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Operação Musashi – A totalmente possível Missão Impossível

Podem alguns poucos voluntários derrubar a maior frota baleeira do mundo?
A resposta é sim. Nόs temos a poderosa frota de baleeiros japoneses nas cordas do ringue e tudo o que precisamos fazer é nocauteá-los.

Os baleeiros piratas japoneses estão seriamente feridos. Possuem um débito de mais de 50 milhões de dólares e conseguimos evitar que atingissem a cota de matança por três anos seguidos.

Em nossa primeira campanha, em 2005/2006, perseguimos a frota por 3.500 milhas a oeste da costa Antártida.

Embora debilitados pela lentidão do navio, nós os confrontamos três vezes e os mantivemos em fuga. Nós abalroamos o navio de suprimentos forçando-os a retornar ao Japão e, ao final da temporada, voltaram com 83 baleias a menos que a cota. Nós reduzimos o número de baleias mortas em 10%.

Sabíamos que precisaríamos de um navio mais rápido se pretendêssemos retornar em 2006/2007. Também tínhamos problemas, uma vez que o Farley Mowat ficou retido na África do Sul em razão da pressão dos Governos Japoneses e Canadenses.

Começou, assim, a impossível missão da Operação Leviathan. Enquanto eu procurava por um navio mais rápido, Capitão Alex Cornelissen definiu uma estratégia para retirar o Farley Mowat do porto de Cape Town, partindo dissimuladamente às 3:00 horas da manhã, seguindo um cargueiro na escuridão, com todas as luzes apagadas. Eles obtiveram sucesso em despistar a marinha sul-africana escapando para o Oceano Índico.

Seguiram-se à desafiadora fuga do Farley Mowat as condições meteorológicas extremamente severas, até alcançarem o amistoso porto de Freemantle, na Austrália, onde o navio e a tripulação foram recebidos como heróis e presenteados pelo Major Peter Tagliaferri com a honra de ter o Freemantle como nosso porto honorário.

Enquanto isso, eu inspecionara um navio em Malta, mas era muito caro para adquiri-lo. Em junho, eu achei um segundo navio em Trinidad e depois de passar dois meses trabalhando para comprá-lo, fomos forçados a desistir da aquisição devido a ilegalidades com proprietário do navio.

Com a rápida aproximação da próxima campanha de caça às baleias, nós finalmente encontramos o navio perfeito em Edinburgh, Escócia em outubro. Era o Westra, navio aposentado da patrulha pesqueira. Nós o compramos na primeira semana de novembro, com um empréstimo bancário graças ao apoio leal e generoso de um de nossos apoiadores. Pelo meio de novembro o navio ficou em manutenção e em 5 de dezembro o Westra, agora rebatizado de Robert Hunter, desceu rumo ao sul, por todo o Oceano Atlântico através do estreito de Magalhães, alcançando o Mar Ross em 19 de janeiro de 2007.

Eu tirei o Farley Mowat de Melbourn e encontrei o Robert Hunter no Mar Ross, onde nossa tripulação construiu um heliporto no Robert Hunter em apenas dois dias.

Não foi fácil. O governo japonês tinha pressionado o governo canadense para retirar nossa bandeira. Nós registramos novamente em Belize porém, em 9 dias, a bandeira de Belize foi retirada, mas não antes de estarmos preparados para partir da Tasmânia rumo ao sul, em direção à costa da Antártida. Nós adentramos o Santuário das Baleias como um navio pirata, sem qualquer registro.

Juntos, os dois navios caçaram e alcançaram a frota japonesa duas vezes. Então, um acidente ocorreu no navio-fábrica japonês Nisshin Maru, um incêndio que matou um membro da tripulação e inutilizou o navio. A frota baleeira japonesa foi forçada a retornar ao Japão com menos da metade de sua cota de caça. Mais de 500 baleias foram poupadas. O governo japonês estava furioso e forçou os britânicos a retirarem a Red Duster do Robert Hunter, deixando-nos sem bandeira.

Rapidamente, nós registramos nossos dois navios com a bandeira holandesa, uma nação não vulnerável à ditadura japonesa ou qualquer outra nação baleeira pirata.

Em junho de 2007, eu encorajei o capitão Cornelissem a levar o Farley Mowat para Galápagos e então para a Islândia, para a Operação Ragnarok, a campanha para intervir nas ações baleeiras ilegais do país.

O Robert Hunter permaneceu em Melbourne preparando-se para o retorno ao Santuário das Baleias em dezembro.

Mais uma vez, iniciamos o trabalho hercúleo para arrecadar fundos para a próxima campanha.

Ao mesmo tempo que o Farley Mowat alcançou Galápagos, a Islândia decidiu cancelar suas ações de caça às baleias e o Farley Mowat voltou sua atenção à confiscar linhas de pesca ilegais, intervindo contra caçadores ilegais de tubarões e cessando os planos de uma companhia chamada Planktos em despejar limalha de ferro no oceano fora de Galápagos.

Naquele verão, nós investigamos e apreendemos 45 mil barbatanas de tubarão e mais de 100 mil pepinos do mar dos caçadores ilegais e contrabandistas no Equador. Eu fui recompensado pelo presidente do Equador com o Prêmio Amazon Peace e um contrato pela minha morte e a do diretor da Sea Shepherd Galápagos, Sean O’Hearn, foi oferecido pela máfia das barbatanas de tubarão de Manta, Equador. Sean viu-se forçado a demitir-se, com apoio de sua esposa e um agente da polícia que nos apóia enviou-me um colete à prova de balas.

No final do ano, a Planktos cessou suas atividades. O capitão Alex Cornelissem aceitou a posição de diretor da Sea Shepherd Galápagos e eu finalmente estava pronto para assumir o leme do Robert Hunter e retomar a viagem para a Antártida, na campanha que batizamos de Operação Migaloo.

Em um movimento que o saudoso Robert Hunter aprovaria, rebatizei o navio de Steve Irwin, que reflete a paixão dos australianos na oposição à caça ilegal de baleias e para focar como símbolo as baleias da Austrália – Migaloo, a amada baleia jubarte branca, que os japoneses avisaram que arpoariam se tivessem uma chance.

Seguimos ao sul em 5 de dezembro, depois que Teri Irwin lançou o navio sob o nome de Steve. A bordo, estava uma equipe de filmagem do Animal Planet para começar a trabalhar uma série chamada Guerra das Baleias.

Foi uma perseguição longa, perigosa e de sucesso com o Steve Irwin percorrendo mais de 22.000 milhas em três etapas atrás da frota japonesa, através da imensidão do remoto e imprevisível Oceano Antártico. Nós abordamos um navio arpoador criando um incidente internacional que foi manchete no mundo todo. E o mais importante: nós impedimos as operações baleeiras ao ponto de, mais uma vez, os caçadores de baleia falharem, sem atingir sua cota de matança.

Da cota de 50 baleias jubarte, eles não pegaram nenhuma. Eles não caçaram uma única baleia fin de sua cota. Eles caçaram 583 baleias minke. Nós salvamos a vida de 522 baleias minke e um total de 622 baleias das três espécies.

Foi um desastre econômico e de relações públicas para a frota baleeira japonesa e sua frustração restou demonstrada quando eles jogaram bombas de efeito moral e deram tiros em nossa tripulação, com uma bala atingindo meu peito e uma bomba de efeito moral arremessando o cameraman Ashley Dunn ao convés, ferindo sua coxa. Por sorte, meu colete à prova de balas parou o projétil e não houve nenhuma lesão séria do confronto.

Nós descobrimos que poderíamos encontrá-los e cessar suas operações. Nossa única limitação era a necessidade de reabastecer. Isso levou cerca de 10 dias para retornar ao porto, alguns dias para reabastecer de combustível e provisões e outros 10 dias para retornar para a frota. Foi aí que 583 baleias morreram. Se pudéssemos contar com um segundo navio, conseguiríamos pará-los 100%.

E essa é nossa atual missão impossível. Nós podemos e vamos retornar ao Santuário de Baleias do Oceano Antártico em dezembro, com o Steve Irwin. A questão agora é encontrar e garantir um segundo rápido navio, para cobrir o Steve Irwin quando for forçado a retornar ao porto para reabastecer.

Finalmente, nós estamos trabalhando para levantar mais fundos para comprar um segundo navio. Nós também precisamos levantar fundos para combustível, reparos e provisões aos dois navios.

Nós não temos nenhum problema em tripular os navios. Estamos lotados de inscrições. Isso é um alívio, pois agora estamos aptos a tripular o navio com uma diversidade de indivíduos capazes e habilitados. Nossa última campanha foi limitada por alguns desistentes e alguns corações fracos, que não entenderam que ser um membro da tripulação da Sea Shepherd requer um tipo raro de paixão e coragem. Se alguém não está disposto a arriscar sua vida para defender uma baleia, então, esta pessoa não pertence a nossa tripulação. E se não entendem porquê nós perguntamos essa questão, eles não pertencem à nossa tripulação.

Pessoalmente acredito que correr riscos para proteger espécies ameaçadas é, de longe, mais nobre e valioso que arriscar uma vida para proteger o Estado, dinheiro e poços de petróleo e eles dão medalhas às pessoas que fazem isso.

Nós lutamos pela vida, pela diversidade e pelo futuro da humanidade e de todas as coisas vivas e, na minha opinião, essa é a melhor justificativa para navegar em direção ao perigo. O que nos leva à Operação Musashi.

Miyamoto Musashi é uma lenda no Japão e eu escolhi o nome porque Musashi escreveu sobre estratégia de duas formas, usando a caneta e a espada. Em outras palavras, Musashi sabia que além da intervenção agressiva, seria necessário informar e educar.

Ano passado, pela primeira vez no Japão, a questão da caça ilegal de baleias pelo Japão atingiu as manchetes. Porque nossas estratégias, dramáticas e agressivas, eram novas e nos permitiu enviar aos jornais notícias sobre o abate das baleias.

Isso nos trouxe apoio dos japoneses que eram contra à política de matança das baleias de seu governo.

Nossas intervenções são a espada, por uma ação direta e a mídia é a caneta, portanto, nossa abordagem é exatamente o que Musashi tinha em mente.

Alguns anos atrás, todos nos diziam que lutar contra a frota baleeira japonesa era uma causa perdida –os crimes sem punição no oceano Antártico eram cometidos por uma grande equipe de máquinas assassinas, unidas e controladas por mafiosos como a Yakusa. O Nisshin Maru era a formidável Estrela da Morte de Cetáceos. Os assassinatos das baleias pelos criminosos ocorriam em vastas extensões de iceberds, gélidas, atingidas por tempestades nos mares hostis. Nós não tínhamos dinheiro. Nós não tínhamos navios. Em outras palavras, somente um tolo pensaria em se aventurar nessas águas hostis sem os recursos adequados, em um exercício de Quixotismo fútil.

Mas eu recordo o que meu amigo Martin Sheen me disse uma vez: “Causas perdidas são as únicas causas que valem à pena lutar”.

E gente bastante me chamou de tolo, ao ponto de que não tive problema em acreditar e, deste modo, surpreendê-los trilhando o caminho de um tolo como Dom Quixote, em uma missão desesperada para proteger a inocência e a vida que, para ser franco, foi um tanto quanto atraente.

Nossa impossível e desesperada missão causou tanto impacto que agora eu acredito que podemos vencer e expulsar os baleeiros criminosos do Santuário de Baleias do Oceano Antártico.

Não há dúvidas de nossa superioridade moral. Os baleeiros japoneses estão alvejando baleias ameaçadas e indefesas em um Santuário de Baleias, em violação às leis internacionas e a moratória comercial da caça à baleia. São assassinos sádicos envolvidos com a máfia japonesa Yakusa em uma indústria que não tem honra e não oferece nenhum benefício ao povo japonês.

Nós vamos adiante na proteção e defesa da vida. Nós nunca lesionamos ninguém. Nós somos tão a favor da não-violencia que a alimentação em nosso navio é vegano. Nós nunca fomos condenados por um crime hediondo em qualquer lugar do mundo. Nós somos voluntários arriscando nossas próprias vidas para proteger a vida.

O governo japonês pode nos chamar de eco-terroristas e piratas até o Monte Fuji derreter, mas o fato que permanece é que nós lutamos pela vida e eles matam por lucro.

Nesse caso, os piratas do bem vestem preto e a nossa bandeira pirata é um símbolo de esperança para as baleias e para a proteção de nossos oceanos. Nós somos piratas da compaixão e vida em uma batalha para subjugar e derrotar os piratas da ganância e da morte.

Woody Allen disse uma vez que 90% do sucesso era apenas aparecer. Nesse caso, ele está absolutamente certo. Nós só precisamos continuar aparecendo no encalço da frota japonesa, perturbando e intervindo contra a matança. Nós precisamos puxá-los para baixo, forçando-os a encarar perdas financeiras a cada ano, até que eles tenham tantos débitos que irão sucumbir.

Nós podemos e vamos destruir a Estrela da Morte de Cetáceos. Nós pretendemos afundar a frota baleeira japonesa – economicamente. Sem machucar uma única pessoa nós vamos levar suas operações à bancarrota e assim podemos encerrar a matança.

Seu investimento em nossas operações tem e continuarão tendo resultados.

Quanto vale a vida de uma baleia para você?

Seu apoio e credibilidade em mim e em minha tripulação retornarão com a dádiva das baleias vivas e a promessa de sobrevivência dos nossos oceanos.

Comentários do Capitão Paul Watson

. Red Duster é uma bandeira cortesia do Reino Unido, içada nas embarcações civis.

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