Diretor de “The Cove” considera “tragédia” pesca de golfinhos no Brasil

MAURÍCIO KANNO
DE SÃO PAULO

Sea Shepherd Brasil busca Condenação dos Culpados pelo Massacre de 83 Golfinhos em Macapá (AP)

Sea Shepherd Brasil busca Condenação dos Culpados pelo Massacre de 83 Golfinhos em Macapá (AP)

O norte-americano Louie Psihoyos, diretor do filme ganhador do Oscar “The Cove”, considera a pesca de golfinhos no Brasil uma “tragédia de grandes proporções”.

Filme “The Cove” tem 1ª exibição autorizada no Brasil

O documentário denuncia o massacre de golfinhos em Taiji, cidade costeira do Japão. Mas o Brasil também tem experiências do gênero. O caso mais recente revelado no país é a matança de 83 desses animais no Amapá em 2007, denunciado pela ONG Instituto Sea Shepherd Brasil.

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Diretor do filme "The Cove", que denuncia matança de golfinhos no Japão, se alarma com pesca ilegal deles no Brasil
Diretor do filme “The Cove”, que denuncia matança de golfinhos no Japão, se alarma com pesca ilegal deles no Brasil

Os animais foram repassados a um navio de pesca em alto mar para ser usados como isca de tubarão, como admitiu o dono das embarcações em audiência em abril, afirma Cristiano Pacheco, diretor jurídico do instituto. “Conseguimos, por ordem judicial, apreender as duas embarcações do réu.”

Além desse caso, o ambientalista José Truda Palazzo, membro do Centro de Conservação Cetácea e representante do Brasil na Comissão Internacional da Baleia até 2009, cita “matanças de tucuxis [botos-cinzas] na costa norte, botos-vermelhos na Amazônia e o desaparecimento iminente da toninha no Sul do país”.

O diretor Psihoyos ironiza: “Dois anos atrás, golfinhos de água doce da China foram declarados extintos, e o Brasil pode ter a honra de assistir a outra extinção de espécies”.

Ocorre que, apesar de o Brasil ter uma “legislação de vanguarda” na proteção aos golfinhos, há uma “absoluta falta de fiscalização”, afirma o ex-comissário Palazzo. A Lei Federal de Cetáceos (7.643/97) proíbe tanto a captura como a perturbação deles — o que inclui baleias e golfinhos.

O diretor considera que o Brasil, onde “já esteve várias vezes”, é “um dos mais bonitos e complexos ecossistemas do mundo”, mas “corre o risco de se tornar uma gigantesca fazenda corporativa”.

SEM FILME NO BRASIL

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Imagem do filme "The Cove - A Baía da Vergonha"; que estreou no Japão em julho, ainda fora do circuito brasileiro
Imagem do filme “The Cove – A Baía da Vergonha”; que estreou no Japão em julho, ainda fora do circuito brasileiro

O filme “The Cove” ainda não estreou em cinemas do Brasil ou América Latina, nem apareceu em festivais da região, apesar de a primeira exibição do filme em festival ter acontecido em abril de 2009 nos Estados Unidos. A obra também passou por Turquia e Eslovênia e estreou nos cinemas do Japão, em julho último, apesar da resistência de conservadores.

“Suponho que nenhum distribuidor no Brasil considere que este filme, que ganhou mais de 75 prêmios pelo mundo, seja de interesse para seu país”, declara Louie Psihoyos. “Não fomos convidados por nenhum festival de cinema aprovado por nosso distribuidor. Mas adoraríamos exibir o filme aí. Seria um lugar perfeito!”.

Carl Clifton, diretor da distribuidora do filme, The Works Internacional, aponta apenas que “documentários, com raras exceções, tendem a enfrentar dificuldades para vender ou se estabelecer na região”.

“EMBAIXADORES”

O diretor de “The Cove” nutre uma admiração especial pelos golfinhos. “Eles têm cérebros bem maiores que os nossos”, lembra Psihoyos. São também “os únicos animais selvagens conhecidos que resgatam humanos”.

Mas o ex-comissário Palazzo afirma que “os cetáceos acabam sendo os ‘embaixadores’ do mar para que possamos perceber os problemas de conservação marinha como um todo”.

“Quando se fala em direito à vida”, não faz sentido excluir alguns por não serem por não serem ‘fofos'”, argumenta Cristiano Pacheco. “A tendência é que aos poucos, vencendo paradigmas culturais e educacionais de nosso século, cada ser vivo passe a ser visto por seu valor em si, e não apenas para o ecossistema em que vivem.”

O próprio cineasta Psihoyos afirma não comer “animais que andam” há décadas. “Queremos começar um movimento para salvar o mundo natural da destruição humana”, diz ele.

Fonte:http://www1.folha.uol.com.br/ambiente/780745-diretor-de-the-cove-considera-tragedia-pesca-de-golfinhos-no-brasil.shtml

Morte nas Ilhas Ferozes: Sea Shepherd sob escolta da marinha Dinamarquesa

danishO que pode ser mais horrível do que o assassinato sem sentido e cruel de lindos e inteligentes golfinhos em Taiji, Japão?

O filme The Cove, vencedor do prêmio da academia, trouxe a atenção internacional para a sangrenta carnificina de golfinhos, gritando em piscinas de seu próprio sangue enquanto os japoneses os fincavam com lanças nas profundezas da enseada.

O que pode ser mais obscenamente monstruoso do que o lamentável grito de golfinhos assassinados sem pena por dinheiro?

Há algo ainda pior, muito maisnews_100818_1_5_Death_in_the_Ferocious_Isles_Sea_Shepherd_under_Escort_001_3128 cruel e desperdiçador, e acontece na Europa.

O navio secreto da Sea Shepherd Conservation Society, o Golfo Azzurro, está no momento sendo escoltado pela marinha Dinamarquesa depois de um mês de operações secretas de fiscalização no Protetorado Dinamarquês das Ilhas Faroé.

É nessas ilhas, entre a Escócia e a Islândia, que o assassinato de populações inteiras de baleias pilotos acontece. Não por lucro, mas por que é considerado pelos nativos das ilhas divertido matá-las.

Eles comem um pouco da carne, mas ela é tão contaminada com mercúrio que as crianças das ilhas têm níveis de mercúrio em seu corpo mais altos que qualquer outra pessoa no planeta. Mas a grande maioria das baleias são mortas e despejadas no oceano, e a Sea Shepherd foi capaz de assegurar evidencias deste desperdício.

As imagens são um verdadeiro pesadelo, com fetos sendo tirados dos corpos de suas mães, corpos mutilados com clavas, facas e lanças enquanto os nativos levam as indefesas baleias para as praias rochosas e matam todas, exterminando populações inteiras.

Policiais dinamarqueses no Golfo Azurro

Policiais dinamarqueses no Golfo Azurro

Em Taiji, experientes pescadores fazem a matança, mas em Faroé, até as crianças são encorajadas por adultos para fincarem e cortarem as baleias até a morte; muitos desses homens estão bêbados e rindo, no que eles consideram ser uma tradicional festa de assassinatos.

A matança é uma violação da Convenção de Berne da qual a Dinamarca é uma signatária, mas a Dinamarca reivindica que os habitantes de Faroé não estão sujeitos à lei como um protetorado apesar de receberem todos os benefícios da União Européia.

A Sea Shepherd, em uma parceria com a Fundação Brigitte Bardot, trabalhou mais cedo esse ano com uma operação secreta em solo e continua a trabalhar no mar a bordo do Golfo Azzurro para expor a matança e investigar maneiras de defender as baleias piloto dos viciosos e letais assaltos pelos nativos das ilhas Faroé.

news_100818_1_2_Death-in-the-Ferocious-Isles-helicopter-7634Nesta terça-feira, 17, o abrigo do Golfo Azzurro foi comprometido, e o navio foi embarcado e vasculhado pela policia. A embarcação foi liberada, pois nenhuma lei foi quebrada, e está agora sendo escoltada pela marinha Dinamarquesa.

Os membros da tripulação da Sea Shepherd continuam a sua patrulha, mas dessa vez sob os olhos e armas da marinha Dinamarquesa.

Traduzido por Tomaz Horn, voluntário do ISSB

Brigitte Bardot apela à Dinamarca contra massacre de golfinhos nas ilhas Faroe

A ativista dos direitos dos animais  Brigitte Bardot e o grupo de defesa da vida marinha Sea Shepherd apelaram, esta quinta-feira (19), à soberania da Dinamarca para suspender o massacre anual de golfinhos nas Ilhas Faroe, território autônomo dinamarquês no Atlântico Norte.

Segundo os ambientalistas, centenas de baleias-piloto, que apesar do nome são da família dos golfinhos, são perseguidas até a praia, onde são mortas a golpes de faca até a morte em um sangrento ritual de verão.

“Este espetáculo macabro é uma vergonha para a Dinamarca e as Ilhas Faroe”, disseram em carta destinada à rainha Margrethe II.

“Não é só uma caçada, mas um abate em massa”, de acordo com uma versão em francês do texto, que condenou uma “tradição antiquada que não tem aceitação justificável no mundo de hoje”.

Christophe Marie, da Fundação Brigitte Bardot, que defende os direitos dos animais, disse que os ativistas têm monitorado há três semanas a matança de golfinhos – um evento que remonta há milhares de anos – a bordo de um navio.

“A matança de golfinhos foi originalmente concebida para dar alimento às pessoas”, explicou Marie à AFP, por telefone.

“Mas este não é mais o caso. Ontem, nós encontramos um cemitério de baleias-piloto nas águas de um fiorde. Eram todas carcaças e foram, simplesmente, descartadas”, acrescentou.

A Fundação Bardot e a Sea Shepherd acusaram a Dinamarca.

Mesmo que o país escandinavo sustente que o arquipélago das Faroe, situado entre a Escócia e a Islândia, é um território autônomo, sua Marinha ainda controla a zona de pesca das ilhas e protege os barcos que conduzem os golfinhos para a costa, afirmaram.

Em Torshavn, a principal cidade das Faroe, Kate Sanderson, oficial do Ministério das Relações Exteriores, especializada em cetáceos e educada na Austrália, disse que a descrição na carta era “infundada” e não continha “nada novo”.

“É uma caçada, como qualquer outra caçada; é selvagem e pode parecer desumana. Mas as pessoas que protestam contra o fato de que estes mamíferos estão sendo mortos com facas nunca estiveram em um abatedouro”, alfinetou Sanderson.

Fonte: Terra

Pescadores retiram barbatanas de tubarões e descartam resto do peixe

Fonte: Jornal Hoje

UntitledNo ano passado, seis pessoas morreram vítimas de ataques pelo animal em todo o mundo. No mesmo período, barcos pesqueiros capturaram milhões de tubarões.

Fabiano Villela Belém, PA

O mais temido predador dos mares, agoniza… Imagens feitas pela ONG Sea Shepherd (Pastores do Mar) mostram centenas de tubarões morrendo, vítimas do comércio milionário de barbatanas.

Nem os inofensivos tubarões baleia escapam. Os pescadores cortam as nadadeiras e jogam o resto no mar, como se fosse lixo. Mutilado, o animal, não tem chance de sobreviver. Os pescadores alegam que não compensa armazenar o peixe.

“Se pescador tem um barco com capacidade, por exemplo, para duas toneladas, de forma criminosa, ele acaba entendendo que é muito melhor carregar duas toneladas de barbatana do que o tubarão inteiro. O resto do tubarão tem em média o preço de R$ 3 ou R$ 4 na venda, enquanto a barbatana chega a R$ 78 ou R$ 88”, explica Leandro Aranha, chefe da divisão de fauna e pesca, Ibama-PA.

Os maiores compradores são os chineses. Eles chegam a pagar mais de US$ 100 por uma sopa. A barbatana não tem gosto. O sabor depende do tempero caprichado de cada cozinheiro, mas os orientais acreditam que elas têm poderes afrodisíacos. O prato virou um símbolo de status.

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No Brasil, o Ibama só autoriza o comércio de barbatanas se o pescador trouxer junto o resto do tubarão, mas a pesca ilegal tem aumentado bastante.

No Pará, o Ibama investigou as três maiores empresas exportadoras de barbatanas, e descobriu que uma delas vendeu 75% a mais do que o permitido. O Ibama multou a Sigel do Brasil em R$ 200 mil. No armazém da empresa, em Belém, os fiscais encontram três toneladas de barbatanas e nenhuma carcaça de tubarão.

Com base nessa denúncia, a ONG Instituto Justiça Ambiental entrou com uma ação civil pública contra a Sigel pedindo uma indenização de R$ 1,380 bilhão. “A gente espera um efeito pedagógico que iniba outras de fazer essa captura ilegal de tubarões e isso a gente vai descobrir no transcorrer desse processo. Retirar esses animais de uma forma bruta como está sendo feita obviamente vai colapsar todas as cadeias alimentares que estão abaixo, e é isso que a gente está preocupado”, afirma Cristiano Pacheco, advogado da ONG Instituto Justiça Ambiental.

Pelas contas do instituto, as 21 toneladas de barbatanas exportadas pela Sigel e as três toneladas apreendidas pelo Ibama representam a matança de 280 mil tubarões em pouco mais de um ano.

A empresa Sigel do Brasil foi procurada pela nossa reportagem mas não quis comentar o caso. Segundo o biólogo canadense Rob Stewart, autor do documentário Sharkwater, só no ano passado os barcos de pesca capturaram mais de 150 milhões de tubarões.

Clique aqui e conheça o trabalho da ONG Sea Shepherd e da Shark Water.

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Ilhas Faroé: operação secreta da Sea Shepherd expõe massacre em massa de cetáceos

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No dia 19 de Julho de 2010 um grupo de 236 baleias-piloto foram assassinadas sem piedade na cidade de Klaksvik, nas Ilhas Faroé, uma nação constituinte do Reino da Dinamarca. A Sea Shepherd conseguiu documentar o massacre através dos esforços de um ativista que viveu entre os moradores locais disfarçado para conseguir as imagens do massacre, chamado pelos locais de “a trituração”, que envolve encurralar grupos de cetáceos em uma enseada e cortar a coluna vertebral dos animais com uma faca.

Peter Hammarstedt, o agente secreto da Sea Shepherd e primeiro oficial do navio Bob Barker da Sea Shepherd, estava vivendo clandestinamente entre os ferozes moradores locais por mais de uma semana, quando ouviu pelo rádio informações sobre o massacre acontecendo em Klaksvik. Imediatamente ele foi de carro para o local do crime. Sem condições nenhuma de impedir o massacre, Hammarstedt documentou o sanguinolento processo.

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“Baleias piloto são conhecidas por andar em gruposs de 200-300 membros. Duzentas e trinta e seis baleias piloto foram massacradas na noite passada em Klaksvik: adultas, prenhas, amamentantes, juvenis e fetos, ainda ligados umbilicalmente com as mães. Um grupo inteiro que antes nadava livremente nas águas do Atlântico Norte foi exterminado em um banho de sangue coletivo”, disse Hammarstedt.

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O governo das Ilhas Faroé alega que a morte destas baleias é rápida e indolor, mas as novas imagens mostradas provam o contrário.
“Uma das baleias teve 5 ou 6 golpes brutais à faca na cabeça”, relata Hammarstedt. “Os moradores locais simplesmente usaram esta baleia como apoio. A morte dela foi lenta e extremamente dolorosa. Algumas baleias são atacadas repetitivamente por até 4 minutos antes de finalmente morrerem.”

O massacre como um todo é indiscriminado e cruel.

“Bebês foram arrancados de dentro dos corpos cortados de suas mães e deixados para apodrecer no píer”, diz Hammarstedt, que fotografou vários filhotes e fetos mortos. “Baleias piloto são grupos extremamente maternais. Não consigo imaginar o medo e pânico destas mães enquanto seus filhotes eram arrancados de perto delas.”

O massacre das baleias piloto em Faroé é similar ao massacre de golfinhos em Taiji no Japão, como mostrado do documentário The Cove. A diferença principal é que existe no mínimo 18 enseadas nas Ilhas Faroé, onde este massacre acontece, tornando extremamente difícil conseguir saber onde o massacre ocorrerá para se tentar impedir.

Baleias piloto são classificadas como “estritamamente protegidas” pela Convenção Européia de Conservação da Vida Selvagem. Permitindo este massacre nas Ilhas Faroé, a Dinamarca falha nas suas obrigações como signatária desta convenção.

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Peter Hammarstedt

Para conseguir acesso ao local do massacre, Hammarstedt se disfarçou como um estudante suíço de cinema. Mesmo tendo tomado várias precauções para esconder sua identidade, ele foi reconhecido por vários dos caçadores, em função do seriado de televisão Whale Wars – Defensores de Baleias, do Animal Planet. Aparentemente mesmo nas Ilhas Faroé as intervenções da Sea Shepherd em prol das baleias na Antártida já foram ouvidas.

Quando os matadores das baleias começaram a seguir à pé Hammarstedt, ele rapidamente escapou para seu carro e saiu do local, enviando pela internet as imagens para garantir a sua divulgação. Com sua identidade descoberta, ele começou a receber ameaças em menos de uma hora e foi instruído pelo comando da Sea Shepherd a deixar o país imediatamente.

Apesar de revistado e interrogado pela polícia no aeroporto, Hammarstedt confirmou que já saiu das Ilhas Faroé.

A Sea Shepherd Conservation Society tem se oposto ativamente e confrontado os massacres nas Ilhas Faroé desde 1985, e continua até hoje como um dos maiores defensores da causa das baleias.

Traduzido por Raquel Soldera, voluntária do ISSB.