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A Maluca Comissão Baleeira Internacional inicia seu encontro anual, desta vez na Ilha da Madeira, Portugal

Capitão Watson é prontamente detido em Portugal por quatro horas.

A viagem para o 61º encontro anual da Comissão Internacional Baleeira (CIB) tornou-se uma aventura assim que o jato da TAP Air Portugal (Transportes Aéreos Portugueses) aterrissou no Aeroporto de Funchal e Deborah Basset e eu, caminhamos da pista para a sala de desembarque.
Eu não tive nenhuma razão para me preocupar enquanto caminhava rumo ao controle da imigração e lhes entreguei meu passaporte. O oficial da imigração pegou meu passaporte e passou a tarja magnética através do leitor e então percebi um olhar sério em seu rosto.

“Desculpe-me senhor, parece haver um problema,” ele disse. “Acredito que alguém deve ter um nome similar ao seu. O senhor se importa em aguardar enquanto processamos o resto dos outros passageiros?

Então Deborah e eu retornamos ao final da fila. Quando chegamos ao oficial novamente, o mesmo solicitou que o seguíssemos para uma pequena sala onde nos sentamos por quase quatro horas enquanto nosso caso era investigado.

Em um dado momento o oficial entrou na sala me perguntando se eu já havia tido problemas em Portugal e então ele disse, “Alguma coisa sobre uma embarcação de bandeira holandesa há aproximadamente 10 anos atrás?”

“Hmmm, não me lembro de nada sobre uma embarcação de bandeira holandesa 10 anos atrás”, respondi.

Alguns momentos mais tarde, o oficial retornou e disse, “Perdoe-me, o senhor cometeu alguma ilegalidade nos anos 70 em Portugal?”

“Eu creio que não. Eu defendo as leis, não as quebro”, respondi.

“Bom, parece que o senhor fez algo no norte de Portugal nos anos 70”, ele disse.

“Oh, provavelmente devem estar se referindo a quando persegui o baleeiro pirata Sierra, Porto de Leixões adentro e o abalroei duas vezes. Não acredito que isso tenha sido ilegal, nunca fui informado de nenhuma acusação. A Capitania do Porto iria me acusar por grave negligência sobre isso, mas informei-o de que nada havia de negligência nisso, atingi a embarcação (Sierra) exatamente onde pretendia atingi-la. Fui informado pela Capitania do Porto que como não puderam determinar quem era o proprietário da embarcação danificada que eu estava livre para seguir meu caminho.”

O oficial da alfândega me olhou e desacreditado disse, “Parece haver um mandado pendente para algo em conexão com um incidente no norte de Portugal, por favor, aguarde até que eu tenha mais informações.”

Como não tinha muita escolha sentei-me novamente. Deborah perguntou-me o que eu pensava que poderia ocorrer.

“Bem”, eu disse, “temos três opções visíveis. Vou preso e temos mídia espontânea, sou deportado e temos mídia espontânea, ou permitem minha entrada em território português (Ilha da Madeira) e temos mídia espontânea, e todas as três opções tem um grande potencial”.

Finalmente, o oficial retornou e disse que estávamos liberados e poderíamos entrar em território português (Ilha da Madeira). “Aparentemente havia com certeza um mandado para minha prisão que havia sido emitido em 1980. O mandado conectava-se com a total destruição do baleeiro pirata Sierra que abalroamos em 1979. Em 06 de fevereiro de 1980, após reparos de mais de um milhão de dólares, o Sierra foi afundado ao lado das docas no Porto de Lisboa”.

O mandado, entretanto expirou em 2008.

Deborah e eu passamos pela alfândega onde dois oficiais amigáveis fãs de Whale Wars inspecionaram nossas bagagens e posteriormente tomamos nosso taxi para o hotel onde fizemos o check-in para a conferência.

Na manhã seguinte pudemos ver dezenas de policiais portugueses guardando a entrada do hotel. Ironicamente, os principais oponentes aos baleeiros japoneses (nós mesmos) estavam do lado de dentro. Reservamos os quartos com um ano de antecedência e como hóspedes registrados não poderíamos ser colocados para fora do hotel.

O governo português decidiu deliberadamente realizar o encontro na ilha da Madeira para dificultar o acesso aos manifestantes que viessem do continente europeu. A policia também foi instruída a impedir a entrada de qualquer um que usasse logos da Sea Shepherd no hotel onde se reuniria a CIB.
O 61 encontro anual da Comissão Internacional Baleeira (CIB) foi aberto da mesma maneira sem graça que as reuniões anteriores. Dr. Roger Payne sarcasticamente comentou que os mesmos papéis e discussões de 1971 poderiam servir dentro da agenda atual.

Na parte positiva, a delegação australiana estava realmente falando consistentemente pela primeira vez desde que o Senador Ian Campbell foi delegado para a Comissão. Os japoneses estavam murmurando sobre inserir as jubartes na sua lista de matanças novamente. A Groenlândia quer matar jubartes. A Islândia quer matar baleias fin. A Coréia agora quer matar baleias, a Noruega quer matar mais baleias minke e o Japão quer matar tudo que nade e respire oxigênio.

Por causa de termos sido banidos de participar das reuniões da CIB, os voluntários da Sea Shepherd vindos da Austrália, Canadá, Reino Unido, Holanda, Nova Zelândia, Alemanha e Estados Unidos permaneceram próximos à entrada do hotel para intimidar os baleeiros, coisa que sempre acaba divertindo.
Uma dúzia de membros da delegação japonesa estava para entrar no restaurante externo ao lado da piscina quando me viram sentado na mesa. Foi cômico vê-los parar, suas mandíbulas totalmente abertas, então se viraram e rapidamente voltaram apressadamente a procurar outro restaurante.

Ao final do dia os delegados e as ONGs aprovadas juntamente com a mídia seguiram em alguns ônibus para o coquetel de recepção oferecido pelo governo português. Nós naturalmente não fomos convidados, mas permanecemos próximos à porta e os vimos sair sorrindo para a delegação japonesa, um deles furtivamente tirou uma foto minha. O comissário baleeiro dos Estados Unidos, Bill Hogarth, parou e me apertou a mão em público para o horror dos delegados japoneses que observavam.

E assim se encerrou o primeiro dia do encontro da CIB. Minha previsão é que novamente, nada será resolvido e nada será decidido. O Japão deverá apresentar outra moção de repúdio para condenar a Sea Shepherd, os baleeiros deverão choramingar por mais vítimas, as nações defensoras das baleias irão posar e baleeiros criminosos continuarão a assassinar baleias sem nenhuma outra oposição a não ser a dos membros da Sea Shepherd.
É irônico e absurdo que a única organização que atualmente está salvando as vidas das baleias, que vem intervindo contra a matança ilegal das baleias, é a única organização não aceita a participar dos encontros do CIB.

Esta noite enquanto os baleeiros e seus opositores apertavam as mãos e bebiam vinho português e ambos criticavam as táticas excessivas da Sea Shepherd, os nossos voluntários estavam reunidos para organizar a coletiva que anunciará nos próximos dois dias a nossa sexta campanha de defesa das baleias no Oceano Antártico.

É uma grande coisa ser a dama da noite deste movimento. Há vários delegados do lado conservacionista que concordam conosco, mas não querem ser vistos conosco à luz do dia. Porem a grande vantagem de sermos banidos do encontro da CIB é que não precisamos assistir as suas reuniões sem graça. Nós só necessitamos monitorar as regras e depois nos dirigir para o Oceano Antártico em dezembro para chutar os traseiros dos baleeiros japoneses novamente.

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