Editorial

Protegendo o polvo gigante do Pacífico

A questão da Lei versus Ética em proteger os nossos oceanos

Comentário por Suzanne West, Coordenadora de Departamento da Sea Shepherd Seattle

Polvo Gigante do Pacífico

Como moradora da região de Seattle, eu desenvolvi uma grande estima pelas águas do Puget Sound. Muitos turistas visitam a nossa região para experimentar a grande diversidade de nossa paisagem e uma variedade de atrações turísticas, mas alguns dos melhores pontos turísticos podem ser encontrados debaixo d’água. Há uma longa e rica história do mergulho aqui na região, e há muitos locais populares para a comunidade local de mergulho. Recentemente, ocorreu um incidente em um ponto de mergulho que criou uma chamada à ação para proteger o polvo gigante do Pacífico, classificando a área como uma nova Área Marinha Protegida.

Como algo saído de um filme de terror, uma cena se desenrolou na Enseada 2 da praia Alki, no Halloween. Testemunhas viram um mergulhador arrastando um polvo gigante do Pacífico para fora da água. O mergulhador, identificado como Dylan Mayer, foi visto socando o polvo. Um artigo no jornal Seattle Times citou Mayer (19 anos) relatando que ele não tinha escolha, já que o polvo tinha envolvido seus tentáculos ao redor de sua máscara, boca, nariz e ele não conseguia respirar. Ele disse que era extremamente agressivo e “não gostava de pessoas, o que me levou a acreditar que era novo na área e não um dos animais habituais da região, com os quais eu não mexo.”

Os Polvos Gigantes do Pacífico são uma atração popular para mergulhadores no Puget Sound. Enquanto Mayer afirmou à imprensa que ele não tinha ideia de que o popular local de mergulho havia sido informalmente considerado como um parque, ou que as pessoas ficariam chateadas pela caça ao polvo, acredito que seus comentários acima contradizem essa posição. Se ele soubesse que alguns polvos na área são considerados “habituais”, então por que ele iria se surpreender com o clamor público, quando ele foi visto batendo e matando um deles?

Ainda mais chocante é que o que aconteceu na Enseada Aiki 2 foi legal. Mayer tinha uma licença válida para caçar este polvo, mas ele se viu no meio de uma controvérsia. Imagens de sua página pessoal do Facebook, mostrando-o chutando um porco-espinho, e outras fotografias relacionadas a animais, o difamaram ainda mais. Do outro lado do Pacífico, horrores ocorrer em outro lugar que o mundo veio a conhecer como “A Enseada”, e que também é perfeitamente legal. Ironicamente, o que aconteceu neste Halloween na Enseada Alki 2 também pode ser considerado uma caça direcionada. O Seattle Times relatou que “o caçador bateu duas hastes de metal juntas debaixo d’água para irritar o polvo e atraí-lo para fora de sua toca. É perfeitamente legal irritar esses animais com o som”. Mais uma vez, me vejo questionando a posição de Mayer de que este polvo foi “agressivo e não gostava de pessoas.” Talvez ele simplesmente não gostasse de ser atraído para fora da segurança de sua casa.

Enquanto os Guardiões da Enseada em Taiji trabalham incansavelmente para compartilhar o sofrimento dos golfinhos com o mundo e manter a pressão sobre o Japão para acabar com a matança, a mudança dessa caça e a proteção para os golfinhos devem vir de seu governo. Mudanças para a proteção dos polvos gigantes do Pacífico e outras espécies amadas na Enseada 2 também devem vir do governo. Com o apoio do público, criar uma Área Marinha Protegida na Enseada 2, parece possível aqui nos Estados Unidos.

A Família Keffler, proprietários da Underwater Sports, a principal loja de equipamentos de mergulho de Seattle, e seus funcionários, fizeram uma declaração pública em sua página no Facebook sobre o incidente na Enseada 2:

“Embora o que aconteceu na Enseada 2 tenha sido perfeitamente legal, nós sentimos que foi eticamente condenável. A Enseada Alki 2 é um local bem conhecido para o famoso polvo gigante do Pacífico, que muitos mergulhadores consideram ser uma espécie sagrada dentro de nossa comunidade. Como tal, neste momento sentimos nossas energias e recursos são melhor servidos por proteger essas criaturas preciosas e/ou seus habitats locais. O importante é que precisamos unir nossos esforços para proteger essas criaturas maravilhosas. Em primeiro lugar, precisamos desenvolver uma estratégia para estabelecer um método de proteção e conservação para o Polvo Gigante do Pacífico em nossa região. Em seguida, é fundamental que continuemos a educar os mergulhadores dentro da nossa comunidade, bem como o público em geral, sobre o delicado ecossistema que é o Puget Sound. “

Se você é um residente local, mergulhador, ou turista em potencial, e/ou alguém que vê valor em proteger a vida marinha, todos nós temos uma participação em proteger esta pequena enseada para as gerações futuras. Um pedaço do oceano por vez, se for preciso … o tempo está se esgotando para muitas espécies e os nossos oceanos estão em perigo. Como Capitão Watson diz: “Se os oceanos morrerem, nós morremos.” Junte a sua voz com aqueles aqui em Seattle e nos ajude a proteger algumas dessas criaturas estranhas e curiosas das profundezas.

O Departamento da Sea Shepherd em Seattle teve o apoio da maravilhosa comunidade de mergulho, da Família Keffler e da Dive Network News. Junte-se a nós e assine a petição criada pela Dive Network News.

O link para a petição pode ser encontrado em: www.divenewsnetwork.com/index.php/newsevents/divingnews/dnnonlineexclusive/167-nwonlineexclusive/1184-save-the-gpo (em inglês)

A decisão final caberá à Comissão de Pesca e Vida Selvagem do Estado de Washington. Se você deseja entrar em contato com seus escritórios, por favor ligue, escreva ou envie e-mail as seguintes pessoas ou departamentos:

Phil Anderson – Diretor da Comissão de Pesca e Vida Selvagem do Estado de Washington
director@dfw.wa.gov (360) 902-2200

Escritório de Programas de Habitat
habitatprogram@dfw.wa.gov (360) 902-2534

Comissão de Pesca e Vida Selvagem do Estado de Washington
commission@dfw.wa.gov (360) 902-2267

Respeitosamente, indique seu desejo de ver a Enseada 2 classificado como Área Marinha Protegida.

Traduzido por Flávia Silva, voluntária do Instituto Sea Shepherd Brasil

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