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Galápagos lamenta a perda de George Solitário, um ícone dos esforços mundiais de conservação

George Solitário era o último da espécie de tartarugas terrestres gigantes da Ilha Pinta. Foto: Reuters

O ícone dos esforços de conservação em Galápagos, George Solitário, foi encontrado morto em seu curral no dia 24 de junho. A causa da morte ainda não foi determinada, e a necrópsia está prevista para ser feita nos próximos dias. George ainda era jovem e tinha cerca de 100 anos. As tartarugas de Galápagos podem viver até 200 anos.

George Solitário foi a última tartaruga terrestre de Galápagos da Ilha Pinta. Devido ao isolamento das Ilhas Galápagos, ao longo do tempo muitas espécies e subespécies diferentes evoluíram na maioria das ilhas principais.

Por milhares de anos, as tartarugas não tiveram predadores naturais, levando-as a evoluir para o enorme tamanho que observamos hoje.

Infelizmente, a segurança desses animais ficou fortemente comprometida quando humanos começaram a chegar às Ilhas Galápagos. Os primeiros piratas e baleeiros descobriram, mais tarde, que as tartarugas eram ideais para servir como alimento em suas longas viagens oceânicas. Elas eram fáceis de serem capturadas, tinham muita carne e podiam ser mantidas por meses a fio, sem a necessidade de receber água. Os baleeiros muitas vezes as mantinham de cabeça para baixo e tiravam pedaços de sua carne enquanto ainda estavam vivas. Não se tratava apenas de um ato terrível para com os animais envolvidos – que pode ser comparado à remoção das barbatanas de tubarões –, mas o grande número de tartarugas que foram tiradas das ilhas também estressou enormemente as várias populações.

Em cerca de um século, tantas tartarugas foram abatidas que algumas das populações tornaram-se extintas (gênero Floreana) e outras ficaram ameaçadas de extinção.

Uma outra ameaça para as tartarugas foi também uma intervenção humana: a introdução de cabras nas ilhas. Os piratas e baleeiros introduziram as cabras (assim como porcos, vacas e outros animais) para que elas pudessem se reproduzir e se tornar uma fonte de alimento para as futuras visitas. Infelizmente, as cabras devoraram a vegetação, matando de fome muitas das tartarugas que permaneceram.

George Solitário sendo carregado por funcionários do parque. Foto: Reuters

Uma delas foi, claro, o gênero Pinta, que teve apenas George Solitário como sobrevivente do massacre e da falta de comida.

George foi descoberto na década de 1970 pelo Serviço do Parque Nacional de Galápagos e levado para a Ilha de Santa Cruz, para entrar no programa de reprodução do parque. Ao longo dos anos, esse programa provou ser de valor inestimável, já que várias espécies foram recuperadas de sua quase extinção e estão, agora, desfrutando de um número saudável de indivíduos.

Para George, um programa foi desenvolvido para que ele se reproduzisse com algumas fêmeas de outras ilhas (Isabela e Espanhola), de espécies que são geneticamente próximas do gênero Pinta.

Sendo uma tartaruga, George demorou bastante até finalmente se interessar pelas fêmeas e vários ovos foram produzidos. Infelizmente, como acontece frequentemente com os híbridos, os ovos se mostraram estéreis. Mesmo assim, ainda havia esperanças elevadas de que, eventualmente, essas tentativas fossem bem sucedidas, enquanto George se tornava cada vez mais o símbolo dos esforços de conservação, tanto nas Galápagos quanto em todo o mundo.

Mas, apesar dos esforços de tantos envolvidos, perdemos essa batalha para desfazer os erros de nossos antepassados. Teremos que adicionar mais uma espécie à lista de animais extintos, que cresce rapidamente. E, para a maioria dessas outras espécies, muito pouco é feito para salvá-las. Boa parte delas – muitas vezes fora de vista – cai no esquecimento, deixando o planeta cada vez mais vazio.

Só esperamos que George continue a ser um ícone para nossos esforços de conservação e, como tal, sua morte deve ser considerada um alerta. Precisamos agir agora, ou em breve veremos o atum de barbatana azul do Atlântico, todos os grandes macacos, rinocerontes e elefantes, todas as espécies de grandes felinos, assim como todas as espécies de tubarões juntando-se ao George Solitário e tornando-se nada mais que uma lembrança na mente das pessoas.

Adeus George. Nós, o povo de Galápagos, vamos sentir muito a sua falta.

Traduzido por Maiza Garcia, voluntária do Instituto Sea Shepherd Brasil

 

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