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OS GRANDES TUBARÕES E OS SURFISTAS

8 janeiro 2014

Por: Capitão Paul Watson

Surfistas são durões, corajosos, apaixonados, únicos e atletas entusiasmados.

Não há nenhum esporte mais desafiador e mais gratificante do que o surf. Não se trata apenas de uma atividade para recreação. O Surf tem seu

Capitão Paul Watson e o surfista campeão Kelly Slater em Noosa, Austrália.

lado espiritual e, o mais importante, ele constrói uma intimidade com o mar maior do que o mergulho ou a vela; algo próximo do que o mergulho livre proporciona.

Adoro surfar e admiro os surfistas. Tenho a honra de me referir a Kelly Slater como amigo e venho trabalhando com Laird Hamilton. Ajudei, na década de noventa, o esquiador profissional Peter Brown a produzir um filme relacionado ao surf e ao snow-board focando a parte ambiental, chamado “Blue Rage”. Também tive o grande prazer de trabalhar com o lendário surfista australiano Dave “Rasta” Rastovich em seu filme “Mind in the Waters”.

Eu não tenho surfado muito nos últimos anos, mas eu era um fanático no meio dos anos sessenta. Nos anos setenta e oitenta estive em praias na África do Sul, no sul da Califórnia e no Havaí, e, embora eu nunca tenha surfado fora das “Twisted Ruins” em Venice Beach, Los Angeles, eu estava lá para assistir a alguns dos surfistas mais ousados deslizando sobre as ondas.

No início dos anos Sessenta, Jeff Ho, Skip Engblom e Craig Stecyk montaram uma loja de surf chamada Jeff Ho e Zephyr Surfboard Productions. Uma das Z-Girls era Peggy Oki que atualmente é uma artista apaixonada em defender as baleias. Suas aventuras lendárias foram feitas para o filme Dog Town e Z-Boys narrado por Sean Penn. O surf exige disciplina e habilidade, mas o mais importante é que exige paixão e coragem.

Infelizmente, nos últimos anos, o surf tem atraído uma raça menor de surfistas. Felizmente, essa raça menor é formada por poucas pessoas. Infelizmente, como um choro alto em qualquer lugar, você atrai a atenção de uma outra raça de oportunistas chamados de políticos impopulares. Coloque o choramingar de surfistas, juntamente com os políticos impopulares oportunistas e você consegue a histeria.

E é isso que está acontecendo nas praias da Austrália e da Austrália Ocidental, especialmente. Isso também esta acontecendo na ilha de La Reunion no Oceano Índico, onde me deparei com os surfistas mais covardes do mundo. Realmente, que você pensa que é o atleta mais corajoso, um surfista ou um jogador de golfe? O surfista é claro, MAS existem surfistas que tem menos coragem do que a média dos jogadores de golfe.

Por quê? Considere que o número médio de pessoas mortas por tubarões no planeta a cada ano é de cinco e, em seguida, considere que o número de jogadores de golfe mortos por raios só nos Estados Unidos, ano passado, foi oito. Onze pessoas também foram atingidas por raios, no ano passado, nos EUA, enquanto estavam deitadas ou caminhando na praia. O que significa, naturalmente, que golfe e banhos de sol são atividades mais perigosas do que surfar com tubarões.

Eu já nadei e surfei com os tubarões. Estive na água com Tubarões Martelo, grandes Brancos, Tigres, Cabeça-Chata, Lixa, Galha-Preta, Charutos e muito outros, e nunca fui atacado. Na verdade, eu achei a experiência emocionante. Veja, o fato é que quando você colocar a roupa de mergulho e deitar na prancha, você ficará idêntico a uma foca do ponto de vista do tubarão e, por vezes, mas muito raramente, um tubarão confunde o surfista com uma foca. O resultado de uma mordida exploratória é, com certa frequência, fatal. É extremamente raro ver um surfista ser comido por um tubarão.

Avestruz, elefante, búfalos, hipopótamos, cavalos, cobras, cachorros e mosquitos matam mais pessoas que tubarões, mas não ouvimos o mesmo nível de histeria como o que fazemos sobre os tubarões. O motivo é a combinação de surfistas covardes histéricos com políticos oportunistas. Esse é o caso do Primeiro-Ministro Colin Barnett, Austrália Ocidental. Claro que Steven Spielberg não ajudou com best-seller sobre um tubarão assassino e com uma música de fundo aterrorizante. Colin Barnett, o primeiro ministro da Austrália Ocidental é o típico direitista, anti-ambientalista, negador das mudanças climáticas.

Surfistas e tubarões podem coexistir, pelos oceanos e seu bem maior.

No ano passado, ele tentou destruir as águas do berçário das baleias Jubarte e não tendo conseguido contribuir para a matança de baleias, ele mudou seu foco para os tubarões. O grande tubarão branco é uma espécie em extinção. Há mais Tigres de Bengala e Ursos Panda no mundo do que há grandes tubarões brancos e é ilegal mata-los. Eles são uma das espécies protegidas listadas no CITES (Convenção sobre o Comércio Internacional de Espécies Ameaçadas da Fauna e Flora).

Dessa forma, Barnett está abusando de seus poderes como Primeiro-Ministro de forma descarada, e viola uma convenção internacional, portanto, direito internacional. A história está cheia de políticos que usam “mascaras” para reforçar sua popularidade em declínio e o Primeiro-Ministro Barnett é um desses mascarados clássicos. A Surfista Bethany Hamilton perdeu seu braço para um tubarão no Havaí, contudo, ela é uma defensora destes animais. Isso só aconteceu porque ela é uma surfista de verdade e entende que o surf é muito mais do que equilibrar-se em uma placa. Surfar é entender o mar e sentir as vibrações do oceano, e percebendo que essa onda é, literalmente, o pulso de um ecossistema  que torna possível a existência de qualquer um de nós estar vivo.

Qualquer surfista que não sinta o mar, não é um surfista e qualquer surfista que não respeita a diversidade viva do oceano também não é um surfista. Eles são apenas covardes e arrogantes que tentam se exibir. Alpinistas e esquiadores não param de escalar por causa da possibilidade de avalanche. Os marinheiros não param de velejar por causa de uma tempestade. Surfistas precisam erradicar tubarões para que eles possam surfar e se sentirem seguros?

 Quero dizer quem precisa se sentir bonito ou seguro na água? Eu com certeza não. Eu gosto do fato de que existem grandes predadores no mar. Isso me mantem humilde. Eu não temo tubarões, eu os respeito. Eu também aprecio o papel que desempenham na manutenção da diversidade ecológica de nossos oceanos. Por 450 milhões de anos, tubarões e outros predadores moldaram e tem moldado a evolução do mar. A velocidade, a camuflagem e o comportamento dos peixes é o resultado direto de adaptação a um mar cheio de tubarões.

Mas junto vêm os moradores da terra, os hominídeos, que com nossa tecnologia superior de anzóis arpões, redes e linhas que matamos o que não entendemos simplesmente por um medo irracional. Eu não temo tubarões. O que eu temo é um oceano sem tubarões, um oceano de caos, um oceano de diminuição de diversidade, um oceano que está morrendo. Se os tubarões morrerem, os oceanos morrem. E se os oceanos morrerem, a humanidade morre. Ao matar tubarões, estamos nos matando. A destruição dessas linhas letais seria um ato de autopreservação.

Tradução: Igor Ramos, voluntário ISSB

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