Uma Grande Vitória Para as Baleias

O Japão perdeu a moratória fica de pé.

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Apesar de subornar nações com táticas insidiosas, a proposta do Japão para derrubar a moratória de 31 anos sobre caça comercial falhou por 41 votos contra 27 com 2 abstenções.

A proposta com o título enganoso: The Way Forward foi na verdade uma tentativa de retroceder para antes de 1987, quando o abate comercial de baleias era legal

Após a mais que bem vinda, Declaração de Florianópolis, de ontem, esta derrota a proposta japonesa fez da 67ª reunião da Comissão Internacional da Baleia um evento histórico impressionante para as baleias do mundo.

A Declaração de Florianópolis afirma que o propósito da CBI é a conservação das baleias e que a morte comercial de baleias não deve mais ser discutida.

O Japão agora está ameaçando deixar a IWC, mas eles estão ameaçando deixar quase todo ano que não conseguem o que querem.

Aqui está a repartição dos votos:

Primeiro os bandidos votando na proposta japonesa.

Nações baleeiras
Japão
Noruega
Islândia

Nações não baleeiras sem nenhum interesse na caça à baleia, mas em dívida com o Japão.

Antígua
Benin
Camboja
Costa do Marfim
Granada
Guiné-Bissau
Quênia
Kiribati
Laos
Libéria
Ilhas Marshall
Mauritânia
Mongólia
Marrocos
Nauru
Nicarágua
São Cristóvão e Névis
Santa Lúcia
São Vicente
São tomé
Ilhas Salomão
Suriname
Tanzânia
Tuvalu

Contra a proposta

Nações baleeiras
Dinamarca
Estados Unidos

Nações não baleeiras
Argentina
Austrália
Áustria
Bélgica
Brasil
Bulgária
Chile
Colômbia
Costa Rica
Croácia
Chipre
República Checa
República Dominicana
Equador
Finlândia
França
Gabão
Alemanha
Índia
Irlanda
Israel
Itália
Lituânia
Luxemburgo
México
Países Baixos
Nova Zelândia
Panamá
Peru
Polônia
Portugal
Eslováquia
Eslovênia
África do Sul
Espanha
Suécia
Suíça
Reino Unido
Uruguai

Abstenções
Coréia
Rússia

A IWC se reúne novamente em 2020. Joji Morashita não é mais o presidente da IWC.

Atualização da Comissão Internacional da Baleia (IWC): O retorno do Japão à proposta da Whaling Comercial “The Way Forward” acabou de ser votado e negado pela comissão.

Outra vitória para as baleias, especialmente considerando que ontem a “Declaração de Florianópolis” foi aprovada e consiste em mudar o propósito da IWC para a conservação das baleias e não para fins de gerenciamento de estoque por mais tempo. Vendo que a caça às baleias não pertence ao século XXI.

Anteriormente, o Japão, a Noruega, a Islândia e as Ilhas Faroé (Dinamarca) não mostraram qualquer respeito por quaisquer regras ou regulamentos deste ou de qualquer outro organismo regulador.

Durante o discurso do Japão após a derrota de sua proposta ameaçou deixar o IWC.

De fato, uma vitória para ver as resoluções indo em frente, mas a questão permanece, será respeitada por essas nações baleeiras?

Apesar da decisão de Florianópolis e apesar da derrota da proposta japonesa, o Japão continua a matar baleias no Oceano Antártico e Pacífico Norte. E a Islândia, Noruega e Dinamarca continuam a matar baleias e, no caso da Islândia, ameaçadas de extinção e baleias azuis. o Atlântico Norte.

No geral, a 67ª Reunião da Comissão Baleeira Internacional foi um sucesso para as baleias.

Obrigado a todas as nações que apoiaram as baleias e um muito especial agradecimento ao Brasil pela Declaração de Florianópolis. Obrigado aos nossos parceiros anti-caça furtiva, Costa Rica e Equador, e especialmente ao Gabão, por sua forte defesa das baleias neste encontro histórico.

Sea Shepherd Conservation Society

Florianópolis nesta segunda-feira 10. (Foto: Naian Meneghetti/Brazil Photo Press/Folhapress

Florianópolis nesta segunda-feira 10. (Foto: Naian Meneghetti/Brazil Photo Press/Folhapress

Florianópolis nesta segunda-feira 10. (Foto: Naian Meneghetti/Brazil Photo Press/Folhapress

FLORIANÓPOLIS, SC, 10.09.2018 – IWC-SC – protesto durante de ongs ambientais 67ª reunião anual de Membros da IWC (International Whaling Commission) em Florianópolis nesta segunda-feira 10. (Foto: Naian Meneghetti/Brazil Photo Press/Folhapress)

FLORIANOPOLIS, SC, 10.09.2018 – EVENTO – Vice-Minister for Foreign Affairs Mitsunari OKAMOTO and taniai masaaki membro do parlamento japones falao na 67ª reunião anual de Membros da IWC (International Whaling Commission) em florianopolis brasil na tarde desta segunda-feira 10. (Foto: Naian Meneghetti/Brazil Photo Press/Folhapress)

FLORIANOPOLIS, SC, 10.09.2018 – EVENTO – plenaria de abertura da 67ª reunião anual de Membros da IWC (International Whaling Commission) em florianopolis brasil na tarde desta segunda-feira 10. (Foto: Naian Meneghetti/Brazil Photo Press/Folhapress)

FLORIANOPOLIS, SC, 10.09.2018 – EVENTO – joji morishita fala na 67ª reunião anual de Membros da IWC (International Whaling Commission) em florianopolis brasil na tarde desta segunda-feira 10. (Foto: Naian Meneghetti/Brazil Photo Press/Folhapress)

Florianópolis nesta segunda-feira 10. (Foto: Naian Meneghetti/Brazil Photo Press/Folhapress

Florianópolis nesta segunda-feira 10. (Foto: Naian Meneghetti/Brazil Photo Press/Folhapress

FLORIANÓPOLIS, SC, 13.09.2018 – IWC-SC – embaixador da Representação Permanente do Brasil junto a Organismos Internacionais (Rebraslon) em Londres, Hermano Telles Ribeiro e comissario do brasil na cib 67ª reunião anual de Membros da IWC (International Whaling Commission) em Florianópolis nesta Quinta-feira 13. . (Foto: Naian Meneghetti/Brazil Photo Press/Folhapress)

FLORIANÓPOLIS, SC, 10.09.2018 – IWC-SC – protesto durante de ongs ambientais 67ª reunião anual de Membros da IWC (International Whaling Commission) em Florianópolis nesta segunda-feira 10. (Foto: Naian Meneghetti/Brazil Photo Press/Folhapress)

 

Fonte: https://seashepherd.org/2018/09/14/a-win-for-the-whales/

Status dos navios da Sea Shepherd

O STEVE IRWIN sob o comando do Capitão Sid Chakravarty (India) está no mar em rota de Melbourne para Fremantle e de Fremantle para baixo no Oceano Antártico. O plano é chegar lá no fim de Dezembro. O navio baleeiro japonês fora-da-lei  está no Pacífico e é esperado para chegar no Oceano Antártico no fim de Dezembro.

O MARTIN SHEEN sob o comando da Capitã Oona Layolle está no Golfo da Califórnia trabalhando com a Marinha Mexicana para proteger a Vaquita, ameaçada de extinção .

O JAIRO MORA SANDOVAL está no Cabo Verde trabalhando no projeto de conservação com a Biosphera.

O BOB BARKER está em Istambul na estação de reparos, sob manutenção.

O SAM SIMON está em Bremen, Alemanha, sendo preparado para as ações de 2016.

O BRIGITTE BARDOT está em Marseille, França, sendo também preparado para as ações de 2016.

O FARLEY MOWAT está em Tampa, Florida e o JULES VERNE está em Key West, Florida. Ambos os navios estão sendo preparados para proteger o “corredor” de Galapagos (Ilha Cocos, Ilha Malpelo e os Galapagos)

Sea Shepherd tem um nono navio (ainda sem nome) sendo construído na Turquia. A construção estará completa em Setembro de 2016.

Além disso, a Sea Shepherd tem uma equipe em terra em Taiji, Japão para os golfinhos e está ativa em mais de 40 países.

A Sea Shepherd enviou um navio para defender as baleias e a manutenção de navios são caras.  A Sea Shepherd não solicita a doação de dinheiro nas ruas. Todo o suporte é voluntário.

A Sea Shepherd faz o que pode com os recursos disponíveis. Nós podemos somente fazer mais com mais suporte.

Quando críticos perguntam, porque a Sea Shepherd não está fazendo mais? A resposta é simples. Nós poderíamos fazer mais se nós tivéssemos o suporte.

A Sea Shepherd não é um dos grandes grupos ecológicos.  A Sea Shepherd é primeiramente, um movimento voluntário e nossa força está na base voluntária e na base de apoio. A medida que o base de suporte cresce, a Sea Shepherd pode fazer mais, muito mais.

Se você se preocupa em defender a vida nos Oceanos, se você quer ver um ativismo que funciona, que tem resultados e salva vidas, junte-se à Sea Shepherd e se envolva fisicamente como um membro da tripulação, voluntário em terra ou colaborador.

Nós precisamos construir uma base de suporte maior para sermos mais efetivos.

Esta semana se você está em Tampa, Florida, visite o FARLEY MOWAT e dê a eles sua ajuda.

Se você está em Paris, venha ver o filme “Como mudar o Mundo” e ajude a Sea Shepherd França.

Paul Watson

Terceira semana em Haia

Segunda rodada de argumentos orais: Austrália e a intervenção da Nova Zelândia

Comentário por Alex Cornelissen, Diretor Global Executivo da Sea Shepherd 

O Diretor Global Executivo da Sea Shepherd, Alex Cornelissen, do lado de fora da Corte Internacional de Justiça. Foto: Sea Shepherd

Os dias são mais curtos aqui no Tribunal Internacional de Justiça, em Haia, na Holanda. Apenas cerca de metade do tempo da primeira rodada é reservado para as partes na segunda rodada de argumentos orais no processo judicial contra o Japão, movido pela Austrália.

Na segunda-feira, 8 de julho, a Nova Zelândia teve 90 minutos para intervir neste caso. O foco da intervenção da Nova Zelândia foi o momento em que o artigo 8º da Convenção Internacional para a Regulamentação da Pesca da Baleia, de 1946, foi estabelecido, bem como o artigo 8 si, e como ele deve ser interpretado. É claro que o Japão está sozinho em sua falsa interpretação do artigo, bem como em muitos outros elementos que foram discutidos na primeira rodada. Isto não é, obviamente, nenhuma surpresa, uma vez que é o Japão que continua a afastar-se da comunidade internacional, tentando manter a farsa da caça às baleias em nome da “ciência”. O Japão também continua a adicionar insulto à injúria, fingindo que a maioria das nações do mundo, lideradas pela Austrália, são culpadas do imperialismo e da incapacidade de compreender os regulamentos internacionais.

No segundo dia da semana, e no primeiro dia do segundo turno da Austrália, o procurador-geral Mark Dreyfus iniciou os trabalhos, expressando sua consternação face às falsas acusações que os japoneses tinham feito durante a primeira rodada. Ele também se opôs fortemente aos vários insultos que o conselho japonês tinha apresentado. Mais uma vez, a Sea Shepherd foi mencionada. A Austrália argumenta que a menção repetida de nossa organização é uma tentativa de desviar a atenção do tribunal, e não deve ter influência sobre este caso. A Sea Shepherd tem a maior confiança de que os juízes honrados da Corte Internacional de Justiça não estão interessados nas fracas tentativas do Japão de estabelecer uma outra plataforma para criar simpatia por suas queixas. Já é ruim o suficiente para os participantes nas reuniões anuais da Comissão Internacional da Baleia terem que ouvir o seu choramingar.

As breves apresentações neste dia de abertura, durante os 90 minutos focaram no por quê o Tribunal tem jurisdição sobre este caso, e que a atividade baleeira japonesa nada mais é que caça comercial.

A Austrália estendeu que o Japão realmente não apresentou qualquer coisa para defender o que chama de pesquisa científica na rodada de abertura. Em vez disso, eles simplesmente apresentaram um acúmulo de argumentos que não tinham nenhuma relação com o caso real, e foram continuamente usados como uma distração da questão real em discussão. Era de se esperar, naturalmente, que o Japão realmente não tem uma defesa adequada. Eles têm realizado a caça comercial, muito mal disfarçada de pesquisa científica, durante anos. Na verdade, sua atividade é tão óbvia que faz pensar por que se preocupar com tudo isso.

O último dia de argumentos para a Austrália consistiu em análises cuidadosas das várias declarações que o Japão tinha feito na semana anterior, não deixando nenhum de seus argumentos intactos.

A declaração da única testemunha do Japão, o Professor Walloe, tornou-se um problema sério para o Japão. Ele afirmou que nunca gostou da caça de baleias-fin e baleias-jubarte, pois foi baseada em uma ciência mal elaborada. Ele, portanto, sozinho, ofereceu uma vitória parcial para a Austrália, pois é muito improvável que alguém ainda vai considerar a adoção dessas duas espécies de baleias no âmbito do programa JARPA II com uma conotação científica. Isso poderia até ter consequências de longo alcance para todo o processo, como o Japão afirmou que a matança de baleias sob o JARPA II faz parte de um programa científico maior, e todos os elementos do programa que são necessários para o seu sucesso. Isto é um absurdo claro, pois o JARPA II (assim como o JARPA) consiste em nada mais que uma fachada para a atividade baleeira comercial. Mas a alegação falsa do Japão também se tornou seu problema. Desde que seu próprio cientista declarou que uma grande parte do objetivo do programa (fins e jubartes) não têm nenhum terreno científico, como pode o resto do programa (minkes) ter qualquer valor, sem dados apresentados? Qualquer outro programa científico teria de ser interrompido devido à falta de tais informações. Quão irônico é que o homem que deveria convencer o tribunal da intenção científica do Japão, pode vir a ser o homem que forneceu a evidência mais importante para finalmente parar a atividade baleeira japonesa no Oceano Antártico.

No discurso de encerramento para a Austrália, o procurador-geral Mark Dreyfus expressou sua esperança de que este caso seja resolvido em favor da Austrália, pois isso iria resolver uma questão que tem sido objeto de debate e frustração por muitas décadas. Claro que a Sea Shepherd concorda. Esperamos não ter que voltar novamente para o Oceano Antártico e gostaríamos de finalizar nossas campanhas nos oceanos do Sul. Há muitas outras atividades de pesca ilegais sendo realizadas em todo o mundo, que queremos dedicar nosso tempo e recursos, e o orçamento anual destinado à campanha da Antártida nos levaria muito mais longe.

Na próxima semana terá início a segunda rodada de argumentos orais do Japão. Estou muito ansioso para o que a defesa possa apresentar, mas já prevejo que a Sea Shepherd vai ser mencionada em várias ocasiões. Eu considero isso um testemunho da nossa eficácia em impedir operações de caça de baleia do Japão, que nós fomos mencionados com tanta freqüência durante o curso deste épico processo na Corte Internacional de Justiça.

Traduzido por Raquel Soldera, voluntária do Instituto Sea Shepherd Brasil

Resumo da segunda semana do julgamento em Haia

Pelo Capitão Alex Cornelissen, Diretor Executivo Global da Sea Shepherd

O Diretor Global Executivo da Sea Shepherd, Alex Cornelissen, do lado de fora da Corte Internacional de Justiça. Foto: Sea Shepherd

Há algumas conclusões que podemos chegar no final da primeira rodada de argumentos orais do Japão. Em primeiro lugar, a estratégia que eles escolheram: esta parece ser destinada a tirar o foco do caso, deixando de lado a questão mais importante: o Japão realiza a caça comercial disfarçada de caça científica?

As evidências que o conselho japonês tem prestado em defesa do Instituto de Pesquisa de Cetáceos para contrariar esta acusação é fraca e extremamente tendenciosa. E ainda é o Japão que está acusando a Austrália de usar as suas provas de forma seletiva. Com base nas evidências que o Japão apresentou, só podemos concluir que é exatamente o oposto.

Ontem vimos o vergonhoso testemunho do Professor Walloe, da Noruega. O Professor Walloe é claramente contratado pela indústria baleeira japonesa para fornecer o testemunho de um “expert” para tentar convencer o tribunal de que a operação baleeira do Instituto de Pesquisa de Cetáceos é científica. Nada poderia, naturalmente, estar mais longe da verdade, e durante o interrogatório feito pela Austrália, não só a opinião do “expert” Professor Walloe foi seriamente questionada, como sua independência foi ainda mais questionável. Ele parece ser o único cientista estrangeiro que está disposto a apoiar os programas científicos JARPA e JARPA II, e, sem dúvida, ele está recebendo uma boa quantia de dinheiro para isso (assim como recomendações, como a Ordem do Sol Nascente, em 2009). Mas mesmo Professor Walloe teve suas sérias reservas sobre as quotas de baleias-fin e baleias-jubarte do Instituto de Pesquisa de Cetáceos. Pelo menos isso é algo que nós podemos concordar.

O conselho japonês continua tentando convencer os juízes da Corte Internacional de Justiça que eles não têm jurisdição neste caso.

Além disso, estamos assistindo apresentações tão tediosas que estava cada vez mais difícil se manter sentado. Apresentações que frequentemente não tinham nenhuma relevância para o caso.

Um exemplo notável é, naturalmente, a menção repetida da Sea Shepherd. Às vezes eu meio que esperava ser chamado para depor, para dar o meu testemunho, mas depois lembrei-me que neste caso é de fato entre a Austrália e o Japão. Gostaria de saber se o conselho japonês está plenamente consciente disso.

Mas é evidente que estamos muito satisfeitos com a maneira que nós claramente afetamos a quota de matança da frota baleeira japonesa, e os créditos estão nos sendo dados no Tribunal Internacional de Justiça. Mas não estamos satisfeitos com a distorção da verdade de maneira contínua, e com as mentiras que estão sendo apresentados apenas para pintar um quadro negro da nossa organização.

Mesmo que seja realmente irrelevante para o caso, existem algumas coisas que eu gostaria de corrigir:

  • A Sea Shepherd está sendo acusada de ações violentas. Curiosamente, é, na verdade, a frota baleeira japonesa, em particular o navio-fábrica Nisshin Maru, que está atualmente enfrentando acusações criminais na Holanda pelo seu comportamento violento na campanha do ano passado, a Operação Tolerância Zero.
  • Em um dos gráficos que foram mostrados, uma clara conexão é mostrada entre o número de navios que a Sea Shepherd tem e a quantidade de baleias mortas. Quanto mais navios, menos baleias mortas. É claro que não questionamos isso, na verdade, nós estamos orgulhosos, mas a questão é que não foi mencionado que um dos nossos navios foi abalroado ao meio e afundou, quase matando os seis tripulantes a bordo.
  • Foi mencionado que o Capitão Watson está na lista vermelha da Interpol, a pedido de vários países. Eu pessoalmente diria que esses “vários” países são, de fato, o próprio Japão, bem como a Costa Rica (usando um caso que remonta a 2002, que foi reativado depois que a presidente da Costa Rica visitou o Japão, no final de 2011 – coincidência?). Ambos os alertas vermelhos surgiram em circunstâncias cada vez mais duvidosas, e são claramente motivados politicamente.

À medida que chega ao fim estas duas primeiras semanas, fica claro para nós que o Japão está tentando desesperadamente ser visto como vítima e criar simpatia por sua situação.

Como se trata de um processo judicial, o advogado japonês mencionou repetidamente que não pode haver espaço para a emoção e que temos que olhar para os fatos.

Para a Sea Shepherd permanece o fato de que as baleias ameaçadas de extinção estão sendo mortas dentro de um santuário de baleias, apesar de uma moratória mundial da caça comercial estar em vigor. Estas são as verdadeiras vítimas do presente caso, e a Sea Shepherd continua a acompanhar este caso, em defesa de nossos clientes, as baleias.

Traduzido por Raquel Soldera, voluntária do Instituto Sea Shepherd Brasil

Relatório do julgamento em Haia, primeiro dia

Pelo Capitão Alex Cornelissen, Diretor Executivo Global da Sea Shepherd

O Diretor Global Executivo da Sea Shepherd, Alex Cornelissen. Foto: Sea Shepherd

Como esperado, hoje os delegados japoneses desafiaram a legitimidade da Corte Internacional de Justiça em relação ao processo judicial sobre a caça comercial na Antártida.

O caso japonês teve início com o vice-ministro das Relações Exteriores, Koji Tsuruoka. Sua apresentação foi, como é habitual com funcionários do governo japonês, repleta de acusações de insensibilidade cultural e declarações absurdas. O que nos impressionou mais foi a alegação de que o Japão tem o maior respeito pela vida nos oceanos (“viver em harmonia com os recursos naturais”), bem como pelos tratados e regulamentos internacionais.

Se há uma coisa que o governo japonês não respeita, é sem dúvida, a vida nos oceanos. Atum-azul, baleias, golfinhos, tubarões, para citar apenas alguns. Na verdade, parece que o Japão está fazendo o que pode nos dias de hoje para eliminar toda a vida nos oceanos. No que diz respeito aos tratados e regulamentos, a própria razão de estarmos em Haia, é a falta de respeito pelos regulamentos e a arrogância em desafio. Outro bom exemplo é a listagem de várias espécies de tubarões pela CITES, e simplesmente rejeitada pelo Japão. Se houvesse o respeito pelas regras e regulamentos internacionais, por que o Japão estaria com tanta freqüência no noticiário sobre esses temas polêmicos? A resposta é simples: quando se trata de questões ambientais, o governo japonês se coloca acima da comunidade internacional e sua opinião. Numa sociedade democrática, você esperaria que a maioria segue o mesmo caminho. Não na opinião do governo japonês. Eles parecem acreditar que eles estão acima da comunidade internacional, e têm o seu próprio conjunto de regras e regulamentos.

Alguns exemplos de hoje:

O foco da defesa japonesa no número de baleias sendo mortas pelo programa JARPA II (não é o tema deste processo judicial, mas uma das maneiras de desviar o foco). Eles afirmam que 935 baleias é um número sustentável, com base na população atual de baleias-minke-antárticas. Primeiro de tudo, não há números confiáveis ​​da população de baleias, assim esse pressuposto básico é falso. Além disso, se outros países também matarem um número semelhante de baleias-minke, vamos basicamente voltar à situação anterior à moratória sobre a caça comercial de baleias. A missão do Japão é e sempre foi a de retomar a caça comercial. O fato de que a opinião do mundo sobre a caça mudou e que a missão da Comissão Internacional da Baleia ter mudado, de regulamentar a caça para proteger as baleias, parece ser inaceitável para o governo japonês.

Alegações de que as nações anti-caça à baleia compraram votos para a Comissão Internacional da Baleia. Lembro-me de uma investigação recente da BBC, que mostrou claramente que é o Japão que compra votos na Comissão Internacional da Baleia. Um membro da delegação do Caribe ainda apareceu com o dinheiro da participação em um saco de papel pardo, cheio de iene. Soa como uma tentativa de reescrever a história.

A maioria dos argumentos de hoje foi uma tentativa de tirar o foco da questão real do caso, e o Japão foi longe para conseguir isso. Eles chegaram tão longe que eles tentaram transformar este caso judicial em um pedido para parar a Sea Shepherd. Uma estratégia que eles tentaram novamente e novamente na Comissão Internacional da Baleia, até o ponto que a maioria dos membros da Comissão da Baleia estão fartos com eles. A situação ficou bizarra quando o conselho japonês começou a listar a Sea Shepherd como uma organização violenta, alegando que de fato somos ilegais. Se isso fosse verdade, por que nossa presença seria permitida dentro do Tribunal Internacional de Justiça? Estaríamos autorizados a navegar com orgulho sob a bandeira holandesa? Será que seríamos capazes de fazer o que fazemos, ano após ano: parar os caçadores de baleias ilegais de matar baleias dentro de um santuário de baleias estabelecido?. Além disso, ouvimos tentativas grosseiramente imprecisas de desacreditar a nossa organização, até vi fotos do Bob Barker sendo empurrados pelo Sun Laurel pelo Nisshin Maru … apenas o Nisshin Maru não foi mostrado, e o conselho japonês disse que o Bob Barker bateu no Sun Laurel. Evidências de imagens gravadas têm provado o contrário.

Eu acho que a explicação para este contorno totalmente irrelevante que vimos hoje é este (embora nós apreciamos o crédito para as nossas ações): os delegados japoneses estão se sentindo insultados pela Sea Shepherd ter permissão de testemunhar como eles estão sendo acusados ​​no mais alto tribunal de justiça. As acusações à Sea Shepherd foram sustentadas por mais de uma década. Os delegados japoneses estão petrificados e chocados com a ideia de que a Sea Shepherd não só representa a chance de ser comprovada junto ao órgão máximo judicial, mas também ser capaz de testemunhar em primeira mão a derrota do Japão.

É claro que com base no conteúdo, o Japão não pode ganhar este caso, eles estão em violação dos regulamentos, e todo o mundo sabe disso. Sua estratégia parece ser uma tentativa de tirar o foco do caso real e bombardear o tribunal com informações irrelevantes destinadas principalmente a desacreditar a Austrália e a Nova Zelândia.

O que o conselho japonês parece esquecer é que este caso diz respeito a todos na comunidade internacional, e a comunidade internacional está farta de seu flagrante desrespeito pelas legislações e tratados internacionais. Uma vez que a Corte Internacional de Justiça decide em favor do interesse comum, espero sinceramente que os juízes vejam que a atividade baleeira japonesa é ilegal e deve ser parada. Este parece ser o desejo do mundo, e com o tempo o Japão percebe isso.

Traduzido por Raquel Soldera, voluntária do Instituto Sea Shepherd Brasil

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