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Parece que o Greenpeace virou Yellowpeace

O Greenpeace está assustado ou simplesmente cansado de aparecer no Santuário das Baleias do Oceano Antártico ano após ano?

Eu não sei o real motivo pelo qual eles decidiram não enviar um navio e tripulação em oposição à frota baleeira japonesa. Eu sei que por dez sólidos meses eles estiveram batendo em portas, enviando milhões de emails de mala direta, financiando uma grande campanha publicitária e angariando fundos nas ruas das cidades ao redor do mundo, articulando, apelando e persuadindo pessoas a doarem dinheiro ao Greenpeace para salvar as baleias.

E o dinheiro entrou. O Greenpeace arrecadou milhões de dólares para financiar sua campanha de defesa às baleias.

E agora, a apenas duas semanas antes da partida programada da frota baleeira japonesa, o Greenpeace anunciou que não retornará ao Oceano Antártico.

Somente na semana passada, Steve Shallhorn, porta-voz do Greenpeace na Austrália, disse que o Greenpeace não regressaria. Ao mesmo tempo, o Japão anunciou que talvez mande uma canhoneira da guarda costeira japonesa para proteger sua frota baleeira.

Teria o Greenpeace se assustado com a ameaça da canhoneira japonesa?

Em memória a seus membros, a porta-voz de mídia do Greenpeace, Sara Holden, escreveu “Nós queremos que saibam antes de anunciarmos à imprensa que nós não enviaremos um navio à zona baleeira no Oceano Antártico este ano. Ao invés disso, estaremos direcionando todos nossos esforços através de um trabalho NO JAPÃO, onde acreditamos que a caça às baleias terminará para sempre, e onde dois de nossos ativistas encaram a prisão por expor a corrupção e o escândalo da indústria baleeira.”

Bem, Sara, não foi para isso que você arrecadou dinheiro e certamente vocês têm fundos suficientes para fazer ambos.

E o que faz você pensar que a caça às baleias terminará pelos próprios japoneses? O governo japonês, a mídia e as pessoas não mostraram ao menos um mínimo interesse em terminar com a caça às baleias. As baleias não têm tempo a perder questionando a opinião pública. Elas estão morrendo agora!

Não, Sara, a caça às baleias terminará com pressão econômica, fazendo com que a indústria baleeira tenha mais prejuízos que lucros. Eles têm reportado que tiveram mais prejuízos que lucros por três anos e estão com dívidas pesadas com os subsídios do governo japonês. Nós os temos nas cordas econômicas e precisamos continuar batendo e não recuando.

Se o Greenpeace acha que convencerá o público japonês a voluntariamente terminar com a caça às baleias, então será uma prolongada campanha. Mas, novamente, talvez uma longa campanha seja melhor para o andamento dos esforços para levantar fundos para acabar com a caça às baleias por bem. É difícil levantar fundos para uma causa que foi vencida.

A Sea Shepherd pretende derrubar essa operação baleeira criminosa e nossa estratégia é simplesmente ter certeza que seus lucros foram negativados e suas perdas aumentaram a cada ano. Enviar para lá uma canhoneira para defender a frota custará aproximadamente 8 milhões de dólares.

Eu também não entendo o que a prisão de Junichi Sato e Toru Suzuki tem a ver com a oposição à caça às baleias. Eles não foram presos por oposição à indústria baleeira. Eles foram acusados de roubo à propriedade privada de dentro dos correios.

O Greenpeace acusa a Sea Shepherd de ser violenta, indo até mesmo ao ponto de se referir a nós como eco-terroristas, mesmo com o fato de nunca termos machucado uma única pessoa, nunca fomos condenados a um crime grave e nunca fomos processados civilmente.

Nós também nunca roubamos propriedade alheia.

Ainda assim, o Greenpeace está defendendo o roubo de propriedade privada em uma campanha que não parece fazer sentido. O Greenpeace está tentando provar que alguns tripulantes da frota baleeira estariam roubando carne de baleia para benefício próprio. Quem se importa? Seria o mesmo que pedir ao FBI investigar membros da máfia por ter roubado para benefício do poderoso chefão!

Toda a operação baleeira japonesa é um crime. Não é negócio do Greenpeace investigar crimes domésticos internos ao invés da indústria baleeira. O Greenpeace deveria direcionar o foco aos crimes que os japoneses estão praticando com as baleias e o meio ambiente.

O Greenpeace está dizendo que quer manter o foco na defesa de seus dois voluntários japoneses que foram acusados. Bem, eles certamente têm fundos para fazer isso e ainda resta o bastante para enviar, também, um navio ao Oceano Antártico. E no final das contas, em primeiro lugar, foi para enviar o navio que eles arrecadaram o dinheiro.

O Greenpeace fica insistindo que Sato e Suzuki foram presos por criticar o massacre das baleias e por expor um escândalo de corrupção. Ainda que as acusações de corrupção fossem arquivadas e a questão maior é que ambos foram presos por roubar propriedade dos correios. Isso não qualifica uma pessoa a ser designada como “preso político”.

O Greenpeace está em campanha para que eles sejam declarados vítimas da censura política. Isso é um absurdo. A acusação é de roubo, simples e claro e não tem absolutamente nada a ver com a oposição à caça às baleias.

O Greenpeace diz que a briga deverá ser no Japão. A Sea Shepherd se opõe ao massacre dos golfinhos nas praias de Taiji desde 2003. Nós libertamos os animais das redes e fomos presos. Quando isso aconteceu, o Greenpeace simplesmente nos condenou por cortar as redes, dizendo que estávamos agindo de forma violenta e destruindo propriedade alheia quando 15 golfinhos foram salvos e libertos.

Em outras palavras, cortar redes para salvar as vidas dos golfinhos não é aceitável mas roubar propriedade dos correios para expor o roubo mesquinho dos baleeiros japoneses está tudo bem.

E é muito interessante que o Greenpeace não disse uma palavra de crítica contra o massacre de mais de 20 mil golfinhos pro ano e não se opuseram a isso. Uma pessoa do Greenpeace japonês nos disse que protestar contra isso seria ofensivo a muitos cidadãos japoneses.

Então, o que o Greenpeace está tentando fazer?

Eles têm os navios, eles têm a tripulação e certamente têm o dinheiro.

Na última temporada, quando o navio Esperanza do Greenpeace retornou para reabastecer, eles disseram que não tinham recursos para retornar e deram a operação por encerrada. Eles tinham seus registros fotográficos e foi pra isso que eles foram.

Eles tinham 18 milhões de dólares em sua conta na Austrália e ainda assim divulgaram que não tinham dinheiro para o combustível para retornar.

O navio da Sea Shepherd, Steve Irwin, voltou com um tanque vazio e uma conta bancária vazia e em duas semanas fomos capazes de angariar fundos para reabastecer e retornar novamente.

Por que a Sea Shepherd pode ser eficiente com pouquíssimos recursos e voluntários e o Greenpeace não pode retornar com fundos de valores superiores e uma tripulação muito bem paga?

Em fevereiro de 2007, quando o navio da Sea Shepherd, Robert Hunter estava perseguindo o Esperanza através de uma pesada névoa, pensando que talvez fosse um baleeiro, um repórter da BBC perguntou ao capitão do Greenpeace porque ele não permitia simplesmente que a Sea Shepherd soubesse quem eles eram para poder poupar o combustível do navio da Sea Shepherd. Ele respondeu: “Eu não tenho nada a dizer a esses filhos de uma p***”.

No documentário Battleship Antarctica você pode ouvir a voz de Emily Hunter vinda pelo rádio da ponte de comando do Esperanza.

“Esperanza, Esperanza, aqui é Emily Hunter, filha do fundador e primeiro presidente do Greenpeace, Robert Hunter. Estou orgulhosa de estar nesse navio que leva o nome de meu pai e tudo o que tenho a dizer é que vocês são uma farsa”.

Comentários do Capitão Paul Watson – Co-fundador do Greenpeace

Traduzido por Heloisa Priedols – voluntária do Instituto Sea Shepherd.

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