SEA SHEPHERD AFASTA OS BALEEIROS JAPONESES PARA FORA DA ZONA DO TRATADO ANTÁRTICO

Tradução: Igor Ramos, voluntário do ISSB

Nisshin Maru deixando o Santuário Antártico

Na última segunda-feira, 6 de janeiro de 2014, às 1650 AEDT, depois de uma perseguição de 360 milhas, os navios da Sea Shepherd Conservation Society conduziram toda a frota de caça japonesa – incluindo o navio-fábrica – para fora da Zona do Tratado Antártico. A Sea Shepherd tem todos os navios da frota baleeira japonesa contabilizados e localizados, e pode confirmar que a frota, apesar de dispersa, não esta caçando baleias. Os navios arpoadores estão separados por centenas de milhas. O Nisshin Maru está tentando se afastar, mas não conseguiu parar até o momento.

A frota baleeira foi escoltada até o limite de 60º Sul e ultrapassou o limite norte do Zona do Tratado Antártico. Os navios da Sea Shepherd: Sam Simon, Steve Irwin e o helicóptero do Steve Irwin seguem acompanhando cada movimento dos navios. Os três navios da Sea Shepherd estão ainda no Oceano Antártico e continuarão as patrulhas. Caso o Nisshin Maru tente retornar para o território de caça, a Sea Shepherd estará pronta para, mais uma vez, interceptar e encerrar suas operações ilegais.

O capitão do Steve Irwin, Siddarth Chakravarty disse: “Este é um início otimista para a operação Relentless. Dentro de um dia e meio, teremos todas a frota baleeira em completa desordem”. O capitão do Sam Simon, Adam Meyerson disse: “Ganhamos essa batalha, mas a guerra pelo Santuário Antártico das Baleias irá continuar sendo travada ao longo dos próximos meses.”

O GPS do helicóptero indicando o lado norte da Zona do Tratado Antártico

Nisshin Maru e Yushin Maru cruzando ao norte 60 ° S

NAVIO ARPOADOR JAPONÊS ESTÁ PARADO

Yushin Maru noº 3, arpoador da frota baleeira japonesa

Às 2:50pm AEDT, em 10 de janeiro, Peter Hammarstedt, capitão do navio Bob Barker, informou que o navio da Sea Shepherd havia acabado de cruzar a Zona Econômica Exclusiva da Austrália (ZEE) a 200 milhas da ilha Macquarie, mas o navio arpoador que o estava perseguindo, parou a uma milha de distância da zona. Bob Brown, membro da Sea Shepherd Austrália, disse que os parabéns devem ser dirigidos ao Ministro Federal do Meio Ambiente, Greg Hunt, que tinha entrado em contato com as autoridades japonesas sobre a iminente invasão do Santuário Australiano das Baleias; área que inclui a ZEE australiana.

“Mais uma vez a Sea Shepherd tem visto táticas da frota baleeira japonesa serem frustradas. Mas estamos conscientes de que a frota está comprometida publicamente a matar mais 931 baleias Minke, bem como as 50 baleias Fin e as 50 balem Jubarte”, disse o Dr. Brown. Jeff Hansen, diretor da Sea Shepherd Austrália, telefonou para o Exmo. Ministro Greg Hunt e repassou os sinceros agradecimentos dos capitães e das tripulações. A busca pelo navio fábrica da frota baleeira japonesa agora pode continuar. Os outros dois navios da Sea Shepherd, Steve Irwin e Sam Simon, estão patrulhando o Santuário Antártico das Baleias em busca do Nisshin Maru, que corre a cinco dias com pouca probabilidade de ser incapaz de parar de caçar.

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Tradução: Igor Ramos, voluntário ISSB

Bob Barker na ZEE Australiana após a longa perseguição do arpoador japonês

OS GRANDES TUBARÕES E OS SURFISTAS

Por: Capitão Paul Watson

Surfistas são durões, corajosos, apaixonados, únicos e atletas entusiasmados.

Não há nenhum esporte mais desafiador e mais gratificante do que o surf. Não se trata apenas de uma atividade para recreação. O Surf tem seu

Capitão Paul Watson e o surfista campeão Kelly Slater em Noosa, Austrália.

lado espiritual e, o mais importante, ele constrói uma intimidade com o mar maior do que o mergulho ou a vela; algo próximo do que o mergulho livre proporciona.

Adoro surfar e admiro os surfistas. Tenho a honra de me referir a Kelly Slater como amigo e venho trabalhando com Laird Hamilton. Ajudei, na década de noventa, o esquiador profissional Peter Brown a produzir um filme relacionado ao surf e ao snow-board focando a parte ambiental, chamado “Blue Rage”. Também tive o grande prazer de trabalhar com o lendário surfista australiano Dave “Rasta” Rastovich em seu filme “Mind in the Waters”.

Eu não tenho surfado muito nos últimos anos, mas eu era um fanático no meio dos anos sessenta. Nos anos setenta e oitenta estive em praias na África do Sul, no sul da Califórnia e no Havaí, e, embora eu nunca tenha surfado fora das “Twisted Ruins” em Venice Beach, Los Angeles, eu estava lá para assistir a alguns dos surfistas mais ousados deslizando sobre as ondas.

No início dos anos Sessenta, Jeff Ho, Skip Engblom e Craig Stecyk montaram uma loja de surf chamada Jeff Ho e Zephyr Surfboard Productions. Uma das Z-Girls era Peggy Oki que atualmente é uma artista apaixonada em defender as baleias. Suas aventuras lendárias foram feitas para o filme Dog Town e Z-Boys narrado por Sean Penn. O surf exige disciplina e habilidade, mas o mais importante é que exige paixão e coragem.

Infelizmente, nos últimos anos, o surf tem atraído uma raça menor de surfistas. Felizmente, essa raça menor é formada por poucas pessoas. Infelizmente, como um choro alto em qualquer lugar, você atrai a atenção de uma outra raça de oportunistas chamados de políticos impopulares. Coloque o choramingar de surfistas, juntamente com os políticos impopulares oportunistas e você consegue a histeria.

E é isso que está acontecendo nas praias da Austrália e da Austrália Ocidental, especialmente. Isso também esta acontecendo na ilha de La Reunion no Oceano Índico, onde me deparei com os surfistas mais covardes do mundo. Realmente, que você pensa que é o atleta mais corajoso, um surfista ou um jogador de golfe? O surfista é claro, MAS existem surfistas que tem menos coragem do que a média dos jogadores de golfe.

Por quê? Considere que o número médio de pessoas mortas por tubarões no planeta a cada ano é de cinco e, em seguida, considere que o número de jogadores de golfe mortos por raios só nos Estados Unidos, ano passado, foi oito. Onze pessoas também foram atingidas por raios, no ano passado, nos EUA, enquanto estavam deitadas ou caminhando na praia. O que significa, naturalmente, que golfe e banhos de sol são atividades mais perigosas do que surfar com tubarões.

Eu já nadei e surfei com os tubarões. Estive na água com Tubarões Martelo, grandes Brancos, Tigres, Cabeça-Chata, Lixa, Galha-Preta, Charutos e muito outros, e nunca fui atacado. Na verdade, eu achei a experiência emocionante. Veja, o fato é que quando você colocar a roupa de mergulho e deitar na prancha, você ficará idêntico a uma foca do ponto de vista do tubarão e, por vezes, mas muito raramente, um tubarão confunde o surfista com uma foca. O resultado de uma mordida exploratória é, com certa frequência, fatal. É extremamente raro ver um surfista ser comido por um tubarão.

Avestruz, elefante, búfalos, hipopótamos, cavalos, cobras, cachorros e mosquitos matam mais pessoas que tubarões, mas não ouvimos o mesmo nível de histeria como o que fazemos sobre os tubarões. O motivo é a combinação de surfistas covardes histéricos com políticos oportunistas. Esse é o caso do Primeiro-Ministro Colin Barnett, Austrália Ocidental. Claro que Steven Spielberg não ajudou com best-seller sobre um tubarão assassino e com uma música de fundo aterrorizante. Colin Barnett, o primeiro ministro da Austrália Ocidental é o típico direitista, anti-ambientalista, negador das mudanças climáticas.

Surfistas e tubarões podem coexistir, pelos oceanos e seu bem maior.

No ano passado, ele tentou destruir as águas do berçário das baleias Jubarte e não tendo conseguido contribuir para a matança de baleias, ele mudou seu foco para os tubarões. O grande tubarão branco é uma espécie em extinção. Há mais Tigres de Bengala e Ursos Panda no mundo do que há grandes tubarões brancos e é ilegal mata-los. Eles são uma das espécies protegidas listadas no CITES (Convenção sobre o Comércio Internacional de Espécies Ameaçadas da Fauna e Flora).

Dessa forma, Barnett está abusando de seus poderes como Primeiro-Ministro de forma descarada, e viola uma convenção internacional, portanto, direito internacional. A história está cheia de políticos que usam “mascaras” para reforçar sua popularidade em declínio e o Primeiro-Ministro Barnett é um desses mascarados clássicos. A Surfista Bethany Hamilton perdeu seu braço para um tubarão no Havaí, contudo, ela é uma defensora destes animais. Isso só aconteceu porque ela é uma surfista de verdade e entende que o surf é muito mais do que equilibrar-se em uma placa. Surfar é entender o mar e sentir as vibrações do oceano, e percebendo que essa onda é, literalmente, o pulso de um ecossistema  que torna possível a existência de qualquer um de nós estar vivo.

Qualquer surfista que não sinta o mar, não é um surfista e qualquer surfista que não respeita a diversidade viva do oceano também não é um surfista. Eles são apenas covardes e arrogantes que tentam se exibir. Alpinistas e esquiadores não param de escalar por causa da possibilidade de avalanche. Os marinheiros não param de velejar por causa de uma tempestade. Surfistas precisam erradicar tubarões para que eles possam surfar e se sentirem seguros?

 Quero dizer quem precisa se sentir bonito ou seguro na água? Eu com certeza não. Eu gosto do fato de que existem grandes predadores no mar. Isso me mantem humilde. Eu não temo tubarões, eu os respeito. Eu também aprecio o papel que desempenham na manutenção da diversidade ecológica de nossos oceanos. Por 450 milhões de anos, tubarões e outros predadores moldaram e tem moldado a evolução do mar. A velocidade, a camuflagem e o comportamento dos peixes é o resultado direto de adaptação a um mar cheio de tubarões.

Mas junto vêm os moradores da terra, os hominídeos, que com nossa tecnologia superior de anzóis arpões, redes e linhas que matamos o que não entendemos simplesmente por um medo irracional. Eu não temo tubarões. O que eu temo é um oceano sem tubarões, um oceano de caos, um oceano de diminuição de diversidade, um oceano que está morrendo. Se os tubarões morrerem, os oceanos morrem. E se os oceanos morrerem, a humanidade morre. Ao matar tubarões, estamos nos matando. A destruição dessas linhas letais seria um ato de autopreservação.

Tradução: Igor Ramos, voluntário ISSB

SEA SHEPHERD LOCALIZA A FROTA BALEEIRA JAPONESA: BALEIAS FORAM MORTAS DENTRO DO SANTUÁRIO ANTÁRTICO

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Nisshin Maru, navio fábrica da frota baleeira japonesa

A Sea Shepherd localizou todos os cinco navios da frota de caça japonesa às baleias, incluindo o navio fábrica japonês, Nisshin Maru, dentro do santuário das baleias do oceano Austral. O Steve Irwin, o Bob Barker e o Sam Simon estão, agora, perseguindo a frota baleeira, levando-a a se afastar das áreas de caça e consequentemente das baleias, atrapalhando, dessa forma, a caça ilegal, e preparando para encerrar a operação de caça às baleias.

O Helicóptero do Steve Irwin foi o primeiro a localizar o navio fábrica – Nisshin Maru – na posição 64º44`S, 162º34` O, em águas territoriais da Nova Zelândia e no interior do internacionalmente reconhecido Santuário Antártico das Baleias. A primeira filmagem feita pela Sea Shepherd no momento em que foi localizado o navio fábrica mostra, de forma convincente, três baleias mortas no convés do navio japonês. Uma quarta baleia, acredita-se que seja uma baleia Minke, estava sendo processada no convés.

O diretor da Sea Shepherd Australia, Jeff Hansen, declarou: “O Santuário Antártico das Baleias tem sido manchado pelo abate ilegal dessa belas e majestosas baleias Minke de forma cruel, bárbara e violenta pelos japoneses. Ninguém nunca vai saber a dor e o sofrimento que esses gigantes gentis passaram desde o momento em que o arpão destruiu de forma violenta seus corpos até o momento em que deram o último suspiro em um mar vermelho cheio de seu próprio sangue. Uma coisa é certa, a Sea Shepherd vai fazer o que for preciso para que essas baleias não passem mais por isso e nem tenham que suportar a dor e o sofrimentos nas mãos desse cruéis assassinos de baleias do Japão.”

Três baleias Minke mortas no convés do Nisshin Maru

O capitão do Steve Irwin, Sid Chakravarty, disse: “Quando a “ciência” requer que você grotescamente puxe a bordo o corpo de três baleias protegidas, arraste-os atravez de um deck sujo com o próprio sangue dos animais, transportando partes dos corpos com correntes e cordas e descarte os restos no oceano, então essa “ciência” não tem mais lugar no século XXI. O  Nisshin Maru é um navio açougueiro e um açougue flutuante não tem lugar no Santuário das Baleias. A Sea Shepherd continuará a guiar estes falsos e desesperados “cientistas” de volta para Tokyo.”

A frota baleeira japonesa opera no Santuário Antártico das Baleias em violação a uma moratória global de 1986 sobre a caça comercial sob o pretexto de pesquisa científica. Em junho de 2013, o governo da Nova Zelândia se juntou ao desafio criado pelo governo australiano para questionar a legalidade da caça japonesa no território Antártico. Ainda se aguarda uma decisão para o caso.

O Capitão do Bob Barker, Peter Hammarstedt, disse: “novamente, o governo japonês mostrou, de forma clara, desrespeito pelas leis internacionais ao continuar sua caça de baleias de forma ilegal enquanto o mundo aguarda pacientemente a decisão da Corte Internacional de Justiça. O Governo Japonês de forma desonrosa tentou burlar o processo legal, o que é um insulto à cooperação demonstrada por pessoas ao redor do mundo para que a lei seja cumprida pois o meio ambiente precisa de tal reconhecimento e proteção.”

Planejada e liderada pela Sea Shepherd Australia, a Operação Relentless é a décima campanha Antártica de defesa das baleias da Sea Shepherd. Nas últimas nove campanhas, a Sea Shepherd salvou a vida de mais de 4500 baleias. A Sea Shepherd Australia continua sendo a única organização comprometida a defender a integridade do Santuário Antártico das Baleias de forma direta e intervindo contra as operações ilegais da frota baleeira japonesa.

Três baleias Minke mortas no convés do navio fábrica, Nisshin Maru

O convés ensanguentado do Nisshin Maru, a fonte do sangue é uma baleia que estava sendo processada

Tradução: Igor Ramos, Voluntário do ISSB.