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Relatório do julgamento em Haia, primeiro dia

3 julho 2013

Pelo Capitão Alex Cornelissen, Diretor Executivo Global da Sea Shepherd

O Diretor Global Executivo da Sea Shepherd, Alex Cornelissen. Foto: Sea Shepherd

Como esperado, hoje os delegados japoneses desafiaram a legitimidade da Corte Internacional de Justiça em relação ao processo judicial sobre a caça comercial na Antártida.

O caso japonês teve início com o vice-ministro das Relações Exteriores, Koji Tsuruoka. Sua apresentação foi, como é habitual com funcionários do governo japonês, repleta de acusações de insensibilidade cultural e declarações absurdas. O que nos impressionou mais foi a alegação de que o Japão tem o maior respeito pela vida nos oceanos (“viver em harmonia com os recursos naturais”), bem como pelos tratados e regulamentos internacionais.

Se há uma coisa que o governo japonês não respeita, é sem dúvida, a vida nos oceanos. Atum-azul, baleias, golfinhos, tubarões, para citar apenas alguns. Na verdade, parece que o Japão está fazendo o que pode nos dias de hoje para eliminar toda a vida nos oceanos. No que diz respeito aos tratados e regulamentos, a própria razão de estarmos em Haia, é a falta de respeito pelos regulamentos e a arrogância em desafio. Outro bom exemplo é a listagem de várias espécies de tubarões pela CITES, e simplesmente rejeitada pelo Japão. Se houvesse o respeito pelas regras e regulamentos internacionais, por que o Japão estaria com tanta freqüência no noticiário sobre esses temas polêmicos? A resposta é simples: quando se trata de questões ambientais, o governo japonês se coloca acima da comunidade internacional e sua opinião. Numa sociedade democrática, você esperaria que a maioria segue o mesmo caminho. Não na opinião do governo japonês. Eles parecem acreditar que eles estão acima da comunidade internacional, e têm o seu próprio conjunto de regras e regulamentos.

Alguns exemplos de hoje:

O foco da defesa japonesa no número de baleias sendo mortas pelo programa JARPA II (não é o tema deste processo judicial, mas uma das maneiras de desviar o foco). Eles afirmam que 935 baleias é um número sustentável, com base na população atual de baleias-minke-antárticas. Primeiro de tudo, não há números confiáveis ​​da população de baleias, assim esse pressuposto básico é falso. Além disso, se outros países também matarem um número semelhante de baleias-minke, vamos basicamente voltar à situação anterior à moratória sobre a caça comercial de baleias. A missão do Japão é e sempre foi a de retomar a caça comercial. O fato de que a opinião do mundo sobre a caça mudou e que a missão da Comissão Internacional da Baleia ter mudado, de regulamentar a caça para proteger as baleias, parece ser inaceitável para o governo japonês.

Alegações de que as nações anti-caça à baleia compraram votos para a Comissão Internacional da Baleia. Lembro-me de uma investigação recente da BBC, que mostrou claramente que é o Japão que compra votos na Comissão Internacional da Baleia. Um membro da delegação do Caribe ainda apareceu com o dinheiro da participação em um saco de papel pardo, cheio de iene. Soa como uma tentativa de reescrever a história.

A maioria dos argumentos de hoje foi uma tentativa de tirar o foco da questão real do caso, e o Japão foi longe para conseguir isso. Eles chegaram tão longe que eles tentaram transformar este caso judicial em um pedido para parar a Sea Shepherd. Uma estratégia que eles tentaram novamente e novamente na Comissão Internacional da Baleia, até o ponto que a maioria dos membros da Comissão da Baleia estão fartos com eles. A situação ficou bizarra quando o conselho japonês começou a listar a Sea Shepherd como uma organização violenta, alegando que de fato somos ilegais. Se isso fosse verdade, por que nossa presença seria permitida dentro do Tribunal Internacional de Justiça? Estaríamos autorizados a navegar com orgulho sob a bandeira holandesa? Será que seríamos capazes de fazer o que fazemos, ano após ano: parar os caçadores de baleias ilegais de matar baleias dentro de um santuário de baleias estabelecido?. Além disso, ouvimos tentativas grosseiramente imprecisas de desacreditar a nossa organização, até vi fotos do Bob Barker sendo empurrados pelo Sun Laurel pelo Nisshin Maru … apenas o Nisshin Maru não foi mostrado, e o conselho japonês disse que o Bob Barker bateu no Sun Laurel. Evidências de imagens gravadas têm provado o contrário.

Eu acho que a explicação para este contorno totalmente irrelevante que vimos hoje é este (embora nós apreciamos o crédito para as nossas ações): os delegados japoneses estão se sentindo insultados pela Sea Shepherd ter permissão de testemunhar como eles estão sendo acusados ​​no mais alto tribunal de justiça. As acusações à Sea Shepherd foram sustentadas por mais de uma década. Os delegados japoneses estão petrificados e chocados com a ideia de que a Sea Shepherd não só representa a chance de ser comprovada junto ao órgão máximo judicial, mas também ser capaz de testemunhar em primeira mão a derrota do Japão.

É claro que com base no conteúdo, o Japão não pode ganhar este caso, eles estão em violação dos regulamentos, e todo o mundo sabe disso. Sua estratégia parece ser uma tentativa de tirar o foco do caso real e bombardear o tribunal com informações irrelevantes destinadas principalmente a desacreditar a Austrália e a Nova Zelândia.

O que o conselho japonês parece esquecer é que este caso diz respeito a todos na comunidade internacional, e a comunidade internacional está farta de seu flagrante desrespeito pelas legislações e tratados internacionais. Uma vez que a Corte Internacional de Justiça decide em favor do interesse comum, espero sinceramente que os juízes vejam que a atividade baleeira japonesa é ilegal e deve ser parada. Este parece ser o desejo do mundo, e com o tempo o Japão percebe isso.

Traduzido por Raquel Soldera, voluntária do Instituto Sea Shepherd Brasil

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