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Brasileira conta suas experiências em Vanuatu

Por Carolina Castro, voluntária do Instituto Sea Shepherd Brasil

A brasileira Carolina Castro, embarcada no Brigitte Bardot (embarcação da Sea Shepherd), esteve recentemente na ilha Vanuatu, e pode conhecer o cotidiano desta comunidade que corre o sério risco de ficar, literalmente, submersa.

Foto: Carolina Castro

É a segunda vez que desembarca na localidade, e pode conferir o cotidiano dos moradores locais. “As pessoas vivem em pequenas comunidades, a maioria na costa com praias paradisíacas, em um clima tropical moderado. Agricultura, pesca de subsistência, uma vida simples e descomplicada é o padrão, ou seja, sustentabilidade na prática. Agora, mais uma vez, eu me sinto humilde diante dos Ni-Vanuatu (nome dado aos locais). Nas duas semanas que estivemos no país, fomos a diversas comunidades e escolas palestrando sobre a importância dos tubarões para ecossistemas marinhos”, comenta Carolina.

Crianças de Vanuatu. Foto: Carolina Castro

Essas comunidades de ilhéus do Pacifico Sul vivem completamente interconectadas com o mar e ecossistemas marinhos, pois, como vivem praticamente de subsistência, aprender a importância dos tubarões para manter as populações de peixes e frutos do mar, dos quais eles dependem, mudou sua visão sobre estes animais.

Os habitantes os temiam, até os matavam quando os encontravam nos recifes. Parte da campanha da Sea Shepherd é “desmistificar” essa fundamental criatura dos mares. “Como a maioria dos tripulantes do Brigitte Bardot já mergulhou com tubarões diversas vezes, mostrávamos nossas fotos e contávamos nossas experiências. A reação depois da apresentação era sempre a mesma: uma completa quebra de paradigma e a conquista de novos aliados na conservações desses animais.

Foto: Carolina Castro

Um dos aliados, na preservação das espécies marinhas, em Vanuatu é o Sr. Palem Ata, Diretor de Planejamentos da província de Malampa, no norte de Vanuatu. Ele e os chefes das comunidades visitadas apóiam a ideia de criar um santuário de tubarões nas 6 milhas territoriais nas costas de Vanuatu. Essa medida seria uma vitoria incrível para os tubarões e para os habitantes de Vanuatu.

O grande problema aqui, porém, não é exatamente os habitantes locais matando tubarões perto da costa por medo, e sim a quantidade de pesqueiros comerciais –long liners– pescando nessas águas. A maioria são embarcações estrangeiras que compram licenças para pescar na zona econômica exclusiva de Vanuatu (200 milhas náuticas da costa). Esses barcos desembarcam sua pesca em Fiji ou Ilhas Solomon, ou seja, ninguém sabe se existem barbatanas de tubarões abordo.

Foto: Carolina Castro

Nós estamos explorando a possibilidade de trabalhar em parceria com o Ministério da Pesca para monitorar e patrulhar as águas contra atividades ilegais; incluindo o finning -captura de tubarões para a retirada de barbatanas. Vanuatu faz parte da Comissão de Pesca do atum do Pacífico, que regula a pesca de tubarões e proíbe o desembarque de tubarões sem as barbatanas e vice-versa. Fiji e Solomon não fazem parte desse tratado. A indústria de tráfico de barbatanas de tubarões é enorme, e difícil de se levar à justiça. Para se ter uma ideia, ela é a terceira indústria de tráfico ilegal mais lucrativa do mundo! Somente perdendo para drogas e armas.

Em 40 anos, estima-se que as populações de tubarões mundiais declinaram em 90%. Das aproximadamente 400 espécies de tubarões, 1/3 estão ameaçadas de extinção. Existem menos tubarões brancos do que tigres de bengala hoje em dia, mas não se consegue levar esse grave problema às massas.

Essa campanha não e fácil, continuaremos lutando para proteger os tubarões do Pacífico Sul e do mundo.

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