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Sea Shepherd Brasil, oficializa o Ibama/ES sobre tartaruga gigante encontrada morta em redes de pesca em Regência.

Uma tartaruga-de-couro (Dermochelys coreacea) foi encontrada morta, por volta das 6 horas da última segunda-feira (7), na foz do Rio Doce, em Regência, região Norte do Estado. O morador Allexsandro Pratti, que mora na região há mais de 15 anos foi quem avistou o animal e enviou as fotos para uma equipe de reportagem capixaba. O mesmo estima que a tartaruga pesava quase 500 quilos.

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Créditos: Allexsandro Pratti / Gazeta Online

Allexsandro diz estar revoltado com a morte do animal, que estava envolta por uma rede de pesca. “Ela sempre desova aqui. Quebraram o ciclo dela. Os pescadores de regência, que continuam pescando escondido e sem permissão, matam golfinhos e tartarugas. É algo horrível”, desabafa Allexsandro para um jornal online do Estado.

Créditos: Allexsandro Pratti / Gazeta Online

Créditos: Allexsandro Pratti / Gazeta Online

Allexsandro contou à imprensa que estava indo surfar com um amigo, mas, como não havia onda, decidiu ir até a boca do rio para ver como estava a situação. “Um colega nosso, que monitora a praia, tinha nos avisado da morte dela. Por meio do relato, fomos ver. Havia vários urubus. Foi triste”, declara.

Créditos: Allexsandro Pratti / Gazeta Online

Créditos: Allexsandro Pratti / Gazeta Online

O Núcleo do Estado do Espírito Santo do Instituto Sea Shepherd Brasil, através do seu Diretor Regional, após noticiar o caso em questão, oficializou urgentemente a Superintendência do Ibama/ES, cobrando a devida apuração, fiscalização e punição do ato delituoso.

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“O litoral Norte capixaba, infelizmente, está jogado ás traças, é uma terra sem dono, sem lei, de ninguém, onde a impunidade contra o meio ambiente impera. Já não basta a região sofrer com o maior crime ambiental já registrado em nosso país, o desastre em Mariana onde afetou todo o Rio Doce, do qual também estamos fiscalizando e que completou no último dia 5 de Novembro, 1 ano de impunidade. Não há fiscalização no local. Não há vontade política, social e ecônomica para se fazer cumprir as leis ambientais. O litoral Norte do Espírito Santo está sendo dominado por uma verdadeira máfia pesqueira, embarcações ilegais arrendadas por empresários brasileiros e muitas das vezes financiadas pela máfia asiática dominam o local.” Relata o Diretor Regional do Núcleo do Espírito Santo do Instituto Sea Shepherd Brasil.

“Não iremos cansar de pressionar os órgãos competentes do qual possuem o dever em fiscalizar e punir os responsáveis pelos crimes ambientais. Sabemos que existem muitas dificuldades desses órgãos fiscalizadores para se trabalharem. Os problemas vão desde financeiros, até o por falta de efetivo (pessoal). A  situação é alarmante e isso está relacionado à falta de estrutura do Ibama. Isso demonstra a ineficiência do poder de polícia do órgão. É um problema do corpo jurídico, mas também do corpo técnico. Os oceanos estão morrendo e alguma atitude precisa ser tomada urgentemente, pois se os oceanos morrerem, nós morremos.” Finaliza o Diretor Regional do Núcleo do Espírito Santo do Instituto Sea Shepherd Brasil.

Saiba mais sobre a extinção da Tartaruga-de-couro (Dermochelys coreacea):

Créditos: Internet / Projeto Tamar

Créditos: Internet / Projeto Tamar

Status internacional: Vulnerável (classificação da IUCN – União Internacional para a Conservação da Natureza).

As últimas sete espécies de tartarugas marinhas que restam no mundo estão em risco de extinção, e a culpa é da população humana. Por causa dos altos índices de contaminação dos oceanos, a redução das áreas costeiras, a pesca excessiva, e o despejo de resíduos tóxicos, as tartarugas podem vir a ser extintas em um curto período de tempo.

A tartaruga-de-couro tem um alto índice de nidificação e desova principalmente no litoral Norte do Estado do Espírito Santo, porém, a população local precisa se tornar ciente dos fatores que estão afetando estas gigantes gentis. O mesmo é válido para as pessoas de todo o mundo, pois todos nós deveriamos saber mais sobre as tartaruga-de-couro e o quão importantes elas são, tanto para a natureza quanto para os humanos.

Apesar desta espécie de tartaruga ameaçada ser muito importante para o meio ambiente, as pessoas não estão levando a tarefa de protege-las a sério. As ameaças humanas para as tartarugas-de-couro não só estão prejudicando a espécie, mas também estão fazendo com que seja mais difícil dela sobreviver. A construção de hotéis e casas nas costas não só causam erosão do solo, mas também estão limitando o tamanho das áreas costeiras para as tartarugas criarem seus ninhos. Há também o problema de que a maioria dos edifícios nas áreas costeiras tem luzes que confundem as tartarugas-de-couro quando elas saem do oceano para colocar os seus ovos. A intensidade das luzes desorienta as tartarugas, fazendo com que elas tenham a impressão de que se elas colocarem seus ovos naquele local, eles estarão em perigo. O uso de veículos de quatro rodas nas praias também gera um grande risco de que os ninhos de ovos sejam esmagados. Outra ameaça atual é a contaminação de lixo nas praias que, por sua vez,  coloca as tartarugas-de-couro e seus ninhos em risco. Sendo que a principal fonte de alimento das tartarugas-de-couro são as águas vivas, quando alguém deixa uma sacola plástica na praia, a tartaruga pensa que a sacola é uma água viva e tenta comê-la, o que geralmente leva ao sufocamento e/ou a morte da tartaruga. Este tipo de ameaça tem piorado e vem aumentando com o lixo que é jogado nos oceanos e nas praias.

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