Barco de pesca

Assisti ao Seaspiracy, mas o que o Brasil tem a ver com isso?

O documentário Seaspiracy, na Netflix desde março deste ano, foi uma comoção para uma parcela da população, que finalmente abre os olhos em relação à situação dos mares no mundo.

Para alguns, estas informações talvez tenham vindo com um susto, mas para a Sea Shepherd, trabalhando na linha de frente da proteção à vida marinha, estes fatos infelizmente fazem parte do nosso cotidiano há décadas; somos testemunhas da guerra que nós como humanidade estamos tramando com o oceano.

Escravidão em alto mar, destruição de leitos com redes de arrasto, pesca predatória e morte de 40% dos animais marinhos retirados do mar pela pesca acessória (mais conhecida como pesca “acidental”), o mercado de animais em cativeiro e a aquicultura como uma falsa solução sustentável para o oceano. Certamente, Seaspiracy veio para compilar, em um formato bem compacto e impactante, algumas das principais mazelas e impactos negativos que a raça humana vem depositando nos mares e que a Sea Shepherd vem testemunhando em mais de quatro décadas de atuação.

Em alguns pontos, o documentário traz dados que possuem divergências com outros estudos (mas que não negam suas conclusões em essência) e, em outros, pode ter sido severo para com algumas ONGs, como exemplo, a Oceana, que realiza estudos de referência sobre pesca acessória, luta pela abolição de grandes subsídios à indústria pesqueira, portanto inegavelmente sendo uma das organizações na linha de frente destes problemas ambientais.

Barco pesqueiro

Mas certamente ele vence ao expor, com exemplos claros, e narrativa sucinta ao lidar com tantos pontos, a grande devastação que a nossa espécie realiza por todo o oceano. Sem que a grande maioria da população saiba, estamos matando o oceano que é fundamental para a nossa sobrevivência.

O brasileiro que assiste a este documentário deve pensar: mas e eu com isso? Estes problemas certamente são destinados a países como China, Taiwan e Espanha, que são os gigantes da pesca industrial no mundo? Talvez algumas pessoas devam pensar que o Brasil ainda é restrito neste aspecto.

Isto não poderia estar mais longe da verdade.

Já há mais de 20 anos atuando no Brasil, a Sea Shepherd vem testemunhando exemplos e mais exemplos de práticas insustentáveis de pesca, e também de manejo da imensa área costeira brasileira.

Testemunhamos a matança de golfinhos do Norte do país para o uso de sua carne na pesca de tubarões para o mercado de barbatanas da Ásia. Identificamos relatos de botos cor-de-rosa e tucuxis para isca do peixe piracatinga, que mesmo com sua pesca suspensa por mais de 6 anos, segue sendo pescado ilegalmente e destinado a mercados como o da Colômbia.

É constante o recebimento de denúncias e imagens de redes de pesca fantasma pela costa brasileira, que seguirão matando animais marinhos enquanto estiverem no fundo do mar. Sempre que possível, atuamos em retirá-las por meio de nossa campanha Ondas Limpas, que realiza limpezas submarinas e nas praias com voluntários por todo o litoral brasileiro.

Aprendemos sobre o efeito das redes de pesca fantasma em nosso litoral. É estimado pela World Animal Protection que este fenômeno é encontrado em 70% da costa brasileira, inclusive áreas protegidas, e que cerca de 580 quilos de redes são despejados por dia em nossa costa, podendo impactar quase 70 mil animais marinhos por dia.

As  toninhas, o mamífero marinho brasileiro com mais risco de extinção, tem a pesca acessória em redes como sua maior rival: elas não enxergam a rede e morre asfixiada nas redes de pesca (em sua grande parte artesanal).

Nossa pesca artesanal, representativa de 94% dos pescadores, possui uma extensa área ‘cinza’ que comumente a torna difícil distinguir da industrial. Sabemos de pescadores artesanais que utilizam de tecnologias que desregulam o habitat quando usado por toda uma comunidade, como pesca com covas, com bombas, pesca comercial submarina, a prática de pesca sem manejo e ordenamento é infelizmente comum, e técnicas com uso de redes cada vez maiores e mais eficazes, e ‘frotas’ nada artesanais se torna a solução em uma costa com cada vez menos peixes.

Ouvimos relatos de pescadores por toda a nossa costa sobre uma diminuição em rápida velocidade na variedade, quantidade e tamanho de peixes sendo pescados. Vemos pescadores artesanais desistindo de seus trabalhos para fazer parte de navios maiores, pois a competição entre eles e a pesca industrial está cada vez mais injusta.

Temos uma pescaria industrial formada de maneira nada ordenada, e hoje é comum relatos de pescadores industriais que não cumprem com as leis de pesca; uso de barcos de arrasto motorizados que desrespeitam as leis de distanciamento à costa, pesca de animais em fase de defeso, uso de técnicas e redes e pesca sem seguir as exigências solicitadas.

Temos conhecimento sobre autorizações para a pesca de atum e peixe espadarte por dezenas de navios internacionais, de frotas internacionais ou arrendados, verdadeiras fábricas de morte, vindos de Taiwan, Japão, Espanha em nossas águas, estes subsidiados pelo governo.

Vemos frotas de pesca oceânica competindo com estes navios por toda a costa. Ao adotar essa prática, vimos o aumento da pesca de atum no RS, SC, CE e RN a velocidades estrondosas. Mesmo com o número de peixes diminuindo, as técnicas estão cada vez mais eficazes e dizimam a população destas espécies a um ritmo assustador.

Caranguejo preso em rede de pesca

Testemunhamos barcos de rede de arrasto de camarão destruindo o leito do mar próximo ao litoral, relutantes em usar em suas redes os dispositivos de escape de tartarugas e outras espécies (mesmo que isso seja solicitado por lei para barcos maiores de 11m), ocasionando a maior proporção de morte de espécies pela pesca acessória de todos os tipos de animais marinhos: em média, para a pesca de 1kg de camarão, são mortos em média 10kg de outras espécies.

Vemos por toda a parte movimentos sistêmicos de destruição de ambientes costeiros, como os manguezais, que são o verdadeiro berçário marinho e fundamental para o equilíbrio do oceano e, que de maneira acelerada, são destinados para a prática insustentável de carcinicultura. As restingas, também importantes pois evitam a erosão da costa e proteção da vida marinha, têm sido rapidamente destinadas a especuladores imobiliários por todo o nosso litoral.

Denunciamos práticas de turismo de observação de baleias diversas vezes utilizando barcos sem o devido controle, com motor ligado bem próximos às baleias, as encurralando, assustando e, porventura, até as atropelando com seus motores.

Observamos e estudamos a rápida velocidade do branqueamento dos corais do Nordeste do país, vemos a diminuição da biodiversidade dos corais por toda a costa, o crescimento da presença de espécies invasivas como o coral-sol por toda a costa, chegando até em áreas mais isoladas e protegidas, como o arquipélago de Alcatrazes, a 35 km da costa no litoral de SP.

Testemunhamos convites de leilão para a exploração de minério e petróleo nas raríssimas áreas que realmente são protegidas do Brasil, como: Abrolhos, Atol das Rocas e Fernando de Noronha.

Nos chocamos que mesmo no rio nossos peixes são contaminados; que 98% dos peixes da Amazônia estão com plástico em seu organismo, peixes que consumimos com alta concentração de metais pesados, como mercúrio e chumbo, além de dioxinas advindos de nossas atividades poluentes de mineração e agricultura, tanto nos rios quanto nos mares. O consumo destes peixes, e da água em si, nos causa problemas de saúde severos afetando a saúde das comunidades tradicionais, e a de toda uma região.

Peixe morto em petróleo
Peixes em rede pesqueira

Vemos o brasileiro aumentar de maneira rápida seu consumo per capita de peixes: um crescimento de 6 kg para 10 kg de peixes por ano em apenas 10 anos (2009 x 1999 segundo o IBGE), e crescendo, criando relativamente novos e nada ‘tradicionais’ hábitos de consumo de peixes, como o atum e o salmão nas grandes cidades brasileiras.

Testemunhamos o crescimento do consumo de peixes de fora: 60% do peixe que consumimos vêm do exterior. O salmão no Brasil, por exemplo, lidera: um peixe que representa por volta de 30% das importações para o país, em grande parte vinda da aquicultura do Chile. Esta é uma prática totalmente insustentável, que cria peixes carregados de antibióticos, que ficam em tanques superpopulosos, comumente morrem asfixiados, que consomem de 3 a 9 vezes ou mais o seu peso de peixes selvagens em sua alimentação contaminam todo o ecossistema marinho onde as fazendas de criação se localizam, disseminando doenças, toxinas e espalhando este animal não-endêmico na região para afetar o equilíbrio do local.

Sabemos que pessoas comprando peixe na feira, no supermercado, restaurante e peixaria o fazem sem saber sua procedência. Há muito pouca ou quase nenhuma informação de local de origem e modo de pesca. Muitos até são enganados pela venda de peixes com nomes errados. Em estudo realizado pelo MAPA (Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento), há estados que vendem até 40% dos peixes com nome errado para seus compradores. Além disso, tubarões em risco de extinção e peixes ilegais como a piracatinga sendo vendidos com nomes ‘eufemizados’ para o consumidor final, como cação e douradinha, respectivamente.

Seguindo um estudo realizado pela UFPR em Curitiba, 70% das pessoas comem cação sem saber que é tubarão. Os elasmobrânquios (tubarões e raias) representam 40% da pesca acessória na prática de pesca de atum em redes de espinhel. Também somos os maiores importadores de tubarão do mundo, com o cação sendo um dos peixes mais consumidos do Brasil por conta de seu valor baixo, o que nada mais é que uma maneira de os grandes navios de pesca de barbatana de tubarão continuarem com seus atos criminosos: eles seguem a regra de “total aproveitamento do animal”, assim continuando a enviar a barbatana do tubarão para lugares como Hong Kong, o maior importador de barbatanas do mundo, enquanto vendem a carne a preços baixos para o Brasil.

Estamos diante de um contexto onde as autoridades não priorizam o tema. Temos um conjunto de leis de proteção ao mar que são complexas, não integradas e desconhecidas pelo cidadão comum. Temos um vão de 10 anos em dados e conhecimento sobre a pesca em nossa costa, o status pesqueiro de 96% das espécies brasileiras está desconhecido. Dentre eles, mais da metade (57%) apresenta biomassa abaixo de níveis biologicamente seguros. E  43% sofrem com a sobrepesca, ou seja, estão sujeitos a níveis de mortalidade por pesca acima da capacidade de reposição dos estoques. Possuímos uma lei que pode ajudar na integração das iniciativas de monitoramento e proteção de nossa “Amazônia Azul”, a lei 6969/13 (Lei do Mar), que segue em processo de discussão desde 2013 e ainda sem perspectivas de aprovação. E bem recentemente assistimos à a CPI do maior desastre ecológico de nossa costa marinha ser engavetada sem nenhum tipo de resolução.

Todos estes exemplos são rodeados por um mesmo princípio: a visão antropocêntrica que temos sobre o oceano, e o planeta. A visão que o oceano está aí para nos servir. O tratamento do oceano e a vida marinha como fonte infinita de recursos. A percepção que os animais marinhos são feitos para ser nossa fonte de alimento.

A Sea Shepherd acredita que, com a situação do oceano hoje, não existe pesca sustentável. O oceano é um só e as práticas insustentáveis que acontecem no mundo inteiro afetam o equilíbrio como um todo, e também afetam o nosso bem-estar e o nosso futuro. Acompanhamos a diminuição dos fitoplânctons no oceano, grandes produtores do nosso oxigênio, que já diminuíram em 40%. Vemos o poder do oceano de sequestrar carbono em xeque com a alta velocidade em que surgem as zonas mortas. 

Para muitos, o oceano poderia estar “escuro” até terem assistido a este documentário. Mas para nós da Sea Shepherd, que estamos presentes em todos os mares deste único oceano, por anos assistimos desesperadamente as consequências da visão antropocêntrica que temos do mundo, já é de longa data que sabemos: estamos em guerra com o mar.

 

O oceano simplesmente não foi feito para alimentar 10 bilhões de pessoas e muito menos para alimentar os 60 bilhões de animais para abate e animais domésticos e os trilhões de peixes da aquicultura mundial.

Assim como nossa capacidade de destruição é imensa, também pode ser nossa capacidade de regeneração. Temos que decidir agora se nossas escolhas, sejam elas individuais ou como humanidade, alimentarão este caminho sem volta ou se terão como foco a restauração desta que é uma de nossas maiores esperanças para a sobrevivência humana na Terra.

Para um oceano saudável, a solução que vemos é deixar o oceano em paz.

Na Sea Shepherd, trabalhamos incessantemente em projetos de pesquisa para entendimento do impacto humano nos rios e mares, projetos de ação direta para a mitigação do efeito humano no oceano e projetos de conscientização para a educar a população sobre a importância do ecossistema aquático, nossa interdependência com este gigante e o impacto negativo que causamos nestes biomas até os dias de hoje.

No Brasil e no mundo, até vermos um oceano recuperado, em equilíbrio, protegido, respeitado e venerado pela humanidade, não iremos desistir. Nossa batalha é por toda a biodiversidade marinha, que chamamos de nossos clientes, mas também o que nos motiva diariamente é a sobrevivência do ser humano como espécie neste planeta.

Suas ações e escolhas diárias são a maneira mais eficiente de proteger o oceano.

Saiba mais sobre a Sea Shepherd Brasil. Para voluntariar-se à Sea Shepherd e ajudar em nossas atividades em terra e mar, acesse aqui.

Doe para ajudar nas limpezas, resgate de fauna e comunidades que necessitam de assistência.

Voluntários na frente de pilha de lixo segurando bandeira da Sea Shepherd

Ação e conscientização no aniversário de Curitiba

A cidade de Curitiba, capital do Paraná, completou 328 anos no último dia 29 de março. Para celebrar a data, a Sea Shepherd comemorou com o que melhor representa os nossos valores: ação.

Sob a monitoração da coordenadora do núcleo do Paraná, Amália Pereira e seguindo os protocolos de higiene e cuidados individuais tanto contra o Aedes Aegypti, quanto à COVID-19, os voluntários Lucas Bettega e Guilherme Pereira se uniram para a realização da segunda ação de limpeza do Bosque no Jardim Pinheiros, em Santa Felicidade.

O bosque abriga um córrego que vem sendo poluído pelo lixo descartado às suas margens e que, consequentemente, aumenta a poluição dos sistemas de água da região até finalmente chegar ao oceano.

Apesar do crescimento dos números relacionados à COVID-19, pode-se perceber que os cidadãos continuam a descuidar das práticas de higiene no que diz respeito às áreas públicas da cidade. Esse descuido resulta no acúmulo excessivo de resíduos no local e também impossibilita que a ação seja realizada em uma única. O lixo encontrado na mata e ao redor do leito do rio é de um volume espantoso e dos mais diversos tipos.

Na ação, os voluntários recolheram:

Pilhas, uma grande quantidade de plásticos diversos, sacolas, latas de conserva já enferrujadas, latas de cerveja, garrafas plásticas, garrafas de vidro, galão térmico, velas, 16m de cerca elétrica, roupas, potes plásticos, 1 varal enferrujado, sacos plásticos de lixo 100l com possíveis cadáveres de animais, 2 lâmpadas frias e 2 máscaras de proteção.

Voluntários recolhendo lixo

Assista ao vídeo para ver como foi a iniciativa:

Em um percurso de cerca de 100m, percorrido em 2 horas, foram retirados 120kg de resíduos que definitivamente não deveriam estar ali. O lixo presente no local acumulava água parada e já apresentava focos de mosquitos. Após a ação, foi realizado o descarte correto do lixo e placas educativas foram colocadas no local com a finalidade de chamar a atenção da população e convidá-la à reflexão sobre a importância de preservas nossas matas e nascentes.

O ecossistema do bosque e toda a natureza agradecem aos voluntários pela iniciativa.

Veja mais fotos da ação:

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As baleias-de-bryde são observadas na costa do país

As baleias continuam a aparecer este ano, e com isso a Sea Shepherd retoma sua atividade de colaboração com organizações parceiras para a conscientização em Ilhabela.

Nos últimos dias, as baleias-de-bryde têm aparecido com frequência na região de Ilhabela-SP e em locais do Rio de Janeiro. A sua  população e conservação são pouco conhecidas, pois estas baleias tropicais, por mais que fiquem em nossa costa o ano inteiro, são muito elusivas e tímidas e se deslocam sozinhas ou em grupos pequenos em diferentes direções. 

Neste último ano de 2020 foram avistados 41 indivíduos desta baleia nas águas de Ilhabela. Em comparação, tivemos o avistamento de quase 200 jubartes.

Não é à toa que o Projeto Baleia à Vista – uma das organizações que atuam na região, junto com a Sea Shepherd, na observação dos cetáceos do local – nomeou uma baleia-de-bryde observada este ano de “Escondidinha” (veja foto) com alguns registros fotográficos que a distinguem pelas marcas de acidente com hélice em seu dorso: ela é muito arisca e rápida.

MAIS SOBRE A BALEIA-DE-BRYDE

As baleias-de-bryde (Balaenoptera brydei), também conhecidas por baleias Tropicais, ocorrem nos trópicos e vivem sua vida toda em águas quentes acima de 16°C. A população pode incluir até 90.000 a 100.000 animais em todo o mundo, com dois terços habitando o hemisfério norte.

Baleia-de-bryde denominada 'Escondidinha'

Elas são muito parecidas com a baleia Minke e Sei, portanto é fácil de confundir. Porém, é possível identificá-las por suas características: fica fácil reconhecer quando ela expõe sua nadadeira dorsal, pequena e falcada (parecida a uma quilha de prancha) afastada do centro do dorso. Outra característica marcante é a cabeça larga e plana com uma quilha central proeminente e duas quilhas laterais. Elas podem chegar a 15 metros e pesar 18 toneladas, e são misticetos (possuem cerdas na boca que as ajudam a se alimentar) e se alimentam de cardumes de manjuba e peixes pequenos. Seu borrifo pode atingir até 4 metros de altura! Elas não são cantoras, como percebido com o macho das jubartes, pois suas vocalizações são de baixa frequência, em pulsos. 

A baleia-de-bryde pode chegar a viver mais de 50 anos, e em sua gestação de 1 ano dá à luz a um único filhote, que mama por aproximadamente 1 ano, e podem medir ao nascer cerca 3 metros pesando 600 quilos. Elas são encontradas em todos os oceanos nas áreas costeiras e oceânicas, em águas tropicais e subtropicais. Podem permanecer na mesma área por muito tempo e migram muito pouco, deslocando-se no sentido costa-mar e vice-versa, e raramente saltam. 

A AMEAÇA À ESPÉCIE

Infelizmente, como todo ser marinho, ela ainda sofre ameaças apesar de moratória à caça que ocorreu em 1986. Elas foram extensivamente caçadas em todo o mundo por décadas, inclusive no Brasil, para fins comerciais. Ilhabela, inclusive, era no passado uma ilha com armação baleeira. 

Hoje as ameaças são outras, todas feitas pelo homem, pois sofrem nas capturas ‘acidentais’ (bycatch) em redes de pesca, como de emalhe, efeito do uso de sonar por petroleiras, tráfego de embarcações, e a degradação do habitat natural por desenvolvimento de cidades.

É importante aprender mais sobre as espécies marinhas, como a baleia-de-bryde, para sabermos como melhor protegê-las. A Sea Shepherd no Brasil trabalha com parceiros em Ilhabela para o conhecimento e conscientização dos cetáceos da região, em sua Campanha Borrifos. 

Saiba mais sobre nossa campanha Borrifos em Ilhabela neste link aqui.

Fotos: Projeto Baleia à Vista | Parceria: Brydes do Brasil e Projeto Baleia à Vista

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Homem segurando golfinho preso em rede de pesca

Pesca sustentável: uma contradição

Carta do CEO da Sea Shepherd, capitão Alex Cornelissen, em resposta ao lançamento do documentário Seaspiracy.

Nos últimos cinco anos, a Sea Shepherd tem como foco a pesca ilegal, não declarada e não regulamentada (pesca IUU). Nossas campanhas, principalmente na África Ocidental, nos deram uma riqueza de informações sobre o impacto tanto da pesca IUU quando da pesca industrial em grande escala no oceano.

Está claro que a humanidade está matando toda a vida no oceano e, por algum motivo, isso passa despercebido.

Está claro que a humanidade está matando toda a vida no oceano e, por algum motivo, isso passa despercebido.

As formas de vida no oceano continuam a ser objetivadas:

  • As espécies de peixes estão sendo chamadas de “estoque”.
  • A extração de formas de vida está sendo descrita como “colheita”.
  • As quantidades são medidas em peso ao invés de organismos individuais.
  • Todas as espécies são simplesmente chamadas de “frutos do mar”.
  • E o mais importante, o mito de que os peixes não sentem dor.

Obviamente, esta é uma linguagem cuidadosamente escolhida para que os consumidores em potencial não questionem a maneira como extraímos peixes e outras criaturas do nosso oceano. Mas, nossa tripulação na água vê essa destruição todos os dias quando interage com os navios de pesca.

Peixes em rede pesqueira

Vemos a quantidade de captura acidental de espécies que não são comercialmente exploráveis, simplesmente mortas e descartadas de volta ao oceano.

Vemos milhares de tubarões mortos por barcos de atum que são chamados de “amigos dos golfinhos”.

Vemos golfinhos mortos por pescadores que consideravam eles como uma praga por comerem “os nossos peixes”.

Vemos focas compartilhando o mesmo destino dos golfinhos, porque elas competem por nossa pesca.

Há algo fundamentalmente errado com a maneira que olhamos para o mundo natural, a maneira como nos separamos do ecossistema que fazemos parte. Isso se aplica particularmente à maneira como vemos o oceano. Jogamos o nosso resíduo lá porque pensamos que é grande o suficiente para que ninguém perceba. Pegamos o que queremos porque pensamos que o oceano é uma fonte infinita de proteínas.

Peixes mortos sobre mesa

Nosso apetite e demanda por peixe agora é tão grande que não paramos por nada para obter os resultados. A destruição do habitat e extinção de espécies parece ser aceitável neste processo.

Mas mesmo a pesca global está começando a ver o fim da indústria, eles estão bem cientes do fato de que se continuarmos em nossa taxa atual de extração, nós iremos esvaziar os nossos oceanos em menos de três décadas. A indústria está sobre pressão para acompanhar a demanda e manter os preços baixos, mas com a diminuição das populações de peixes, é cada vez mais difícil manter o abastecimento. Os preços são mantidos artificialmente baixos por meio de subsídios globais que favorecem a pesca global em grande escala. Estes competem ilegalmente com a subsistência costeira e a pesca artesanal, causando mais problemas em regiões já em risco devido à escassez dos alimentos. Outros operadores não esquivam de trabalho forçado não remunerado para reduzir seus custos, tratando os trabalhadores como consumíveis.

E claro, existe uma mentira perpétua de que comer peixe é uma escolha saudável para a dieta das pessoas. Poluímos os oceanos do mundo a ponto de afetar toda a cadeia alimentar, com poluentes se concentrando conforme você sobe na cadeia. Durante anos, as mulheres grávidas foram alertadas para não comerem atum ou peixe-espada devido aos altos níveis de mercúrio, situação que só piora a medida em que poluímos o nosso mundo natural.

Estamos em um ponto da história em que precisamos fazer uma escolha:

Paramos de apoiar a indústria destrutiva e insustentável que está destruindo nosso oceano ou continuamos em nosso caminho atual e encontraremos nosso oceano vazio no futuro? Qualquer uma das escolhas leva ao mesmo resultado: vamos parar de comer peixe agora ou em 30 anos. Apenas quanto mais esperarmos, mais irreversível a situação se tornará. Nossa fonte “infinita”, de proteína atingiu seu limite, então é hora de fazermos as escolhas necessárias para restaurar o equilíbrio em nosso oceano.

Estamos vendo os resultados de nossas campanhas para impedir a pesca IUU na África Ocidental, com a população de peixes se recuperando e os ecossistemas também, após alguns anos. Mas essas áreas não são grandes o suficiente para repovoar regiões inteiras. Fazer cumprir os regulamentos e expandir as áreas sob proteção contra a pesca IUU e a pesca industrial em grande escala são a base das campanhas atuais da Sea Shepherd. Junto com nossos parceiros governamentais, fechamos dezenas de operadores ilegais todos os anos e, nesse processo, salvamos milhões de vidas.

Barco pesqueiro

É uma questão de sobrevivência parar a guerra contra o oceano. É uma luta que não podemos perder. Uma luta que se intensificará nos próximos anos, quando as populações de peixes continuarem diminuindo, mas também uma luta que – com o seu apoio – pretendemos vencer.

Suas ações e escolhas diárias são a maneira mais eficiente de proteger o oceano.

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No Dia Mundial da Água, nossa comemoração é com ação!

Nossos voluntários em 6 cidades de 4 estados do país passaram a manhã desta segunda-feira retirando centenas de milhares de quilos de resíduos

O oceano está sob forte ataque de todos os lados e pede reforços com urgência. A excessiva pesca legal e ilegal, a massa sufocante de plásticos e a acidificação dos oceanos têm um estrangulamento no suporte de vida de nosso planeta; o suporte de vida de que todos dependemos para sobreviver.

Nossos voluntários em 6 cidades de 4 estados do país passaram a manhã desta segunda-feira retirando centenas de milhares de quilos de resíduos, e milhares de itens, incluindo milhares de bitucas, de praias, rios, cachoeiras e outras vias d’água. Estas ações são parte de nossa campanha Ondas Limpas, que já retirou toneladas de resíduos da costa brasileira.

Foram um total de 40 voluntários em Paraty-RJ, Arraial do Cabo-RJ, Ilhabela-SP, Ubatuba-SP, Rio Preto da Eva-AM e Curitiba-PR, recolhendo dezenas de milhares de itens em uma ação de reflexão pelo cuidado da água no mundo.

A vida marinha e aquática agradece a todos os envolvidos!

Confira nossos voluntários em ação pelo Dia da Água

Confira também esta animação preparada pela Sea Shepherd para este dia:

Neste dia da água, vamos salvar o nosso oceano

Suas ações e escolhas diárias são a maneira mais eficiente de proteger o oceano.

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