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Instituto Sea Shepherd Brasil recolhe redes ilegais do rio Tubarão, no segundo monitoramento dos Botos de Laguna realizado neste sábado

No sábado (10/01), voluntários do Núcleo SC e um biólogo embarcaram para percorrer, mais uma vez, as lagoas e rios que formam o complexo lagunar da região, e verificar a situação dos Botos de Laguna, diante da série de impactos ambientais que estão vitimando uma das mais raras populações de cetáceos do Planeta.

“Este foi o segundo monitoramento embarcado que realizamos no complexo lagunar, como ação da campanha Cetáceos para Sempre que lançamos em 20 de dezembro em Laguna. No primeiro, contabilizamos 30 jet skis e 50 redes clandestinas no rio Tubarão. Neste, decidimos recolher as redes que encontramos, já que não havia qualquer identificação, eram redes ilegais.”, informa o ISSB.

Rede ilegal retirada do rio Tubarão pelo Instituto Sea Shepherd Brasil com objetivo de proteger os Botos Pescadores de Laguna. Foto: ISSB

Voluntários do ISSB vistoriam o rio Tubarão. Foto: ISSB

A lista de botos pescadores mortos já contabiliza vinte e dois animais. Latinha, Chega Mais, Bate Cabeça, Chinelo, Enrrilha, Bota do Rio, Bota Velha, Lata Grande, Jucelino, Tafarel, Mandala, Prego, Galha Torta, Marusca, Judeu (Boto Louco), Dolores, Gavioa, Frederico, Rampineli, Riscadeira, Tramandaí e Zariguim, todos eram responsáveis pela pesca cooperativa, comportamento presente apenas em mais duas outras populações no Planeta. Pescadores da região informam que nesta lista consta os principais botos. “Todos respondiam pelos nomes que demos, eram mais que animais, eram nossos amigos e parceiros em nosso ganha-pão. Hoje, apenas Caroba e Peidão estão vivos. Como podemos aceitar isso?”, desabafa comovido um pescador local.

Boto encontrado morto na Praia, em 16/12/2014. Foto: Elvis Palma.

“Assumimos um compromisso com os Botos de Laguna, e faremos de tudo para defendê-los. Sabemos que há uma diminuição considerável de peixes, o que leva a mais redes de pesca clandestinas, porém a solução não é esta e, sim, a diversificação das atividades. Os Botos Pescadores, além dos benefícios que já trazem para a economia da cidade, também atraem turistas, o que pode gerar outras fontes de renda. Da forma como está, acabarão os peixes e os botos.”, avalia Alexandre Pessoa, voluntário do ISSB.

A ação de monitoramento contou com a presença do biólogo Luiz Augusto Farnettani, que além de realizar a observação de baleias franca por terra há mais de dez anos em Santa Catarina, também acompanha os Botos de Laguna.

“A situação é muito grave, sob diversos aspectos. Os Botos de Laguna estão nesta região por milhares de anos, são considerados residentes, o que implica no desenvolvimento de uma cultura e linguagem próprias, específicas demais a ponto de ser incompreensível para um golfinho errante, ou seja que vive em alto mar. Logo, não há chance de uma interação para recuperação da população de Laguna”, avalia Luiz Augusto, “Outro ponto a ser levado em consideração diz com a disputa entre indivíduos desta população, gerada pela morte dos líderes. No monitoramento avistamos 10 botos, sendo que alguns estavam muito machucados e outros lutando entre si. A desestrutura social também pode ser considerado um dos fatores preponderantes para o fim desta população.” conclui Luiz Augusto.

“O Instituto Sea Shepherd Brasil lançou a Campanha Cetáceos para Sempre, assumindo o compromisso de defender e proteger os Botos de Laguna, devido às inúmeras denúncias recebidas dos moradores de Laguna, demonstrando a preocupação geral com o extermínio destes cetáceos. Agora, precisamos que o Poder Público assuma a sua função.”, comenta Hugo Malagoli, Diretor Regional SC do ISSB.

A campanha Cetáceos para Sempre necessita do seu apoio, contribua filiando-se ao Sea Shepherd Brasil através da compra de produtos.

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