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CE: falta de peixes reduz nº de pescadores em 15%

Uma pesquisa do Laboratório de Ciências do Mar (Labomar) da Universidade Federal do Ceará (UFC) constatou que as espécies marinhas no litoral cearense foram reduzidas em 28% e as de água doce em 29% nos últimos 30 anos. Com a redução na variedade de pescados e mariscos, o número de trabalhadores interessados na pesca também caiu.

A Federação de Pescadores do Ceará estima em 15% “A maioria acaba indo mesmo é pra a construção civil ser pedreiro, ou então vira caseiro, nas casas de veraneio”, lamentou Raimundo Félix, presidente da federação.

Na Colônia de Pescadores Z-8, que responde pela área da capital cearense, 4 mil pescadores artesanais estão cadastrados, mas o número não cresce.

“Eles (os jovens) já não se interessam por ir pro mar, porque já não dá dinheiro como antes”, explicou o presidente da colônia, Possidônio Soares. Ele culpa o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente (Ibama) por não fiscalizar a costa.

O chefe de fiscalização da Superintendência Regional do Ibama no Ceará, Rolfram Ribeiro, argumentou que “faz o que pode”, mas que “faltam equipes para fiscalizar o litoral. São mais de 600 km de costa e apenas três equipes, com barcos lentos, que muitas vezes inviabilizam os flagrantes”.

Exploração desenfreada
Entre as principais razões apontadas pelos pesquisadores para os dados preocupantes, está a devastação dos habitats naturais das espécies e a exploração desenfreada dos frutos do mar, como, por exemplo, o peixe-prego. A espécie era um dos principais carros-chefe de venda dos pescadores artesanais, mas hoje quase desapareceu do litoral.

“Peixe-prego só encontra se entrar muito no mar e ainda tem que ser longe aqui de Fortaleza”, explica um dos pescadores da praia do Mucuripe, litoral de Fortaleza.

“Eu tenho 15 filhos homens e nenhum quis ser pescador. Antes de mim, meu pai e meu avô eram pescadores. Desse jeito, daqui a 10 anos não vai mais ter pescador por aqui. Essas jangadas vão se acumular cada vez mais na areia”, lamentou Francisco de Assis de Souza, pescador há 40 anos na praia de Mucuripe.

Os filhos de outros pescadores que freqüentam a praia do Mucuripe contam que têm curiosidade pelo ofício dos pais, mas não pensam em aprender o dia-a-dia do mar para o futuro.

“Eu acho que vou trabalhar é com construção mesmo, que pesca não dá dinheiro, não”, concluiu Edvan Lucas Costa, 12 anos.

Fonte: Terra

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