bases de apoio em terra, a todas as crianças e grupos escolares que visitaram nossos navios e as notas de encorajamento e agradecimento a nossa equipe e, claro, a nossa equipe maravilhosa e o lendário e inspirador Bob Brown, nosso co-líder da campanha. Estou ansioso para ver todos para as boas-vindas dos heróis e a festa com os capitães e tripulação em Seaworks, em Williamstown.” –  Jeff Hansen, Diretor da Sea Shepherd Austrália.

Traduzido por Raquel Soldera, voluntária do Instituto Sea Shepherd Brasil

Mais uma violação ao Oceano Antártico

Steve Irwin

A frota baleeira japonesa está agora agindo como um serial killer em um filme de terror ruim – quando os heróis viram as costas e os créditos estão prestes a rolar, o assassino se levanta novamente, desta vez com o arpão na mão para matar outra baleia indefesa.

A frota japonesa estava recuando mas se virou e está se dirigindo ao Sul novamente.

Quando os navios da Sea Shepherd se afastaram da frota baleeira ao norte, eles o fizeram a fim de economizar combustível para a longa viagem de volta para Melbourne. Mas antes da despedida, membros da tripulação da Sea Shepherd colocaram um dispositivo de rastreamento no Sun Laurel para monitorar seu progresso em direção ao norte.

O Sun Laurel agora se virou e está se dirigindo para o sul novamente, e isso só pode indicar que o Nisshin Maru também se virou e está indo para o sul. Embora existam poucos dias para o fim do período de caça, ainda há a possibilidade de que o Nisshin Maru pode reabastecer e voltar para alguns dias de caça. Embora eles não serão capazes de matar muitas baleias, a morte de apenas algumas já é de grande preocupação para a Sea Shepherd Conservation Society.

Portanto, o Sam Simon vai transferir combustível para o Steve Irwin e irá para Fremantle, em vez de Melbourne, para reabastecer.

O Bob Barker tinha a intenção de transferir combustível para o Steve Irwin, mas eles vão agora manter esse combustível para retomar a busca da frota baleeira.

Após o reabastecimento de amanhã do Sam Simon, o Steve Irwin vai seguir o Bob Barker de volta para o Oceano Antártico para interceptar a frota baleeira.

O Bob Barker mudou de curso e está mais uma vez em busca da frota baleeira.

A Operação Tolerância Zero foi ressuscitada. Parece que serão mais dez dias de buscas em alto-mar em um oceano se tornando mais frio e mais hostil a cada dia.

“Parece que os baleeiros japoneses estão voltando ao sul para matar algumas baleias para não serem totalmente humilhados nesta temporada”, disse o capitão do Bob Barker, Peter Hammarstedt, “por isso está é mais uma violação. Nós sabemos onde o Sun Laurel está e pretendemos interceptá-los mais uma vez.”

O Steve Irwin vai receber o combustível do Sam Simon na ilha Heard, antes de retornar ao Oceano Antártico para ajudar o Bob Barker.

“São ainda três dias de volta às terras dos baleeiros, com não mais do que uma semana para matar baleias, e o tempo está ficando cada vez pior”, disse o capitão Siddharth Chakravarty, do Steve Irwin.

“Não é economicamente viável para os baleeiros retornar a esta altura”, disse o Diretor da Sea Shepherd Austrália, Jeff Hansen. “Mas isto não é mais sobre caça às baleias. É sobre o governo japonês não parecer fraco. Eles foram humilhados pela Sea Shepherd. Eles estão retornando ao Oceano Antártico para que eles possam alegar que eles não foram expulsos pela Sea Shepherd, mesmo que seja muito claro que eles foram. Parece que vamos ter que persegui-los para fora do Santuário de Baleias da Antártica mais uma vez”.

Com o tempo piorando, os mares se tornam mais ásperos, com as plâncton dispersos, assim também as baleias se dispersando, e as condições não são as mais fáceis para as operações baleeiras.

O Bob Barker não está longe de voltar até a frota baleeira.

Traduzido por Raquel Soldera, voluntária do Instituto Sea Shepherd Brasil

Sea Shepherd Austrália escolta a frota baleeira japonesa para fora do Santuário de Baleias da Antártica

Posição em 1 de março, às 18:58 (horário da Austrália), a 59° 59′ sul e 60° 32′ leste

Comentário por Paul Watson, Observador

O SSS Steve Irwin acompanha a frota baleeira. Foto: Sea Shepherd Austrália / Eliza Muirhead

A frota baleeira japonesa deixou o Santuário de Baleias do Oceano Austral e está se dirigindo para o norte.

Os navios que cruzam 60 graus norte são o Nisshin Maru, Yushin Maru, Yushin Maru 2, Shonan Maru 2, o Steve Irwin e o Bob Barker.

A frota baleeira japonesa inteira está agora 60 graus norte e fora do Santuário de Baleias da Antártica.

O navio de combustível de bandeira panamenha e propriedade coreana, o petroleiro Sun Laurel, viajando com o Yushin Maru 3 e seguido pelo navio da Sea Shepherd, Sam Simon, está 120 milhas náuticas a norte do Nisshin Maru e continua a norte a 11 nós.

Uma vez que a frota baleeira japonesa chegou no Oceano Antártico às 23:30 horas em 28 de janeiro de 2013, os navios da Sea Shepherd têm perseguido a frota por mais de 6.240 milhas para o oeste, a partir do Mar de Ross para a Baía Pryzd, a partir de 164° 02′ Oeste e 60° 20′ Leste.

A campanha teve dois confrontos para impedir a matança de baleias e três confrontos para evitar o abastecimento ilegal do Nisshin Maru pelo Sun Laurel.

Durante a campanha, as equipes da Sea Shepherd não lançaram quaisquer projéteis ou implantaram qualquer dispositivo incrustante de hélice. Os baleeiros japoneses lançaram granadas flashbangs e acertaram os tripulantes da Sea Shepherd com canhões de água. Todos os três navios da Sea Shepherd foram danificados depois de serem atingidos várias vezes pelo navio de 8.000 toneladas, Nisshin Maru.

A caça de baleias terminou nesta temporada? Nós não estamos certos, mas nós temos 80% de certeza de que pode ter acabado.

A Sea Shepherd não vai intervir contra qualquer transferência legal de combustível entre o Nisshin Maru e o Sun Laurel acima de 60 graus ao Sul, mas o Sun Laurel está há mais de 120 quilômetros ao norte, e ainda se movendo para o norte a 11 nós. Levaria pelo menos 48 horas para se encontrar com o Sun Laurel para reabastecer e mais quatro dias para voltar para a área de caça às baleias. Isto deixaria uma semana para matar baleias e com o tempo se deteriorando rapidamente, dificilmente valeria a pena o esforço.

Quantas baleias foram mortas? A Sea Shepherd pode confirmar a morte de duas baleias Minke. Algumas baleias podem ter sido mortas a oeste; o Nisshin Maru e o Yushin Maru 2 tiveram dois dias livres até que os navios da Sea Shepherd chegassem até eles.

Podemos confirmar que o Yushin Maru e o Yushin Maru 3 não mataram baleias nesta temporada. Estes dois navios estavam sob observação em todos os momentos.

Minha estimativa conservadora do número de baleias mortas este ano não é mais do que 75. Pode ser muito menor, mas certamente não superior. No ano passado, eu previ que os baleeiros alcançaram 30% de sua cota de matança. A matança real foi de 26%.

Apesar da Operação Tolerância Zero não ter conseguido zero mortes, esta campanha será responsável pelo menor número de baleias mortas pela frota baleeira japonesa em toda a história de sua caça de baleias na Antártida.

A campanha da Sea Shepherd Conservation Society, liderada pela Sea Shepherd Austrália, tem sido um enorme sucesso, e os tripulantes dos três navios da Sea Shepherd estão satisfeitos com o que foi alcançado nesta temporada.

Todos os três navios da Sea Shepherd vão continuar acompanhando a frota baleeira ao norte para garantir que eles não retornarão para matar baleias.

Bob Barker e Steve Irwin acompanhando o Nisshin Maru para fora do Santuário de Baleias da Antártica. Foto: Sea Shepherd Austrália / Tim Watters

Traduzido por Raquel Soldera, voluntária do Instituto Sea Shepherd Brasil

Dez perguntas respondidas pelo Capitão Paul Watson

A Sea Shepherd Austrália selecionou dez perguntas de pessoas de todo o mundo para o fundador da Sea Shepherd, Paul Watson. Estas são suas respostas.

Entrevista com o Capitão Paul Watson

Guarda costeira japonesa explode granada no convés do navio-tanque de combustível, Sun Laurel. Foto: Sea Shepherd Austrália

Pergunta 1: Qual é a sua posição com os navios e campanhas este ano?

Capitão Paul Watson: Eu estou a bordo do Steve Irwin, como observador. Aos baleeiros japoneses foi concedida uma liminar pelo Nono Tribunal Distrital dos EUA em 17 de dezembro de 2012. Como resultado, a Sea Shepherd EUA se retirou da Operação Tolerância Zero e eu me demiti do Conselho de Sea Shepherd EUA e da Sea Shepherd Austrália. Eu também renunciei a minha posição como diretor executivo da Sea Shepherd EUA e agora estou a bordo estritamente como um observador voluntário não remunerado. Não estou tomando decisões, dirigindo, ou até mesmo aconselhando sobre a Operação Tolerância Zero.

Pergunta 2: Quem toma as decisões?

Capitão Paul Watson: A campanha está sendo conduzida e dirigida pelos Diretores da Sea Shepherd Austrália, Bob Brown e Jeff Hansen, e os três capitães do Bob Barker, Sam Simon e Steve Irwin.

Pergunta 3: O Nono Tribunal Distrital dos EUA tem chamado a Sea Shepherd de piratas. Como você responde a isso?

Capitão Paul Watson: Obviamente, eles têm a sua opinião. E essa é uma opinião totalmente desprovida de provas reais. Está em contraste com o parecer anterior do altamente respeitado juiz de Seattle, Richard Jones, assim não é, certamente, uma diferença de opinião. Bobby Kennedy é um advogado e ele não concorda com a emissão de um mandado contra a Sea Shepherd EUA. Somos chamados por muitos nomes, mas a verdadeira questão é se a Sea Shepherd está infringindo a lei. O fato é que a Sea Shepherd EUA cumpriu integralmente a liminar e o Nono Tribunal Distrital não tem jurisdição sobre os australianos e outros cidadãos não-americanos em navios de bandeiras australiana e holandesa que operam fora da Austrália e da Nova Zelândia, em águas internacionais australianas. Isto está simplesmente fora da jurisdição do Tribunal do Nono Circuito. Eles têm jurisdição sobre mim, como um cidadão dos EUA, mas não estou violando a restrição de 500 metros e não estou fisicamente participando na oposição às atividades baleeiras ilegais japonesas.

Pergunta 4: Os navios da Sea Shepherd sofreram graves danos durante a última semana em confrontos com o navio-fábrica japonês Nisshin Maru. Você está preocupado que o capitão Tomoyuki Ogawa e os baleeiros japoneses vão afundar seus barcos?

Capitão Paul Watson: Estamos muito preocupados. Eles destruíram o navio Ady Gil em 2010 e não sofreram sequer uma repreensão. O governo japonês apoia os ataques violentos contra os navios da Sea Shepherd, que põem em perigo as vidas de nossa equipe. É melhor, porém, que os navios sustentem o dano do que as baleias morram. Como o capitão John Paul Jones, fundador da Marinha dos Estados Unidos, disse uma vez, “Dê-me um navio justo que eu possa seguir seu caminho em perigo”. Esse é o sentimento dos capitães da Sea Shepherd.

Pergunta 5: Salvando a vida das baleias vale a pena arriscar a vida humana?

Capitão Paul Watson: A Sea Shepherd tem grandes precauções para garantir que ninguém seja ferido, e em 35 anos de campanha, a Sea Shepherd não foi responsável por uma única lesão. Nós não usamos armas de fogo. Os baleeiros usam. Temos jogado manteiga podre no deck. Os baleeiros lançam granadas flashbangs na tripulação da Sea Shepherd e os atinge com canhões de água de alta potência e lanças. A Sea Shepherd não feriu, nem pretendem ferir os baleeiros japoneses. Os baleeiros japoneses, por outro lado, feriram os tripulantes da Sea Shepherd. São tripulantes da Sea Shepherd arriscando suas vidas pelas baleias? Eles optam por assumir esses riscos e sinto que é tão nobre, se não mais, e justifica arriscar suas vidas para a proteção do Santuário de Baleias da Antártica, como as pessoas arriscam suas vidas pelo setor imobiliário, por religião e lucros corporativos.

Pergunta 6: Seus críticos chamam vocês de criminosos, piratas, militantes e extremistas. Como você responde a essas acusações?

Capitão Paul Watson: A Sea Shepherd não é uma organização de protesto. A Sea Shepherd é uma organização intervencionista. Nós intervimos contra atividades ilegais. Nós intervimos para defender a lei de conservação internacional, de acordo com os princípios estabelecidos pela Carta Mundial das Nações Unidas para a Natureza, que permite a intervenção de organizações não-governamentais para acabar com os crimes contra a natureza e o meio ambiente. Os baleeiros japoneses estão mirando baleias fin e minke ameaçadas de extinção e as baleias jubartes protegidas no Santuário de Baleias do Oceano Austral, internacionalmente estabelecido, em violação de uma moratória global à caça comercial. Eles estão desprezando uma decisão do Tribunal Federal da Austrália, que proíbe a matança de baleias no Santuário de Baleias Australiano. Eles estão violando o Tratado da Antártida, transportando óleo combustível pesado abaixo de sessenta graus ao sul. Eles estão violando o Ato de Proteção do Ambiente e Conservação da Biodiversidade (EPBC Act, em inglês).

Pergunta 7: Por que a Sea Shepherd toma essas ações particulares? Deve haver outras maneiras de se opor ao programa baleeiro japonês.

Capitão Paul Watson: A diplomacia falhou. Os japoneses estão ilegalmente matando baleias desde 1987. Nada os deteve. A Greenpeace não conseguiu detê-los. Em 1999, o governo de Howard promulgou o Ato de Proteção do Ambiente e Conservação da Biodiversidade, que declarou um “Santuário de Baleias Australiano” proibindo toda a caça às baleias no santuário no mar da Austrália, incluindo as águas ao largo do Território Antártico Australiano no Oceano Antártico. O ato é aplicado não apenas aos australianos, mas para todas as outras nações, incluindo o Japão. O Japão ignorou a lei e foi encontrado por tê-la violado, e em uma decisão do Tribunal da Austrália de 2008 o Japão foi obrigado a deixar a caça nas águas do Território Antártico Australiano. A Austrália não tem tomado medidas para defender esta decisão. A Sea Shepherd Austrália optou por fazê-lo em nome de todos os australianos.

Pergunta 8: Por que os voluntários da Sea Shepherd são tão apaixonados por salvar as baleias?

Capitão Paul Watson: Eu poderia responder a essa pergunta com outra pergunta: Por que as pessoas não são apaixonadas por salvar as baleias? Estes são seres sencientes magníficos, socialmente complexos, altamente inteligentes, e eles são uma parte importante de todos os ecossistemas oceânicos. A caça de baleias não tem lugar no século 21. É uma indústria cruel e inútil. A observação de baleias é uma indústria muito mais lucrativa e, portanto, em termos econômicos, as baleias são mais valiosas vivas do que mortas. Nós vemos a foto maior. Toda a pesca do mundo está seriamente sendo diminuída. Se as baleias, tubarões, tartarugas e aves forem removidas, se as populações de plâncton forem reduzidas mais do que já foram, nossos oceanos simplesmente estagnam e morrem. Nós não podemos viver em qualquer lugar neste planeta sem um oceano de vida saudável. É simples assim. E como não pode qualquer ser humano inteligente ser apaixonado pela sobrevivência da humanidade? “Se os oceanos MORREM, a humanidade morre”.

Pergunta 9: Será que a Sea Shepherd Austrália retorna ao Oceano Antártico para a próxima temporada de caça?

Capitão Paul Watson: Vai ser difícil, porque a Sea Shepherd Austrália não terá os recursos financeiros da Sea Shepherd EUA para financiar uma campanha em defesa das baleias na Antártida. A Sea Shepherd Austrália no entanto está confiante de que os fundos podem ser criados na Austrália pelos australianos. A Sea Shepherd Holanda também pode apoiar a operação com os dois navios holandeses de propriedade holandesa. Os navios serão reparados e  vão voltar para o Oceano Antártico se a frota baleeira japonesa retornar no final deste ano ou em janeiro de 2014. A Sea Shepherd Austrália está empenhada em defender a integridade do Santuário de Baleias da Antártica, e as vidas de baleias ameaçadas de extinção e protegidas. A Sea Shepherd Austrália está comprometida em manter o Ato australiano de Proteção do Meio Ambiente e Conservação da Biodiversidade. As tripulações da Sea Shepherd têm sido extremamente bem sucedidas em impedir a matança de milhares de baleias. A Sea Shepherd Austrália encara estas baleias como sendo de responsabilidade e custódia da Austrália. O Tribunal Federal da Austrália decidiu que caçar baleias no Santuário de Baleias Australiano é proibido. O governo da Austrália está levando o Japão ao tribunal. Se a Austrália prevalecer, a Sea Shepherd Austrália voltará a defender a decisão do Tribunal Internacional de Haia.

Pergunta 10: Depois da campanha, onde você vai?

Capitão Paul Watson: O Japão exerce uma grande influência política e gasta uma grande quantia de dinheiro para me prender. Por um encargo relacionado com “invasão” e “obstrução do negócio” eles me colocaram na lista vermelha da Interpol. Ninguém jamais foi colocado na lista vermelha por infrações menores, e essas acusações são baseadas exclusivamente nas acusações de Peter Bethune, em troca do recebimento da suspensão de uma pena. Esta é uma lista de serial killers e criminosos de guerra, mas ilustra a política por trás da decisão. Eu nunca fiquei iludido de que a luta contra a indústria baleeira japonesa seria fácil, e eu não estou surpreso. No entanto, posso servir meus clientes, as baleias, golfinhos, tubarões e outras espécies marinhas melhor no mar, e não em uma prisão japonesa, e assim, até os advogados resolverem minha situação jurídica, o lugar mais seguro para mim, é no mar. Atualmente eu sou um homem sem um país, mas mais uma vez eu sou um homem que está livre sobre o oceano. Mais importante, eu tenho a satisfação de ter ajudado a salvar milhares de baleias e isso, por si só, vale a pena os ensaios e atribulações.

Vapor sai da chaminé do Steve Irwin enquanto o Nisshin Maru tenta inundar o motor do Steve Irwin usando canhões altamente pressurizados de água. Foto: Sea Shepherd Austrália / Tim Watters

Nisshin Maru bate o Bob Barker contra o Sun Laurel, imprensando o navio da Sea Shepherd entre si e o tanque de combustível da frota baleeira. Foto: Sea Shepherd Austrália / Tim Watters

O Nisshin Maru dispara canhões de água no Steve Irwin para inundar os motores. Foto: Sea Shepherd Austrália / Tim Watters

Traduzido por Raquel Soldera, voluntária do Instituto Sea Shepherd Brasil

As tensões aumentam em confronto com os baleeiros japoneses

Japão envia apoio militar para proteger frota baleeira ilegal

Nisshin Maru empurra Bob Barker no Sun Laurel. Foto: Tim Watters

A Sea Shepherd Austrália, com sucesso, bloqueou uma terceira tentativa de reabastecimento da frota baleeira japonesa, que está operando ilegalmente, em violação de uma decisão do Tribunal Federal da Austrália que proíbe caça à baleia no território antártico australiano. Durante o processo, o capitão Tomoyuki Ogawa do navio-açougue de baleia, Nisshin Maru, abalroou os navios da Sea Shepherd, Bob Barker e Sam Simon.

Durante a noite anterior, o navio de propriedade coreana e bandeira panamenha, o petroleiro Sun Laurel e o Nisshin Maru seguiram em direção ao sul, devido às águas salpicadas com blocos de gelo grandes e icebergs, a 12 nós na escuridão, sem holofotes. O Sun Laurel não é um navio preparado para navegar sobre o gelo, e está agora 420 milhas ao sul de sessenta graus, com sua carga ilegal de óleo combustível pesado, HFO.

Acompanhando o Sun Laurel estava o Sam Simon, seguido pelo navio de segurança armada, Shonan Maru 2, e o Yushin Maru 3. O Nisshin Maru estava sendo seguido pelo Steve Irwin e pelo Bob Barker, com os dois navios arpoadores restantes da frota japonesa de caça ilegal de baleias no reboque. Haviam seis navios dos baleeiros, e três da Sea Shepherd.

Às 2:00 (horário da Austrália), as duas partes reuniram-se e os três ágeis navios arpoadores Yushin Maru começaram a arrastar linhas incrustantes nas hélices ao atravessar as proas dos navios da Sea Shepherd. O Bob Barker tomou posição e se manteve a bombordo do Sun Laurel para bloquear o reabastecimento do Nisshin Maru, e manteve esta posição enquanto o Nisshin Maru por duas vezes provocou uma colisão entre ele mesmo, o Bob Barker e o Sun Laurel.

O Nisshin Maru imprensou o Bob Barker entre os dois navios grandes, e na turbulência da do rasto de navio combinado, o Bob Barker foi jogado para trás entre o Nisshin Maru e o petroleiro Sun Laurel às 14:48 e 15:16 (horário da Austrália).

O Nisshin Maru disparou seus canhões de água de alta potência para as saídas de ar do Steve Irwin, Bob Barker, e Sam Simon, na tentativa de inundar seus motores. Todas as salas do motor sofreram fortes inundações, mas não há falhas mecânicas.

O Nisshin Maru lançou granadas flashbang para o Bob Barker, uma das quais atingiu e explodiu no Sun Laurel, deixando uma marca escura.

Canhões de água do Steve Irwin foram lançados e a tripulação da Sea Shepherd foi instruída a não apontá-los em qualquer pessoa sobre os navios de caça furtiva.

Em sua última fraca tentativa para chegar ao Sun Laurel, o Nisshin Maru virou o Sam Simon, causando danos ao longo do casco a bombordo do navio e quebrando sua cúpula de comunicações por satélite. Depois de abalroar o Sam Simon, o Nisshin Maru se afastou do Sun Laurel às 17:20 (horário da Austrália), e o Sun Laurel guardou seus guindaste e pára-lamas.

Em uma virada dramática dos acontecimentos, um enorme navio naval japonês se aproxima dos seis navios japoneses. O navio japonês da Força Marítima de Auto-Defesa, Shirase (MMSI #: 431999533) é um quebra-gelo, do tipo “Operações Militares”. Ele transporta cerca de 250 tripulantes e três helicópteros. Ele pesa 12.500 toneladas, tem 138 metros e pode fazer 15 nós. Seu último porto conhecido foi Fremantle.

Quanto ao Shirase, o ex-ministro do Meio Ambiente da Austrália, Ian Campbell, disse: “Este verão este navio estava em Freemantle, a Oeste da Austrália. Agora ele está ajudando a frota baleeira japonesa em suas operações ilegais. Ele deve ser banido de todos os portos australianos a partir de agora”.

Apesar de inúmeras solicitações da Sea Shepherd, bem como as forças políticas, a Austrália não enviou um navio para monitorar as atividades aqui no Território Antártico Australiano, mas um navio de guerra japonês armado está chegando em breve para defender uma operação de caça de baleias que está desprezando o Tribunal Federal australiano, e um navio-tanque, que é ilegal nestas águas com óleo combustível pesado e operando de forma perigosa.

O Diretor da Sea Shepherd Austrália, Jeff Hansen, afirma: “Em dezembro de 2007, como o Shirase, ao Shonan Maru 2 foi concedida a permissão para atracar em Fremantle pelo governo australiano, que afirmou que não era parte da caça à baleia frota. Então, em janeiro de 2010, o mesmo navio, o Shonan Maru 2, passou a bater e destruir o navio registrado da Nova Zelândia, o Ady Gil. Diplomatas australianos foram rápidos para absolver os baleeiros japoneses da culpa, dizendo à Embaixada dos EUA em Canberra que os japoneses saíram “limpos” de qualquer investigação. Efetivamente, esperamos que, mais uma vez, o Japão saia limpo de qualquer investigação australiana por estes últimos flagrantes, tentativas de colisão pelo enorme navio-fábrica baleeiro, o Nisshin Maru. O que efetivamente está acontecendo é que o governo australiano está dando ao Japão o sinal verde para fazer o que sempre quiserem, colocando em perigo a vida da tripulação internacional da Sea Shepherd no Território Antártico da Austrália.”

Nisshin Maru colide o Bob Barker no Sun Laurel. Foto: Glenn Lockitch

Fumaça de vapor do Steve Irwin depois do ataque do canhão d'água. Foto: Eliza Muirhead

Danos no Sam Simon depois de ter sido abalroado pelo Nisshin Maru. Foto: Tim Watters

Traduzido por Raquel Soldera, voluntária do Instituto Sea Shepherd Brasil

Novo vídeo: navio-fábrica da frota baleeira japonesa empurra navio da Sea Shepherd

Sea Shepherd Austrália lança declaração sobre a colisão

Imagens inéditas de alta qualidade do momento exato em que o Nisshin Maru empurrou o navio da Sea Shepherd, Bob Barker, para o navio de combustível da Coréia do Sul, o Sun Laurel, acaba de ser recebido e liberado pela Sea Shepherd Austrália.

O som aterrorizante do impacto pode ser ouvido a partir de 2 minutos e 24 segundos do clipe, como o filme mostra o navio-fábrica de 8.000 toneladas da frota baleeira japonesa desabar no convés do Bob Barker, em seguida, empurrar o navio da Sea Shepherd no navio de combustível da frota baleeira (embarcação laranja), e destruir equipamentos no Bob Barker, incluindo os mastros de radar e luzes de navegação, causando danos estruturais em seus decks. A destruição destes dispositivos elétricos de alta tensão ao lado de um tanque de combustível tinha o potencial de causar uma grande explosão, mas felizmente isso não aconteceu.

 [youtube]http://www.youtube.com/watch?v=ssw3xG1wH1s[/youtube]

A Sea Shepherd Austrália lançou uma resposta oficial ao incidente de colisão, que detalha o horrível abalroamento de três navios da Sea Shepherd, o Bob Barker, o Steve Irwin e o Sam Simon, bem como o navio de combustível da frota baleeira japonesa, o Sun Laurel. Sobre isso, a Sea Shepherd Austrália afirma:

“Colisões não podem ser provocadas e não há como um capitão de navio se desculpar batendo quatro navios com pretensões de provocação. O Capitão do Nisshin Maru, Tomoyuki Ogawa, sabia exatamente o que estava fazendo quando ele atingiu os navios da Sea Shepherd e Sun Laurel. Ele só considerou que sua própria operação de reabastecimento valeria a pena arriscar a segurança e a vida de mais de uma centena de pessoas de nossa equipe, uma dúzia de tripulantes do Sun Laurel, bem como sua própria tripulação no Nisshin Maru“.

Traduzido por Raquel Soldera, voluntária do Instituto Sea Shepherd Brasil