Editorial

Guardiões da Enseada – Atualização da situação: a verdade é mais estranha do que ficção

É cedo na manhã de 13 de março em Taiji e as coisas estão calmas. Ninguém foi preso, e este é o problema.

Os eventos de ontem seriam difíceis de acreditar se não tivessem sido filmados. Uma multidão de delinquentes irritados enfrentou a polícia e controlou a situação.

A ironia não está perdida por aqui. Nós apreciamos o fato de a polícia ter se colocado em perigo para proteger os Guardiões da Enseada. Os cinco Guardiões envolvidos estão particularmente agradecidos. Nós não somos os camaradas mais simpáticos em Taiji, mas a polícia tem o dever de reforçar as leis e manter a paz mesmo com as discordâncias e o perigo.

Nós não nos sujamos com a explosão dos nacionalistas. Sim, suas ações foram ilegais e violentas e nós não aceitamos. Apreciamos o fato de de eles serem violentos, frenéticos e o comportamento raivoso nos prova que as táticas da Sea Shepherd em Taiji e no Oceano Antártico estão causando impacto.

Não estamos apenas reduzindo o número de baleias e golfinhos que estão sendo mortos, estamos expondo com sucesso a vergonha do governo japonês que sustenta tais atrocidades. Os nacionalistas estão apenas reagindo à sua vergonha.

Os nacionalista japoneses são vândalos racistas no sentido mais puro. O povo gosta de acusar os Guardiões da Enseada de racistas, mas não é verdade. A falha das autoridades japonesas em não prender os nacionalistas indica o apoio do governo ao racismo.

Um outro exemplo é naturalmente a saga de Erwin Vermeulen. Ele é o holandês que foi preso em Taiji, sem evidências, sob falsas acusações.

Erwin passou 64 dias na cadeia e teve que defender a si mesmo em um tribunal. Seu ato alegado não era, de forma alguma, próximo de ser tão violento e agressivo como os atos exibidos ontem (capturados no vídeo) pelos nacionalista para com os Guardiões da Enseada.

Os Guardiões da Enseada certamente fotografaram os assassinos de golfinhos e deixaram-os incomodados durante o processo. Nós não corremos ou cuspimos nos assassinos. Nós não os tratamos mal.

Nós entendemos que os nacionalistas filmados perseguindo a polícia e os Guardiões da Enseada até a estação de polícia de Kushimoto estavam tendo uma “conversinha” com a polícia, e depois foram mandados embora. Nenhuma prisão foi efetuada. Mais voluntários irão se juntar aos Guardiões da Enseada depois desta falha da polícia, assim como a falha da polícia em investigar apropriadamente as alegações contra Erwin trouxe mais voluntários à Taiji.

A falha da polícia em não prender qualquer um desses nacionalistas violentos, somente os encoraja e aos que são da sua laia. Nós podemos esperar por mais violência direta contra os Guardiões da Enseada. Se qualquer um for ferido, a responsabilidade cairá sobre a falha das autoridades por aceitar o comportamento criminal dos nacionalistas.

Nós sabíamos que, documentando as atrocidades cometidas contra os golfinhos em Taiji, não estaríamos longe do perigo. Servir como um Guardião da Enseada tem seu preço financeiro e emocional. Nós já vimos que podemos ser presos sem mérito. Também vimos que a violência pode vir diretamente à nós.

Nós sabemos que a lei é aplicada desigualmente mesmo quando a violência está em progresso. Mas nós não sairemos daqui antes que o massacre tenha terminado.

Se alguém quiser se voluntariar para fazer parte da equipe Sea shepherd na Antártica, esta pessoa deve estar preparada para morrer por uma baleia. E agora, parece que os Guardiões da Enseada devem estar preparados para arriscar suas vidas por um golfinho.

Se você tem interesse em juntar-se aos Guardiões da Enseada, escreva para: coveguardian@seashepherd.org.br.

Scott West

Guardião da Enseada e Coordenador da Campanha
Sea Shepherd Conservation Society

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Vídeo: Guardiões Cove são escoltados até a delegacia de Kushimoto, após um encontro com nacionalistas japoneses

Traduzido por Aline Louali, Diretora de Vídeos e Tradutora Voluntária do Instituto Sea Shepherd Brasil

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