Morte e sofrimento brutais: a atividade de sempre nas Ilhas Faroé

Comentário por Erwin Vermeulen

No dia 13 de agosto, 135 baleias-piloto de nadadeiras longas foram brutalmente massacradas em Husavik. Foto cedida: www.facebook.com

As últimas semanas têm sido extremamente sangrentas nas “Ilhas Ferozes”, mesmo para os padrões das Ilhas Faroé. Em 8 de agosto, 107 baleias-piloto de nadadeiras longas foram abatidas em Sandavágur. Em 11 de agosto, 21 foram assassinadas em Leynar, e no dia 13, 135 perderam suas vidas em Húsavík.

O ritual brutal de matança, conhecido como grind, ou adrap, é registrado historicamente desde 1584. Há 23 baías atribuídas a seis distritos em que a carne e gordura das baleias são divididas entre a população. O ritual é iniciado quando os pescadores ou balsas no mar avistam golfinhos. Os golfinhos são empurrados para uma baía, com barcos e até jet skis, e puxados para a praia com um gancho em seu respiradouro. Em seguida, a medula espinhal é cortado com uma faca.

O massacre em Húsavík no dia 13 de agosto não foi o único que ocorreu naquele dia. Em Hvalba, o incrível número de 430 golfinhos-de-laterais-brancas-do-atlântico foram levados para a “baía das baleias” e brutalmente assassinados. Algumas pessoas podem se surpreender ao saber que estes habitantes das ilhas têm como alvo outras espécies de baleias-piloto, mas sempre caçam golfinhos menores, especialmente em Hvalba. A última matança de golfinhos-de-laterais-brancas-do-atlântico, em Hvalba, ocorreu em agosto de 2010, e a matança de golfinhos-de-Risso teve início em abril desse ano. Em Oravik, foram 100 golfinhos-de-laterais-brancas-do-atlântico mortos em agosto de 2009. No mesmo mês, em Hvalba, duas baleia-bicuda-de-cabeça-plana-do-norte foram mortas, relatadas como encalhadas, e um mês depois, em Klaksvik, três golfinhos-de-Risso foram mortos. Em junho de 1978, nesta mesma cidade ocorreu a matança de 31 orcas.

Enquanto golfinhos-de-laterais-brancas-do-atlântico e baleias-bicuda-de-cabeça-plana-do-norte podem ser abatidas, de acordo com os regulamentos locais, é ilegal matar golfinhos-de-Risso e orcas. Em todos esses casos, a desculpa utilizada para matá-los foi de que foram confundidos com as baleias-piloto.

No entanto, em breve os aspirantes a assassinos de golfinhos terão de passar por um teste antes que eles possam participar do derramamento de sangue. O Ministro das Pescas anunciou que a partir de maio de 2015, todas as pessoas que participam do abate devem fazer um curso sobre as leis e procedimentos corretos relativos à matança (grinds), e possuir a respectiva licença para matar. Eles vão receber treinamento no uso das ferramentas que serão permitidas a partir de 2015, como ganchos de respiradouros e lanças para a coluna vertebral, serão capacitados reconhecer os sinais de morte dos animais (não de sofrimento, pois isso é irrelevante para os assassinos), e estarão familiarizados com toda a legislação antes de poderem participar. O uso de faca e gancho grinds não será mais permitido, exceto em circunstâncias especiais, através de uma autorização. Alguns grupos de conservação saudaram estas medidas como o início do fim do grind. Estes são geralmente os mesmos grupos que acreditam que conquistar os corações e mentes do povo das Ilhas Faroé irá incentivá-los a parar a matança.

A Sea Shepherd levou campanhas para opor-se à matança nas Ilhas Faroé desde 1985. Durante a campanha de 2011, Operação Ilhas Ferozes, e nem uma única baleia foi morta enquanto a Sea Shepherd esteve em patrulha durante a alta temporada de julho e agosto. Até agora, esta é a única maneira que possibilitou que as vidas destes magníficos animais fossem salvas. Este trabalho foi registrado em uma série de cinco episódios no Animal Planet, chamada “Whale Wars: Shores Viking” (2012).

O primeiro grind deste ano aconteceu em 21 de julho, quando 125 baleias-piloto morreram em Víðvík. Esta é a aldeia onde, em novembro de 2010, 62 baleias-piloto foram levadas para a praia ao entardecer. Todos os animais foram mortos, mas como ficou muito escuro, o esquartejamento teve que esperar até a manhã seguinte. Durante este período, os corpos já tinham começado a apodrecer e a maioria das baleias foi descartada, morta sem motivo.

Em Hvalba, o incrível número de 430 golfinhos-de-laterais-brancas-do-atlântico foram levados para a "baía das baleias" e brutalmente assassinados. Foto cedida www.facebook.com

O mais selvagem dos recentes grinds ocorreu em 30 de julho, quando 267 baleias-piloto foram levadas para a baía de Fuglafjørður. Os relatórios dizem que apenas quatro homens estavam disponíveis para matar os animais em pânico. Por mais de 90 minutos, eles foram mantidos na baía com o ruído do motor do barco e ganchos em seus respiradouros, até que todos foram abatidos. Este foi um dia especialmente vergonhoso nas “Ilhas Ferozes”.

Nem o estrago de 30 de julho, nem o exemplo de novembro de 2010 foram incidentes isolados. Isso acontece regularmente, sem consequências para os açougueiros. Bem-estar animal é uma farsa nas “Ilhas Ferozes”, e as reivindicações de uma morte rápida, de dois minutos, são mais a exceção do que a regra.

Em Klaksvík, em 19 de julho de 2010, 228 baleias-piloto foram levadas para terra, apesar da praia só ter capacidade para armazenar 100 animais. Novamente anoiteceu, e a falta de luz combinada com os animais em grande número resultou em uma orgia de duas horas de sangue e sofrimento.

Em 25 de outubro de 2012, uma tentativa de marcar 36 baleias-piloto pelo Museu Nacional das Ilhas Faroé deu terrivelmente errado. Após os transmissores de rádio serem anexados, as baleias, desorientadas, ficaram encalhadas na lama e acabaram gritando na praia. Funcionários do museu não foram encontrados, e o governo de Torshavn não permite que os moradores matem os animais, já que é ilegal matar golfinhos marcados. Apenas algumas horas mais tarde da noite, quando foi decidido que os animais não poderiam ser salvos , os moradores receberam permissão para matá-los. Este é apenas mais um exemplo de tormento e sofrimento desnecessários que os cetáceos têm de suportar nestas ilhas antes de serem brutalmente assassinados .

Em novembro de 2008, os médicos-chefes das Ilhas Faroé, Pál Weihe e Høgni Debes Joensen, anunciaram que a carne e gordura de baleia-piloto contém muito mercúrio para serem seguras para consumo humano. A dioxina foi agora adicionada à lista, e a recomendação sobre o consumo de carne e gordura de baleia-piloto é:

  • Os adultos devem comer, no máximo, uma refeição de carne e gordura de baleia-piloto por mês.
  • Meninas e mulheres devem abster-se totalmente de comer gordura, enquanto eles ainda estiverem planejando ter filhos.
  • As mulheres que estão planejando a gravidez dentro dos próximos três meses, que estão grávidas ou que estão amamentando, devem se abster de comer carne de baleia.
  • Os rins e fígado de baleias-piloto não devem ser comidos.

Como resultado dos problemas de saúde, grande parte da carne é descartada no oceano, como os cemitérios submarinos descobertos pela Sea Shepherd em 2010 e 2011 mostraram. O grind não é uma fonte de alimento. É um esporte sangrento desprezível.

Em 31 de julho, a União Europeia adotou sanções econômicas contra as Ilhas Faroé. Não por matar golfinhos, mas porque o governo das Ilhas Faroé triplicou unilateralmente a quota existente para o arenque no início deste ano. Esse contingente havia sido acordado com a União Europeia e a Noruega. Uma comissão de representantes dos Estados-membros votaram para apoiar a proposta da Comissão Europeia, para impor sanções sobre as Ilhas Faroé para a sobrepesca de arenque atlântico-escandinavo .

Esta pesca criminosa da Europa ainda pode ter que enfrentar processos judiciais pelo grid sangrento. A Dinamarca, da qual as Ilhas Faroé são um protetorado, está violando três convenções que assinou, pelas quais prometeu fazer tudo dentro de sua capacidade de proteger as baleias-piloto – a Convenção de Berna, a Convenção de Bona e o Acordo sobre a Conservação de Pequenos Cetáceos do Mar Báltico e do Mar do Norte, do Atlântico Nordeste e do Mar da Irlanda (ASCOBANS). Como resultado, a Sea Shepherd França está trazendo o assunto para a Comissão Europeia, a fim de obrigar a Dinamarca a cumprir as obrigações das referidas convenções, e agir para defender os princípios nelas descritos .

A economia das Ilhas Faroé depende em grande parte das exportações de peixe. Se você está chateado pelo grinds, considere não comprar seus produtos e pedir para que os supermercados e os governos não os importe.

Entre em contato com a embaixada dinamarquesa mais próxima de você hoje, e informe que você se opõe veementemente à matança sem sentido e bárbara da preciosa fauna marinha nas Ilhas Faroé.

Embaixada da Dinamarca no Brasil
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Para saber mais:

Sea Shepherd desafia a Dinamarca na Comissão Europeia
O caso do assassinato em massa nas Ilhas Faroé
Lembranças sombrias da matança de baleias-piloto em Klaksvik

Sea Shepherd desafia a Dinamarca na Comissão Europeia

Baleias-piloto nadam livremente. Foto: Bob Talbot

Em resposta ao derramamento de sangue de baleias-piloto em curso nas Ilhas Faroe, como parte do ritual de caça brutal conhecido como “Grindadrap” ou “Grind”, a Sea Shepherd denuncia que a Dinamarca está violando três convenções que assinou, pelas quais prometeu fazer tudo dentro de sua capacidade de proteger as baleias-piloto – a Convenção de Berna, a Convenção de Bona e a ASCOBANS. Como resultado, a Sea Shepherd está levando o assunto para a Comissão Europeia, a fim de obrigar a Dinamarca a cumprir as obrigações contidas nestas convenções e agir para defender os princípios descritos nelas.

Durante séculos, as baleias-piloto foram abatidas à medida que se aproximavam das margens das Ilhas Faroé. A matança de famílias inteiras de baleias é chamada de “Grindadrap”, ou “Grind”. A Dinamarca afirma que não tem qualquer influência em parar o “Grind”, mas em 2010 e 2011, enviou um navio militar e um helicóptero para patrulhar as águas das Ilhas Faroé, enquanto a Sea Shepherd estava no local, para evitar que a Sea Shepherd interviesse. A Sea Shepherd tem se empenhado na oposição a estes massacres impiedosos desde 1984, e enviou um navio para documentar o derramamento de sangue várias vezes.

Se essas mortes foram uma dia necessárias para a sobrevivência do povo das Ilhas Faroé, esses dias já passaram faz tempo. A população das Ilhas Faroé agora conta com o mais alto padrão de vida na Europa, e também recebe subsídios importantes da Europa através da Dinamarca.

Devido ao fato da carne das baleias agora conterem níveis muito elevados de mercúrio e poluentes, as autoridades de saúde faroenses declararam que já não é adequada para o consumo humano. De fato, os níveis de mercúrio podem chegar a dez vezes mais do que os limites legais europeus. No entanto, o “Grindadrap” continua. É agora a maior matança de mamíferos marinhos na Europa.

As baleias-piloto já suportam muitas ameaças modernas (sobrepesca, competição por alimentos, acidificação dos oceanos, pesca acidental, exercícios militares sonares, testes sísmicos e mais). Além dessas ameaças, esta espécie magnífica não deveria ter que sofrer matanças inúteis, apresentadas como prática tradicional, quando na verdade a mais moderna tecnologia está sendo usada. Barcos a motor, jet-skis, telefones celulares, radares e até mesmo um helicóptero substituíram os barcos a remo e os sinais de fumaça (para comunicação) que foram utilizados em séculos passados.

Em qualquer outro lugar na Europa, as baleias-piloto estão sendo protegidas e os esforços estão sendo feitos para reduzir as capturas acidentais e distúrbios/riscos, mas nas Ilhas Faroé, famílias inteiras ainda estão sendo levadas para as praias e sendo completamente exterminadas em uma das mais brutais ações de abate feita pelo homem sobre a Terra. Devido à sua inteligência complexa e seu forte laço social com seus grupos, seu elevado nível de auto-consciência e solidariedade muito forte umas com as outras, estas criaturas sofrem uma quantidade enorme de estresse e agonia indescritível, antes e durante a morte, que, ironicamente, vem como resultado libertador dessa tortura horrível.

Extraído do livro Caça às baleias-piloto nas Ilhas Faroé, por Joan Paulo Joensen (Faroe University Press):

“Com longas lanças e facas os homens lutavam, usando ganchos ligados a linhas para puxar os barcos a pouca distância, e enquanto o sangue fluía livremente das baleias feridas, suas companheiras não as deixavam. Mesmo que elas atingissem a água clara, eles se voltavam de novo ‘seguindo o sangue’. As grandes baleias pareciam estar tentando proteger as pequenas. Algumas das baleias, enlouquecidas pelos ferimentos de lança, correram e ficaram encalhadas em águas rasas, onde foram recebidas por homens de Sorvagur e Bour, que, enfrentando o sangue e a água, atacavam novamente e novamente com suas facas para atingir a medula espinhal. (…) Por fim, acabou. Nenhuma baleia escapou. Um odor quente pesado encheu o ar; 286 baleias estavam mortas e morrendo na Praia Miðvágur. (…) Seus grandes lábios grossos curvados para trás em um sorriso grotesco, divulgavam os pequenos dentes brancos pequenos cerrados. Ali estava o líder do bando, e lá – oh que pena! – estavam os pobres bebês das baleias repousados ao lado de suas mães, nascidos naquela agonia de pânico e de morte”.

O “Grind” é um resquício de uma época sangrenta. Ele teve o seu tempo. Se não formos capazes de colocar um fim às matanças cruéis e sem sentido como esta, como podemos esperar ter sucesso na tarefa muito mais difícil de deter os efeitos devastadores do nosso padrão de consumo excessivo neste planeta? Hoje, a humanidade tem que amadurecer, ou vamos morrer. É o momento para as gerações presentes começarem a cuidar deste mundo que estamos tomando emprestado de nossos filhos. É hora de deixar o “Grind” aonde ele pertence – no passado – e colocar um fim à maior matança de mamíferos marinhos na Europa.

A Sea Shepherd França gostaria de agradecer o apoio calorosamente precioso do Sr. Sylvain Leroy, o nosso advogado pro bono de Bordéus, na França, por todo o seu trabalho neste caso. A denúncia completa apresentada à Comissão Europeia estará disponível em breve.

Baleias-piloto alinhadas depois de mortas. Foto: Peter Hammarstedt / Sea Shepherd

Traduzido por Raquel Soldera, voluntária do Instituto Sea Shepherd Brasil

As águas ficaram vermelhas: dezenas de baleias-piloto são covardemente assassinadas nas Ilhas Faroé

Baleias-piloto assassinadas nas Ilhas Faroé em 2010. Foto: Sofia Jonsson

Baleias-piloto assassinadas nas Ilhas Faroé em 2010. Foto: Sofia Jonsson

Entre 50 a 100 baleias-piloto indefesas foram levadas para um fiorde em Vestmanna, nas Ilhas Faroé, na manhã de hoje, onde cada baleia adulta, machos e fêmeas, e seus filhotes, foram barbaramente massacrados, numa orgia de sangue que manchou as águas de um escarlate profundo.
 
Esta atrocidade vergonhosa seguiu o rastro da recente partida da Sea Shepherd das Ilhas Faroé, após prevenir com sucesso o derramamento de sangue por vários meses durante a Operação Ilhas Ferozes, uma campanha em defesa das baleias-piloto. Devido ao orçamento limitado da Sea Shepherd, só pudemos passar dois meses nas Ilhas Faroé, e nenhuma única baleia foi morta durante este tempo.
 
Durante os meses de julho e agosto de 2011, quando os navios da Sea Shepherd, o Steve Irwin e o Brigitte Bardot, estiveram na área, a polícia das Ilhas Faroé aconselhou todas as comunidades locais a não matar qualquer baleia. Estima-se que 668 baleias-piloto foram mortas nas Ilhas Faroé durante julho e agosto de 2010, em comparação a zero baleias mortas durante os mesmos meses deste ano, como resultado da presença da Sea Shepherd.
 
“Eu acho que os baleeiros das ilhas Faroé são covardes”, disse o Capitão Paul Watson. “Eles não mataram uma única baleia quando estávamos lá. Eles esperaram, sabendo que acabaríamos tendo que ir embora, e depois de uma semana da nossa partida, eles retomaram seu ritual macabro e bárbaro de uma matança cruel e horrível. Eu só tenho uma palavra para descrever esses assassinos, e essa palavra é – covardes”.
 
As mortes de hoje justificam a presença e as táticas da Sea Shepherd nas Ilhas Faroé este ano. É bastante evidente que se os navios e a tripulação da Sea Shepherd não estivessem nas ilhas durante os últimos dois meses, centenas de baleias provavelmente teriam sido massacradas.
 
“Eles agora vão sentar-se para sua refeição de carne de baleia, envenenada de mercúrio e gordura, e vão sorrir e se orgulhar de terem tirado tantas vidas cruelmente”, disse a Chefe de Cozinha e tripulante, Laura Dakin, da Austrália. “É fácil matar os indefesos, os bebês e as mães, criaturas tão fáceis de massacrar, que não podem lutar. Estes homens são pateticamente covardes”.
 
A Sea Shepherd tem planos de voltar para as Ilhas Faroé no próximo ano, para mais uma vez patrulhar as águas em defesa dos indefesos.

Traduzido por Raquel Soldera, voluntária do ISSB

Um encontro não tão próximo com o capataz da praia

Comentário pelo Capitão Paul Watson

Kemm Poulsen é um homem grande e um grande falador. Ele chama a si mesmo capataz da praia, e talvez ele seja. Ele se gaba de matar baleias, ensina os outros a matá-las também, e afirma que elas não sentem dor. Ele me chamou de covarde e disse que eu não teria coragem de vir para as Ilhas Faroé e chegar a terra.

Na semana passada ele foi filmado pela equipe do Animal Planet em uma conversa com a presidente da Sea Shepherd França, Lamya Essemlali. Durante a entrevista, Kemm lhe disse que iria me colocar em frente à matança se atrevesse a vir em terra para debater com ele. Hoje, Kemm teve seu desejo atendido. Parte da tripulação e eu estávamos no saguão do Hotel Faeroes quando o assassino de baleia, Kemm Poulsen, cruzou a porta.

Lamya e um cinegrafista imediatamente o cumprimentaram e disseram que eu estava no saguão e, agora, seria uma grande oportunidade de confrontar-me sobre a matança. Em vez disso, o grande falador macho assassino de baleias disse: “Eu mudei de idéia, é inútil falar com Paul, ele está louco”. Ele não tinha mais nada a dizer e rapidamente se dirigiu para a saída e para o seu carro, com o cameraman o seguindo.

Parece que os baleeiros não têm interesse em um debate de verdade com a gente. Tentamos organizar uma reunião pública, mas todos os nossos esforços para garantir um local foram recusados. O diretor do Nordic House foi muito simpático e favorável à ideia, mas ele recebeu um telefonema de alguém que ele não quis identificar e retransmitiu para nós que não seria possível alugar o salão. Nós reservamos uma sala de conferências do Hotel Torshavn, só para tê-la cancelada no dia seguinte.

Kemm, já tendo se revelado um covarde, reforçou ainda mais a sua reputação distribuindo uma carta aos membros da tripulação da Sea Shepherd, exortando-os a um motim contra mim. A carta foi divertida o suficiente para incluí-la aqui completa:

Paul Watson líder da organização terrorista Sea Shepherd é doente mental
Todo mundo com só um pouco de senso lógico pode ver
Por isso este pedido para a tripulação e voluntários em seu navio.
Por favor, traga seu navio ao porto mais próximo, e tentem convencê-lo a se tratar por sua doença mental.
Temos excelentes médicos na ilha Faroé, que são capazes de dar-lhe um bom tratamento.
Se ele não quiser ser bem tratado aqui, as pessoas nas Ilhas Faroé são muito simpáticas. Tenho certeza de que irão arrecadar dinheiro para uma passagem aérea para Paul Watson.
Se ele quiser ser tratado aqui, será tratado num ambiente familiar semelhante ao de casa.
Não é seguro para a tripulação e voluntários em seu navio sair em mar aberto com ele como capitão.
Paul Watson é tão doente mental, que ele é mentalmente perturbado. E pode colocar facilmente seu navio e a tripulação em perigo com seus atos insanos.

Kemm Poulsen
(Produtor do documentário “Whale Wars” em 1986)

Nota: Eu não tenho certeza do que ele está sugerindo ao assinar a carta como um produtor de Whale Wars, que ele claramente não é. Eu postei a mensagem de aviso a bordo do navio para a diversão da tripulação

Minha viagem para terra firme provocou hoje alguns olhares de ódio de algumas pessoas mais velhas, mas ninguém me confrontou nas ruas. Eu fiquei realmente muito feliz de receber alguns sorrisos e cumprimentos de muitos jovens que encontramos.

A tripulação da Sea Shepherd conversou com centenas de jovens ao longo do mês passado, e as conversas têm sido muito encorajadoras. É claro que a matança não é uma tradição adotada pela maioria das pessoas mais jovens. Não é uma imagem que muitas pessoas das Ilhas Faroé desejam serem associadas.

Foi decepcionante saber que um novo documentário sobre a Luna, a orca órfã da British Columbia, chamada The Whale, estreou aqui nas Ilhas Faroé, na Nordic House, no fim de semana passado. Não tenho nenhum problema com as estréias que ocorrem na Ilhas Faroé de sensibilização para a caça à baleia, mas eu achei muito estranho que a estréia foi usada por pelo menos um dos patrocinadores do filme como um fórum público para denunciar os esforços da Sea Shepherd em defesa das baleias nas Ilhas Faroé.

The Faeroese publicou um livro chamado “2 Minutos”. No prefácio, o fotógrafo Regin W. Dalsgaard escreveu:

“Imediatamente, eu agarrei meu equipamento de fotografia, entrei no carro e corri para a praia. Pela primeira vez notei o estado de transe de mente dos assassinos de baleias. Eles estavam fora de alcance e levou meus pensamentos para um bom filme de vampiro, com os vampiros prontos a provar o sangue. Através da minha lente eu percebi que o transe foi uma preparação profundamente enraizada, uma espécie de meditação pré-guerra”.

Este não é o tipo de imagem que a maioria das pessoas gostaria de refletir a sua identidade nacional. As Ilhas Faroé são um grupo de bonitas ilhas que poderiam ser o cenário de “O Senhor dos Anéis”. As montanhas verdejantes com cachoeiras são quase de outro mundo. As formações de pedra e penhascos da costa norte são incrivelmente impressionantes. E em meio a essa configuração natural esplendorosa, encontra-se uma comunidade de cerca de 47.000 pessoas que gozam do mais alto padrão de vida na Europa.

Existe apenas uma coisa errada, apenas uma mancha nessa sociedade quase perfeita, e que é esta obscenidade bruta que chamam de Grindadráp. Isso simplesmente não tem lugar no século 21, não tem lugar num mundo civilizado. É ofensivo para pessoas ao redor do mundo. É cruel, desnecessária, ecologicamente destrutiva e obscena.

Tenho me oposto a essa matança desde 1983; este é a sexta campanha da Sea Shepherd usando nossos navios durante este período de tempo. Durante o qual, tenho visto uma crescente consciência e uma crescente resistência à matança do povo das Ilhas Faroé.

Estou confiante de que esta atrocidade pode ser encerrada, e esperançoso de que será mais cedo do que tarde.

Nossos esforços nesta temporada provaram que vale a pena. Nenhuma única baleia foi morta neste verão com a presença dos nossos navios. Com alguma sorte, o projeto que a emissora Animal Planet está trabalhando também irá trazer para esta matança desprezível em massa a atenção do mundo, da mesma forma que The Cove chamou a atenção para o massacre de golfinhos em Taiji, no Japão.

No fim de semana passado, eu caminhava ao longo de uma das praias de matança com alguns membros da minha equipe. Considerando que em muitas praias você pode encontrar conchas, nas Ilhas Faroé são crânios e ossos de baleias-piloto e de golfinhos que estão espalhados na praia. Os crânios saindo do cascalho e da areia invocam os campos de extermínio, e na minha mente eu posso ver as águas sujas de sangue, e eu posso ouvir os gritos das baleias com as facas rasgando e cortando seus corpos indefesos.

De pé naquela praia assombrada eu estava agradecido pela dedicação de minha equipe valente e trabalhadora. Por causa deles, estas praias estão silenciosas neste verão. Por causa deles, nas baías não estão tingidas com o sangue vermelho e quente, e por causa deles, este tem sido um verão de esperança para as baleias e para aqueles que se opõem a esse assassinato devasso dessas criaturas delicadas, inteligentes e magníficas.

Traduzido por Raquel Soldera, voluntária do ISSB.

Entre as baleias

Um tripulante de snorkel ao lado de uma baleia-piloto. Foto: Eva Hidalgo

Um tripulante de snorkel ao lado de uma baleia-piloto. Foto: Eva Hidalgo

Na manhã de 16 de agosto, o Brigitte Bardot, no caminho de volta para as Ilhas Faroé vindo das ilhas Shetland, alcançou um grupo grande de baleias-piloto. As baleias-piloto cercaram o navio, chegando tão perto que a tripulação podia tocar-lhes. Enquanto isso, o Steve Irwin, posicionado perto do sul da ilha de Suduroy, começou a se dirigir para a mesma área, para se juntar ao Brigitte Bardot, chegando a tempo de ver este espetáculo impressionante.

Do helicóptero, o piloto Chris Aultman estimou que haviam cerca de 500 baleias-piloto em numerosos grupos em torno de uma grande área ao redor dos dois navios da Sea Shepherd. Golfinhos e baleias-fin foram vistos saltando, além das baleias-piloto. Vários tripulantes entraram no mar para filmar esses cetáceos maravilhosos debaixo d’água, muitos deles chegando a poucos centímetros dos mergulhadores e suas câmeras. Aultman visualizou baleias-fin nadando a 22 nós, com golfinhos surfando na frente delas.

A Sea Shepherd também recuperou uma rede grande fantasma flutuando na água e trouxe-a a bordo para garantir que não causaria danos aos animais ainda selvagens marinhos.

A Sea Shepherd posicionou seus navios entre as baleias e as Ilhas Faroé e monitorou o movimento das baleias, pronta para intervir com dispositivos acústicos se necessário, para persuadi-las a desviar para longe das margens cruéis e letais das Ilhas Faroé.

Alexis Lum, do Canadá, encontrou debaixo d’água com uma mãe e seu filhote nadando em círculo, em torno dele. “Eu poderia ter tocado o filhote com a mão, ele estava tão perto e a forma que as baleias olharam nos nossos olhos, era como se estivessem tentando se comunicar conosco”, disse ele.

A tripulante americana Crystal Galbraith disse: “Fiquei impressionada com o quão amigável elas são, sem medo de nós, e tão intensamente curiosas. Como alguém poderia saudar esta simpatia com uma violência horrível é inimaginável”.

Os navios da Sea Shepherd estão ficando com as baleias-piloto durante a noite. “Somos como pastores aquáticos guardando nosso rebanho”, disse o Capitão Paul Watson. “Precisamos mantê-las longe dos ganchos e facas dos açougueiros das Ilhas Faroé”.

Uma baleia-piloto salta na frente do navio Brigitte Bardot. Foto: Bill Rankin

Uma baleia-piloto salta na frente do navio Brigitte Bardot. Foto: Bill Rankin

O navio Brigitte Bardot cercado por baleias-piloto. Foto: Bill Rankin

O navio Brigitte Bardot cercado por baleias-piloto. Foto: Bill Rankin

Um grande grupo de baleias-piloto nada ao lado do Brigitte Bardot. Foto: Eva Hidalgo

Um grande grupo de baleias-piloto nada ao lado do Brigitte Bardot. Foto: Eva Hidalgo

Um tripulante recupera uma rede fantasma da água. Foto: Bill Rankin

Um tripulante recupera uma rede fantasma da água. Foto: Bill Rankin

Traduzido por Raquel Soldera, voluntária do ISSB.