Notícias

Serão as baleias jubartes alvos dos arpões japoneses esse ano?

“Torne seu corpo uma rocha e milhares de coisas não o atingirão.”
– Miyamoto Musashi

Este ano nós devemos implementar as “Mudanças montanhosas do mar”e “Penetrar nas profundezas”. Estas são estratégias do lendário estrategista japonês Miyamoto Musashi, porém, a base da minha estratégia é a estratégia de não ter estratégias, uma eficiente estratégia zen, que é a mesma articulada primeiramente por Musashi.

Para essa temporada, estou focando nos ensinamentos de Ai Uchi. Isso significa que minha tripulação e eu nos aproximaremos dos baleeiros sem raiva, sem medo e com uma profunda dedicação em servir os interesses de nossas clientes – as maravilhosas baleias.

Nós devemos pensar como os baleeiros e assim antecipar o que pretendem fazer.

E é muito fácil prever a psicologia de ação dos baleeiros japoneses. Nós esperamos que eles sejam mais agressivos esse ano.

Nós também esperamos que eles cuspam na cara dos australianos e declarem que pretendem matar 50 jubartes, 50 fins e 935 baleias minke. Eles podem aumentar o contingente mas o orgulho diz que eles não baixarão suas cotas e as 50 jubartes que eles tiraram da tabela no ano passado, esse ano serão colocadas de volta, porque novamente eles não conseguiram o que queriam da Comissão Internacional Baleeira.

Os baleeiros viram a decisão do governo australiano dissolver no ano passado. E eles procurarão explorar essa fraqueza.

Isso é mais que a questão de matar baleias para o Ministério da Pesca japonês. São burocratas que se enxergam como os guardiões do nacionalismo japonês e enxergarão qualquer redução de sua cota de matança como um insulto pessoal.

O que isso significa para a tripulação da Sea Shepherd?

Significa que nós temos que equiparar a agressão às baleias com a agressão a nós mesmos. Não é uma tarefa fácil. Nós precisamos desenvolver uma estratégia que seja eficiente e ainda assim não-violenta. Nós precisamos defender a lei internacional de conservação mas ao mesmo tempo temos que operar dentro dos limites do direito marítimo internacional.

E é isso que nós faremos. Em cerca de 32 anos de campanhas, nenhum membro da tripulação da Sea Shepherd foi incentivado à agressão a mão armada, processado por um ato criminoso e o mais importante, nós nunca provocamos uma única lesão.

E isso é um recorde que pretendemos manter.

A Operação Musashi está dentro do cronograma. Nós encontraremos a frota baleeira japonesa quando eles chegarem no Santuário das Baleias do Oceano Antártico em dezembro.

Seus objetivos são matar baleias e o nosso é evitar que eles façam isso.

Essa será nossa quinta viagem a essas águas. Quatro viagens completas aos mais remotos e hostis mares do planeta sem um único acidente ou injúria.

Mas, o mais importante dessas quatro viagens, foi o resultado de mais de mil baleias salvas. Isso, meus amigos, é a maior satisfação e todas as críticas do mundo não podem tirar de nós o fato de que nós triunfamos defendendo e protegendo tantas vidas.

O calcanhar de Aquiles dos baleeiros japoneses são os lucros. Nós vamos continuar cortar seus lucros e continuaremos a tornar a atividade baleeira mais custosa que lucrativa.

Nossa estratégia é localizar, interceptar, bloquear e assediar e, é claro, também entregar umas pequenas surpresas.

A Sea Shepherd Conservation Society viaja ao sul para representar nossas clientes – as maravilhosas baleias. O que nós fazemos, fazemos por elas. Os riscos que assumimos, fazemos por elas.

Esse é um nobre empreendimento e nossa recompensa será, como foi nos últimos três anos, a satisfação de saber que as baleias continuarão a viver ao invés de serem vítimas dos cruéis arpões.

A Sea Shepherd é única a esse respeito. Quando nossos navios entram em cena, a matança para.

Nós não temos nenhuma gravação de baleias sendo arpoadas porque quando estamos por perto eles não matam baleias – eles fogem e nós os perseguimos.

No espírito de Miyamoto Musashi, nós incrementamos a Operação Musashi com cinco abordagens e cinco atitudes como descritas no livro Gorin No Sho, O Livro dos Cinco Anéis.

Passo a passo nós viajaremos as milhares de milhas náuticas necessárias através de ventos ferozes e mares gélidos, através da densa neblina e chuva com neve, chocaremos aço com aço, onde canhões silenciarão e os gritos das baleias não serão mais ouvidos – então demonstraremos que nós, os guerreiros das baleias, somos tão determinados em servi-las como qualquer samurai tradicional e com isso, deixaremos Musashi orgulhoso.

Comentários do Capitão Paul Watson Fundador e presidente da Sea Shepherd Conservation Society

Traduzido por Heloisa Priedols, voluntária do Instituto Sea Shepherd.

Back to list