Resumo da segunda semana do julgamento em Haia

Pelo Capitão Alex Cornelissen, Diretor Executivo Global da Sea Shepherd

O Diretor Global Executivo da Sea Shepherd, Alex Cornelissen, do lado de fora da Corte Internacional de Justiça. Foto: Sea Shepherd

Há algumas conclusões que podemos chegar no final da primeira rodada de argumentos orais do Japão. Em primeiro lugar, a estratégia que eles escolheram: esta parece ser destinada a tirar o foco do caso, deixando de lado a questão mais importante: o Japão realiza a caça comercial disfarçada de caça científica?

As evidências que o conselho japonês tem prestado em defesa do Instituto de Pesquisa de Cetáceos para contrariar esta acusação é fraca e extremamente tendenciosa. E ainda é o Japão que está acusando a Austrália de usar as suas provas de forma seletiva. Com base nas evidências que o Japão apresentou, só podemos concluir que é exatamente o oposto.

Ontem vimos o vergonhoso testemunho do Professor Walloe, da Noruega. O Professor Walloe é claramente contratado pela indústria baleeira japonesa para fornecer o testemunho de um “expert” para tentar convencer o tribunal de que a operação baleeira do Instituto de Pesquisa de Cetáceos é científica. Nada poderia, naturalmente, estar mais longe da verdade, e durante o interrogatório feito pela Austrália, não só a opinião do “expert” Professor Walloe foi seriamente questionada, como sua independência foi ainda mais questionável. Ele parece ser o único cientista estrangeiro que está disposto a apoiar os programas científicos JARPA e JARPA II, e, sem dúvida, ele está recebendo uma boa quantia de dinheiro para isso (assim como recomendações, como a Ordem do Sol Nascente, em 2009). Mas mesmo Professor Walloe teve suas sérias reservas sobre as quotas de baleias-fin e baleias-jubarte do Instituto de Pesquisa de Cetáceos. Pelo menos isso é algo que nós podemos concordar.

O conselho japonês continua tentando convencer os juízes da Corte Internacional de Justiça que eles não têm jurisdição neste caso.

Além disso, estamos assistindo apresentações tão tediosas que estava cada vez mais difícil se manter sentado. Apresentações que frequentemente não tinham nenhuma relevância para o caso.

Um exemplo notável é, naturalmente, a menção repetida da Sea Shepherd. Às vezes eu meio que esperava ser chamado para depor, para dar o meu testemunho, mas depois lembrei-me que neste caso é de fato entre a Austrália e o Japão. Gostaria de saber se o conselho japonês está plenamente consciente disso.

Mas é evidente que estamos muito satisfeitos com a maneira que nós claramente afetamos a quota de matança da frota baleeira japonesa, e os créditos estão nos sendo dados no Tribunal Internacional de Justiça. Mas não estamos satisfeitos com a distorção da verdade de maneira contínua, e com as mentiras que estão sendo apresentados apenas para pintar um quadro negro da nossa organização.

Mesmo que seja realmente irrelevante para o caso, existem algumas coisas que eu gostaria de corrigir:

  • A Sea Shepherd está sendo acusada de ações violentas. Curiosamente, é, na verdade, a frota baleeira japonesa, em particular o navio-fábrica Nisshin Maru, que está atualmente enfrentando acusações criminais na Holanda pelo seu comportamento violento na campanha do ano passado, a Operação Tolerância Zero.
  • Em um dos gráficos que foram mostrados, uma clara conexão é mostrada entre o número de navios que a Sea Shepherd tem e a quantidade de baleias mortas. Quanto mais navios, menos baleias mortas. É claro que não questionamos isso, na verdade, nós estamos orgulhosos, mas a questão é que não foi mencionado que um dos nossos navios foi abalroado ao meio e afundou, quase matando os seis tripulantes a bordo.
  • Foi mencionado que o Capitão Watson está na lista vermelha da Interpol, a pedido de vários países. Eu pessoalmente diria que esses “vários” países são, de fato, o próprio Japão, bem como a Costa Rica (usando um caso que remonta a 2002, que foi reativado depois que a presidente da Costa Rica visitou o Japão, no final de 2011 – coincidência?). Ambos os alertas vermelhos surgiram em circunstâncias cada vez mais duvidosas, e são claramente motivados politicamente.

À medida que chega ao fim estas duas primeiras semanas, fica claro para nós que o Japão está tentando desesperadamente ser visto como vítima e criar simpatia por sua situação.

Como se trata de um processo judicial, o advogado japonês mencionou repetidamente que não pode haver espaço para a emoção e que temos que olhar para os fatos.

Para a Sea Shepherd permanece o fato de que as baleias ameaçadas de extinção estão sendo mortas dentro de um santuário de baleias, apesar de uma moratória mundial da caça comercial estar em vigor. Estas são as verdadeiras vítimas do presente caso, e a Sea Shepherd continua a acompanhar este caso, em defesa de nossos clientes, as baleias.

Traduzido por Raquel Soldera, voluntária do Instituto Sea Shepherd Brasil