Japão ignora matança imoral e indiscriminada de golfinhos em Taiji

Imagem retirada da internet. Ocean Preservation Society

 

É angustiante e surpreendente que em pleno século XXI, um país como o Japão, consagrado por sua cultura de respeito e inteligência, ainda tolere e seja omisso à crueldade e ao massacre de golfinhos em Taiji.

 

Todos os anos esse horror em Taiji se repete e apenas as ONGs se prontificam a fazer alguma coisa pelos golfinhos que são covardemente mortos por empalamento. O empalhamento, feito para matar esses golfinhos, consiste na introdução de uma haste de metal no ânus do animal, que vai até a altura da medula espinal, onde é espetada. Dessa maneira os golfinhos têm uma morte perversa, brutal e demorada. Eles morrem muito lentamente e conscientes de tudo, absorvendo toda dor que lhe é causada.

Pelas palavras do capitão Paul Watson: Os golfinhos são seres altamente inteligentes, socialmente complexos, extremamente sensíveis, com uma capacidade de comunicação sofisticada e habilidades cognitivas reconhecidas. Eles têm cérebros maiores e mais complexos do que o nosso.

O abate de um golfinho é um assassinato. Estes são seres autoconscientes que nunca prejudicaram os seres humanos e de fato, muitas vidas humanas foram salvas por golfinhos, fato documentado. São seres que têm habilidades linguísticas sofisticadas, altamente sensíveis, e podem sofrer tanto física como emocionalmente. As pessoas que não foram para Taiji ou não viram a matança de golfinhos não têm ideia de como isso é traumático, como emocionalmente é desgastante testemunhar e documentar tal horror. Sim, é fácil julgar quando você não ouve os gritos, ou vê e sente o cheiro do sangue. Os Guardiões da Enseada precisam de apoio, não de condenação. A Sea Shepherd tem membros japoneses, temos tripulantes japoneses, e eles são excepcionalmente corajosos, porque se você levantar a sua voz como um cidadão japonês, no Japão, você literalmente será perseguido, sua família será perseguida.

O que a Sea Shepherd e os Guardiões da Enseada têm realizado?

Em 2003, expomos essa atrocidade para o mundo, levando o vídeo para a CNN e as fotos para as primeiras páginas dos jornais em todo o mundo. Naquele mesmo ano, cortamos as redes e libertamos 15 golfinhos, que morreriam na manhã seguinte. Ric O’Barry, que era um membro da nossa equipe de 2003, em Taiji, deixou o Conselho Consultivo da Sea Shepherd e voltou para Taiji por conta própria, porque ele disse que cortar as redes e libertar os golfinhos era ilegal, e não era o caminho a ser seguido. Ele estava certo, nossa equipe foi presa e multada, e embora nós achamos que a vida de 15 golfinhos valeu este custo, sabíamos que não podíamos continuar a libertar os golfinhos porque não era prático fazer isso.

A organização Blackfish tentou libertar golfinhos alguns anos atrás, mas não conseguiu fazê-lo, com a infeliz consequência de que a segurança aumentou muito em Taiji. Taiji, por estar no Japão e ser fortemente policiada, nos proporciona desafios únicos, e a única estratégia que vimos que tinha uma possibilidade de sucesso foi o programa Guardião da Enseada. Assim, lançamos a Operação Paciência Infinita.

Os Guardiões da Enseada estão em Taiji durante a temporada de caça. A função dos Guardiões é documentar e expor a horrível matança de golfinhos em Taiji durante os seis meses de atrocidade.

(…) A Sea Shepherd não é anti-japonesa. Estamos lutando contra a matança de golfinhos, e ao longo dos anos temos confrontado assassinos de golfinhos no Japão, nos EUA, na Costa Rica, na Venezuela, no Brasil e nas Ilhas Faroé. Nós não discriminamos quem opomos. Vemos o arpão, a faca, o rifle e a rede, não vemos a nacionalidade. Lutamos contra o Sea World, e temos levado assassinos de golfinhos para julgamento no Brasil.” Conteúdo retirado do site: http://seashepherd.org.br/a-importancia-dos-guardioes-da-enseada-estarem-em-taiji/ – matéria publicada em 05 de Setembro de 2013.


Por sua vez, os golfinhos que não se machucaram, se cortaram ou tiveram ferimentos causados por estes criminosos, e que são jovens, são sequestrados e vendidos aos parques aquáticos de todo o mundo (principalmente parques da China, de Dubai e do Japão).

O documentário “The Cove”, ganhador do Oscar de Melhor Documentário em 2010, mostra toda essa matança em Taiji, como os golfinhos são caçados, além de mostrar o destino final daqueles que são sequestrados e vão para parques aquáticos. O documentário tem a participação do Capitão da Sea Shepherd Paul Watson.

The Cove – Vencedor do Oscar de melhor documentário em 2010 – Imagem retirada da internet.

 

Os voluntários das ONGs de proteção ambiental e animal são os únicos que enfrentam a criminalidade e violência do ato praticado, tentando impedir centenas de mortes inocentes desses animais marinhos.

Até quando o Japão e as autoridades competentes ficarão passivas assistindo a todo esse massacre covarde e sem nada fazer?

Infelizmente não sabemos até quando as autoridades responsáveis irão ignorar essa barbárie.

Redes, armadilha e sangue marcam a enseada em Taiji

Os voluntários da Sea Shepherd Brasil, num ato pacífico e educado, foram até o Consulado do Japão em São Paulo para entregar um Ofício de Repúdio à matança de golfinhos em Taiji. Na ocasião, aquelas pessoas que consideramos ser da cultura mais respeitosa e educada do planeta, recusaram-se a receber o ofício mesmo depois de tê-lo lido.

Outubro de 2016 – Consulado do Japão em São Paulo

A carta de repúdio foi lida muitas vezes por funcionários do consulado naquele dia. Após algumas desculpas e mentiras dadas no local, bem como por telefone, finalmente decidiram por não protocolar o ofício.

A recusa feita do recebimento direto ‘em mãos’ de uma carta brasileira, de um grupo de pessoas pacíficas e que fazem parte de um movimento global que repudia a matança e o comércio de golfinhos para parques aquáticos, só nos fez acreditar ainda mais que os japoneses sentem vergonha do que acontece em Taiji. Mas de maneira passiva apoiam uma tradição assassina, porque eles sabem deste horror que acontece todo ano em Taiji e não fazem absolutamente nada a respeito dessa situação para impedir ou mudar essa tragédia que tanto denigre e mancha a imagem e reputação do Japão e seus cidadãos.

Trecho do ofício 01/2016 ISSB/SP enviado em aviso de recebimento ao Consul em São Paulo:

“Nós do Instituto Sea Shepherd Brasil – Guardiões do Mar REPUDIAMOS veementemente a prática desta caça e massacre dos golfinhos cometidos em seu país. Este ato é considerado por nós e pelo resto do mundo como um sinal de arrogância, ignorância, amor pela violência e desrespeito à natureza”.

Ofício de Repúdio enviado por correspondência após recusa da entrega ‘em mãos’

O nobre Capitão Paul Watson formulou, de maneira inteligente e eficaz, estratégias a serem adotadas para acabar com a matança em Taiji. Ele as denominou como “As cinco estratégias de Taiji” que são citadas a seguir:

As cinco estratégias de Taiji

 

‘Gaiatsu’ é a melhor estratégia global neste caso, e que envolve:

 

(1) persistente acompanhamento e documentação das atrocidades cometidas na Enseada, em Taiji;

(2) espalhar internacionalmente o fato, com provas e documentação;

(3) constante exposição e humilhação dos pescadores de Taiji, que envergonha toda a nação do Japão;

(4) uma pressão constante sobre as embaixadas japonesas e consulados em todo o mundo;

(5) uma interminável campanha de pressão externa e um compromisso de nunca se render ou se retratar.

 

Esta quarta estratégia é a mais poderosa, porque mobilizam pessoas de todo o mundo a se envolverem de suas próprias casas. Embaixadas japonesas e consulados gravam todas as chamadas de telefone, e-mail, cartas e petições que recebem. Este é o ativismo ‘gaiatsu’ em sua forma mais poderosa, e eu creio que esta é a chave para envergonhar os bandidos de Taiji e pressionar o governo do Japão a tomar providências.”

Conteúdo retirado do site: http://seashepherd.org.br/a-sea-shepherd-e-taiji/ – matéria publicada em 20 de Janeiro de 2011.

 

Seguimos a estratégia de número (4) “uma pressão constante sobre as embaixadas japonesas e consulados em todo o mundo;” e fomos desprezados pelo Consulado japonês, mas nunca seremos calados, e o objetivo dessa matéria é exatamente esse, mostrar que nada e nem ninguém vai nos calar de dizer a verdade sobre o que acontece em Taiji.

 

Nós da Sea Shepherd Brasil, não vamos consentir com essa atitude, nem vamos nos calar enquanto houver atrocidades acontecendo contra os animais marinhos de forma perversa, covarde, brutal, imoral, e muitas vezes ilegal, porque sempre haverá coragem e atitude da nossa parte para defendê-los! “Dar voz aos que não a têm!”

Não vamos parar de batalhar arduamente para que o mundo tome conhecimento dessa matança de golfinhos em Taiji e jamais iremos nos calar diante desse assunto!

Às autoridades japonesas e a todas as autoridades competentes, que possam intervir neste caso, saibam que aguardamos ansiosamente o dia em que os senhores irão se pronunciar e tomarão PROVIDÊNCIAS URGENTES e IMEDIATAS sobre essas mortes e sequestros para parques aquáticos de golfinhos em Taiji.

Sea Shepherd Brasil integra as manifestações mundiais do “World Love For Dolphins Day”

Mais uma vez, a Sea Shepherd Brasil, através do Núcleo Rio de Janeiro, fez parte do “World Love For Dolphins Day”, uma demonstração mundial na frente dos consulados e embaixadas japonesas em vários países a favor do fim da matança de golfinho que acontece em Taiji, no Japão. A data escolhida é o dia 14 de Fevereiro, quando é comemorado o Dia dos Namorados nos Estados Unidos e em outros lugares, e essa escolha é justamente para mostrar o amor que as pessoas sentem pelos golfinhos.

No Brasil, o final de semana de Carnaval nos fez adiantar a demonstração para o dia 12, pois queríamos que os oficiais consulares nos ouvissem. Depois de uma hora segurando cartazes e conversando com transeuntes, a estratégia se provou efetiva, pois um oficial do Consulado Geral do Rio de Janeiro foi à porta do prédio e tirou fotos dos ativistas.

“Esperamos que essas imagens cheguem ao governo em Tóquio para mostrar que também somos contra a matança anual de golfinhos.” – comenta Luiz André Albuquerque, Diretor Regional do Núcleo RJ.

O intuito de ter uma demonstração acontecendo em várias cidades do mundo ao mesmo tempo é mostrar ao governo japonês que a comunidade internacional repudia a captura e caça de golfinhos selvagens. Cada demonstração é reportada ao governo japonês, que precisa entender que a vida marinha não pertence à nenhuma nação, portanto não deveria ter o direito de se apropriar dos golfinhos que nadam perto de Taiji.

O núcleo RJ contou com a presença de vários voluntários, que vieram de diferentes cidades do Estado, aumentando a presença e a força do movimento. Além disso, a revista NOO, que é uma plataforma de conteúdo multimídia, cobriu a demonstração e vem dando destaque e apoio às ações da Sea Shepherd.

“Durante o processo de captura e caça, muitos golfinhos morrem afogados no sangue dos membros de sua própria família. Além de desnecessária, essa prática é extremamente cruel.” – explica Guilherme “Guiga” Pirá, voluntário da Sea Shepherd e integrante da equipe de Cove Guardians.

Todos os anos, voluntários da Sea Shepherd de várias partes do mundo viajam até o Japão para investigar, documentar, divulgar e se opor à matança de golfinhos que acontece em Taiji. Eles são conhecidos como Cove Guardians, e são os únicos que fazem uma presença constante e diária durante os 6 meses da temporada de caça, custando muito dinheiro às autoridades japonesas.

Essa caça é permitida pelo governo japonês, porém só é viável porque os caçadores recebem milhares de dólares de parques marinhos que possuem golfinhos em cativeiro. Após terem os golfinhos capturados, os caçadores permitem que treinadores desses parques selecionem os animais mais bonitos enquanto o resto da família é morta e processada para consumo humano.

Portanto, quem se opõe à essa prática e quer ver ela acabar tem a obrigação de não frequentar aquários, resorts e parques marinhos com golfinhos em cativeiro, pois o dinheiro arrecadado com a entrada dos visitantes é o mesmo que é entregue aos caçadores em Taiji.

“Japan Dolphins Day 2014” é realizado no Rio de Janeiro

O Núcleo Carioca do Instituto Sea Shepherd Brasil (ISSB) organizou no dia 01 de setembro, um ato pacífico do “Japan Dolphins Day 2014” em defesa dos golfinhos em Taiji, em frente ao Consulado do Japão – Praia do Flamengo.

Participantes do JDD 2014. Foto: Ísis Barboza

O “Japan Dolphins Day” (Dia dos Golfinhos do Japão) é um dia internacional de ação que ocorre no primeiro dia do ínicio da temporada de caça de golfinhos em Taiji, unindo indivíduos, ativistas e organizações, em várias cidades do Planeta, visando dar voz sobre o abate de golfinhos, bem como mostrar a estreita relação entre a atividade de caça e a indústria global de cativeiro, que lucra com a vida destes seres sencientes.

Preparação para o ato em frente ao Consulado do Japão. Foto: Ísis Barboza

A manifestação teve o objetivo de mostrar o repúdio com o que acontece na pequena cidade de Taiji, no Japão, como pode ser visto no filme “The Cove”, vencedor do Oscar 2010 de melhor documentário. Milhares de golfinhos e baleias-piloto são capturados e mortos todos os anos, durante a temporada de caça que dura sete meses (de setembro à março), para abastecer a indústria do entretenimento, pois os animais que estão com uma boa saúde e são considerados os mais bonitos, são aprisionados e enviados para parques aquáticos de todo o mundo, como o SeaWorld, o Marineland, etc.

Pedestre manifesta seu apoio. Foto: Ísis Barboza

Durante todo o tempo, empunhando cartazes com frases contra a atividade de caça, o ato chamou atenção de transeuntes e de funcionários do Consulado. Três frentes de ação buscavam conscientizar as pessoas para não visitarem parques marinhos e a se juntarem na campanha global contra a caça desses animais.

Integrante do Consulado japonês surpreendido com a manifestação. Foto: Ísis Barboza

Integrante do Consulado japonês surpreendido com a manifestação. Foto: Ísis Barboza

Integrante do Consulado japonês surpreendido com a manifestação. Foto: Ísis Barboza

Os “Cove Guardians” (Guardiões da Enseada), ativistas-voluntários da Sea Shepherd de várias nacionalidades, já se encontram na cidade de Taiji, para juntamente com outros ativistas, documentar e mostrar ao mundo o massacre que é cometido pelos caçadores e os treinadores do Dolphin Base e do Dolphin Resort.

É importante notar que a maioria dos japoneses não sabem que a caça de golfinhos ocorre, não comem carne de golfinho e, quando lhes é mostrado o vídeo da caça, eles ficam revoltados com a matança. O “Japan Dolphins Day” insta o governo japonês para pôr fim ao massacre por completo, e trabalha para educar os cidadãos japoneses sobre a caça, os perigos tóxicos associados à ingestão de carne de golfinho, bem como apresenta alternativas financeiras e de emprego para os caçadores, como o turismo de observação de golfinhos. Queremos trabalhar com o povo japonês, e não contra eles, para pôr fim ao abuso horrível.

Não iremos parar até que essa crueldade acabe.

Término do JDD 2014, com o Pão de Açúcar ao fundo. Foto: Ísis Barboza

Assista o vídeo:

[youtube]http://www.youtube.com/watch?v=H9W3V-9ACjA&feature=youtu.be[/youtube]

 

JOGO SUJO DO GOVERNO JAPONÊS PARA ESCONDER A MATANÇA DA VIDA MARINHA

Por Guilherme Pirá, Guardião da Enseada (SSCS Cove Guardian)

O fim da temporada de caça de golfinhos e pequenas baleias em Taiji, no Japão, traz, novamente, aquele alívio de saber que, pelos próximos 06 (seis) meses, esses magníficos e inteligentes mamíferos aquáticos não serão direcionados para sessões de tortura e morte na praia de Hatajiri.

A temporada 2013/2014 da Operação Paciência Infinita (Operation Infinite Patience) trouxe mídia do mundo inteiro para a matança vergonhosa permitida pelo governo japonês. Algumas celebridades, como Sam Simon (Co-criador do seriado “Os Simpsons”) fizeram questão de se juntar aos Guardiões da Enseada da Sea Shepherd (Cove Guardians) para atrair mais atenção para essa questão. Mas, apesar desse foco em Taiji, desde o início da temporada, no dia 1 de Setembro de 2013, o jogo sujo do governo japonês para manter ativistas pacíficos fora de seu território permaneceu disfarçado.

Golfinho sendo jogado em uma prisão temporária, depois de ser selecionado para algum parque marinho. (Sea Shepherd Conservation Society/Cove Guardians)

Corpos de golfinhos sendo arrastados para que a carne seja processada e consumida. (Sea Shepherd Conservation Society/Cove Guardians)

Em uma tentativa de evitar que alguns de nossos ativistas conseguissem capturar imagens da matança e da violenta seleção de golfinhos para parques marinhos, o governo japonês, simplesmente, impediu que alguns voluntários deixassem o aeroporto, mantendo-os sob interrogatório por várias horas, e colocando-os em um avião de volta para casa, deportando-os.

No meu caso, não consegui nem deixar o Brasil para seguir para mais uma temporada, pois minha solicitação de visto aguardou por uma resposta do governo japonês por mais de 02 (dois) meses, quando o prazo informado pelo Consulado Geral do Japão no Rio de Janeiro era de apenas 02 (dois) DIAS !!! Para completar, fui informado que só devolveriam meu passaporte se eu respondesse a um questionário, que perguntava, dentre outras perguntas sem sentido, se eu poderia fornecer informações sobre outros ativistas da Sea Shepherd, mesmo que eu retirasse minha solicitação de visto. No fim, o funcionário do consulado entendeu que eu já conhecia as regras desse jogo, e, contrário à sua vontade, entregou meu passaporte depois de eu ter lhe dado uma carta explicando o porquê de eu não responder ao questionário. Então, eu me pergunto: será que todo turista que pretende visitar o Japão passa por esse longo processo e interrogatório?

Golfinho de risso sendo capturado na enseada de Taiji. (Sea Shepherd Conservation Society/Cove Guardians)

Caçadores durante a captura de golfinhos em águas cheias de sangue na enseada de Taiji. (Sea Shepherd Conservation Society/Cove Guardians)

Nas duas vezes que estive no Japão, viajei como voluntário, não recebendo qualquer remuneração, sem desobedecer as leis locais, utilizando visto de turista, e não fiz nada diferente de outros turistas. Apenas tirei fotos, filmei e visitei lugares. Por outro lado, a polícia não me tratava como um turista, apesar do meu visto e do meu comportamento. Eles me filmavam e me vigiavam 24 (vinte e quatro) horas por dia, assim como faziam aos meus companheiros defensores dos oceanos. Apesar de diversas conversas em inglês com autoridades japonesas, quando eram questionados sobre esse tratamento diferenciado que recebíamos, eles sempre fugiam do assunto, chegando ao ponto de dizer que não sabiam falar inglês direito, e por isso não poderiam nos  responder. De qualquer maneira, o que mais se ouvia falar era que a matança de golfinhos era uma tradição, e por isso eles nunca iriam parar com essa prática. Em todos os lugares que eu visitei, dentro e fora do Brasil, quando a população local tinha uma tradição, adoravam que os visitantes tirassem fotos como lembrança e divulgação de uma cultura diferente. Então, se a matança de golfinhos e pequenas baleias em Taiji é uma tradição tão forte, quanto os cidadãos locais e o governo japonês dizem, por que evitar que as pessoas tirem fotos e divulguem-nas? Em minha opinião, existem duas respostas que levam para o mesmo caminho:

1) A matança é uma prova de que algo tão cruel ainda existe na sociedade do século XXI, deixando animais tão sencientes quanto nós agonizando e morrendo afogados no próprio sangue, enquanto a água da praia se transforma num vermelho triste, e isso mostra a exploração desenfreada que o Japão faz nos oceanos;

2) O trabalho diário dos Guardiões da Enseada para monitorar quantos golfinhos são capturados, vendidos para parques e mortos para consumo humano mostra que, em 4 (quatro) anos de campanha, existe uma queda nesses números, e a quota não é atingida. Isso pode provar que o trabalho da Sea Shepherd em Taiji tem trazido resultados muito positivos, apesar do número de golfinhos nadando livres nos oceanos estar diminuindo rapidamente. No final, isso também revela a exploração desenfreada que o Japão faz nos oceanos.

Abordagem policial para indicar que o lugar em que paramos nosso carro se tornou um local proibido para nós, pois caçadores e outras pessoas, incluindo turistas, ainda poderiam ali estacionar. (Sea Shepherd Conservation Society/Cove Guardians)

Policial tenta impedir a filmagem da caixa, cheia de carne de golfinhos, recém-comprada pelo comerciante da região (de boné azul). (Sea Shepherd Conservation Society/Cove Guardians)

Bote da guarda costeira japonesa me interrogando, enquanto eu procurava por uma posição melhor para fotografar a matança. (Sea Shepherd Conservation Society/Cove Guardians)

Com um histórico de exterminador de espécies, essa exploração permitida pelo governo japonês precisa parar, antes que ela coloque um fim em mais uma peça fundamental para a sobrevivência de ecossistemas marinhos, manchando a imagem de seu povo inteiro, que tem sido pintado com a mesma tinta que os caçadores de golfinhos, apesar das gritantes diferenças entre ambos. E antes de sermos considerados racistas, vale perceber que lutamos, também, contra caçadores de focas no Canadá e na Namíbia, contra pescadores ilegais em Galápagos, no Senegal e no Mar Mediterrâneo, contra assassinos de golfinhos e pequenas baleias nas Ilhas Faroé, contra o governo da Austrália Ocidental que mata tubarões inocentes, e contra molestadores de baleias em enseadas brasileiras. Não é uma questão de preconceito, mas de preocupação com os oceanos e a vida que eles abrigam, afinal estamos prontos para defender, conservar e proteger.

INSTITUTO SEA SHEPHERD BRASIL PARTICIPA DO “WORLD LOVE FOR DOLPHINS DAY” EM DEFESA DOS GOLFINHOS DE TAIJI.

Foi comemorado, no dia 14 de fevereiro, o Dia de São Valentim, que é considerado o Dia dos Namorados, em muitos países, e esta foi a data que a Sea Shepherd Global escolheu para celebrar o amor e mostrar ao Japão, o sentimento que as pessoas têm pelos golfinhos, que infelizmente são brutalmente assassinados todos os anos, em Taiji.

Através da liderança da Sea Shepherd USA que organizou manifestações em frente à embaixada do Japão em Washington e em consulados japoneses ao redor dos Estados Unidos, outras sedes internacionais da Sea Shepherd participaram deste evento simultâneo em seus respectivos países.

Em Nova Iorque, o Capitão Paul Watson, fundador da Sea Shepherd esteve presente na manifestação que contou com dezenas de simpatizantes. Na cidade de Los Angeles, mais de 100 ativistas compareceram ao evento, que contou com a presença de diversos atores, atrizes e personalidades como Sam Simon, Shannen Doherty e Holly Marie Combs.  Shannen, inclusive, tornou-se a mais nova integrante da família Sea Shepherd.

Nova Iorque - Capitão Paul Watson (centro)

Los Angeles - Sam Simon (centro com cartaz)

Los Angeles - Holly Marie Combs (esq) e Shannen Doherty (dir)

No Brasil, os núcleos Rio de Janeiro e São Paulo do ISSB realizaram demonstrações pacíficas em frente aos consulados do Japão, empunhando cartazes, faixas e bandeiras da organização, além de golfinhos infláveis, que chamaram a atenção dos pedestres.

Rio de Janeiro – Praia do Flamengo em frente ao Consulado do Japão

Rio de Janeiro – Consulado do Japão

Muitas pessoas ficaram chocadas ao saberem da matança anual de golfinhos em Taiji e mais surpresas ainda, com a estreita ligação entre esta crueldade e a indústria de parques marinhos com shows de golfinhos, como o Sea World (EUA), que em cativeiro passam fome para que se aproximem dos turistas que os alimentam, tristeza profunda pela separação de suas famílias (necessitando tomar remédios antidepressivos), alimentação pobre em nutrientes, etc, além do alerta da toxicidade da carne de golfinhos, que contém grande quantidade de metais pesados, como mercúrio e chumbo, que causa diversos problemas de saúde na população japonesa.

No Rio de Janeiro, funcionários do Consulado apareceram para registrar com fotos a manifestação, e em São Paulo, a coordenadora do Núcleo SP, Claudia Hallage e o voluntário Marcello, foram recebidos por membros do consulado que foram extremamente compreensivos e atenciosos diante as reivindicações pelo fim da caça anual, que chega a matar e/ou capturar cerca de 2 mil golfinhos.

São Paulo – Consulado do Japão

São Paulo – Consulado do Japão

Os atos pacíficos foram um sucesso e a mensagem ao Governo Japonês foi passada de forma correta: sem ódio, preconceito, mas com indignação pela matança brutal que ocorre todos os anos.

O ISSB agradece a todos que compareceram aos atos no Rio de Janeiro e em São Paulo para defender a vida dos golfinhos de Taiji. Vitórias e mudanças decorrem de atitudes e cada um dos presentes fez sua parte com louvor.

Em 2003, a Sea Shepherd expôs pela primeira vez este massacre brutal e desde 2010 mantém uma equipe de ativistas voluntários – “os Cove Guardians ou Guardiões da Enseada” – na cidade de Taiji para documentar e expor a horrível matança de golfinhos ao mundo

JAPÃO, O MUNDO LHE OBSERVA E NÃO VAMOS PARAR ATÉ QUE ESTA MATANÇA ACABE !!!

Leia também: Uma face triste dos parques marinhos, por Guilherme Pirá, Cove Guardian brasileiro – http://seashepherd.org.br/uma-face-triste-dos-parques-marinhos/