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Operação Águas Negras em Cuba triunfa em nome da vida marinha

15 julho 2010
Relatório de campo por Daniel Vairo, diretor do Instituto Sea Shepherd Brasil.
loop current

O derramamento de óleo causado pela BP entrou na corrente marítima “Loop” e ameaçando a vida selvagem de Cuba.

Durante a semana passada, uma equipe de técnicos do Instituto Sea Shepherd Brasil (ISSB), especializada no resgate de animais marinhos contaminados por óleo, realizou uma campanha para troca de informações sobre derramamento de óleo com líderes comunitários e acadêmicos no litoral norte de Cuba. O objetivo inicial era uma operação ostensiva de colaboração entre o braço sul americano independente da Sea Shepherd Conservation Society (SSCS) e instituições cubanas para capacitação de voluntários. Porém, tornou-se uma operação quase que clandestina, por conta das restrições impostas pelo regime de Raúl Castro sobre as questões relacionadas ao derramamento de óleo do Golfo do México, que ocorre desde a explosão da plataforma Deepwater Horizon no fim de abril. O trabalho em conjunto com instituições cubanas foi negado pelo Ministério do Meio Ambiente de Cuba no mesmo dia em que a equipe viajou para Havana. Nossa iniciativa de levar uma equipe de técnicos altamente experientes para Havana surgiu com o alarme de que o derramamento de óleo causado pela BP entraria na corrente marítima “Loop”, chegando à costa norte de Cuba e ameaçando a vida selvagem daquela área. Cuba é o lar de um ambiente soberbo, incluindo dois Patrimônios Mundiais da UNESCO, oito Reservas da Biosfera, além do maior pantanal preservado das Ilhas do Caribe.

O Diretor Técnico do ISSB (extrema esquerda), Wendell Estol, apresenta a Sea Shepherd aos colaboradores cubanos durante uma das reuniões, que foram realizadas em residências de líderes comunitários e longe dos holofotes da opinião pública, devido à proibição da troca de informações sobre o derramamento de óleo do Golfo do México.

O Diretor Técnico do ISSB (extrema esquerda), Wendell Estol, apresenta a Sea Shepherd aos colaboradores cubanos durante uma das reuniões, que foram realizadas em residências de líderes comunitários e longe dos holofotes da opinião pública, devido à proibição da troca de informações sobre o derramamento de óleo do Golfo do México.

Acredito que o sentimento que melhor resume o que aconteceu em Cuba foi o que me disse uma pessoa, cujo nome prefiro manter anônimo: “Quero ajudar, não como um representante da organização em que trabalho, mas como um indivíduo. Tenho medo de assédio ou até mesmo perseguição política, mas quero fazer isso pelos animais". Impulsionados por um desejo universal de conservação e preservação no nosso planeta, que transcende qualquer tipo de sistema político, nos dias 05 a 09 de julho membros do Instituto Sea Shepherd Brasil e do Centro de Investigaciones Marinas (CIM) da Universidade de Havana, do Instituto de Oceanologia, da ONG ProNaturaleza ambos de Cuba e líderes comunitários da tradicional aldeia pesqueira de Cojimar se reuniram para trocar experiências sobre a forma de mobilizar e capacitar comunidades costeiras visando a prevenção e recuperação dos ecossistemas e da fauna ameaçadas por derramamentos de óleo.
Sebastian Diano ,que se juntou a equipe do ISSB do Uruguai, ostentando chapéu militar de Che Guevara, prepara-se para um dia de trabalho. Diano também é presidente do Instituto Litoral Sul.

Sebastian Diano ,que se juntou a equipe do ISSB do Uruguai, ostentando chapéu militar de Che Guevara, prepara-se para um dia de trabalho. Diano também é presidente do Instituto Litoral Sul.

As deliberações duraram 20 horas, em que 15 representantes das instituições acima mencionadas participaram. A troca de conhecimento foi importante para todas as partes. As contribuições do ISSB foram únicas para os colaboradores cubanos. Por parte das instituições cubanas foram compartilhados seus conhecimentos sobre a remoção de material contaminado e a preparação para emergências - formação prestada pela estatal de Hugo Chávez, Petróleos de Venezuela SA (PDVSA). No entanto, nenhum dos envolvidos nunca teve à disposição informações sobre resgate e reabilitação de animais selvagens contaminados por óleo, a especialidade do ISSB. Os colaboradores cubanos receberam protocolos detalhados e informações dos técnicos do ISSB sobre vários temas, tais como as condições de segurança para as equipes de resgate e para os animais, como atender a um encalhe ou uma emergência e ações necessárias no primeiro contato com os animais. Com esse conhecimento recém adquirido, os participantes podem multiplicar essas técnicas às suas comunidades e desenvolver seus próprios protocolos para resgate desses animais.
Da esquerda para a direita, Handy Acosta, Wendell Estol e Angel Valdez. Os representantes da ONG cubana ProNaturaleza, que opera em conjunto com o Governo Federal em toda a ilha, foram indispensáveis para orientar o diretor técnico do ISSB e sua equipe durante a operação em Cuba.

Da esquerda para a direita, Handy Acosta, Wendell Estol e Angel Valdez. Os representantes da ONG cubana ProNaturaleza, que opera em conjunto com o Governo Federal em toda a ilha, foram indispensáveis para orientar o diretor técnico do ISSB e sua equipe durante a operação em Cuba.

O objetivo do ISSB foi cumprido e a experiência ativista da Sea Shepherd foi deixada em Cuba, onde pessoas agora estão habilitadas para ajudar no resgate da vida marinha que possa ser afetada pelo derramamento do Golfo do México. Um dado relevante foi o intercâmbio de conhecimentos e experiências que deveriam estar ao alcance de todos, democratizando informações para a defesa e proteção das pessoas e da vida marinha dos horrores dos derramamentos de petróleo no mar. O Instituto Sea Shepherd Brasil (ISSB) integra a Sea Shepherd Conservation Society (SSCS), fundada em 1977, nos Estados Unidos, onde trabalha para conter a destruição de habitat marinho e o massacre da vida selvagem nos oceanos do mundo. O objetivo é proteger ecossistemas e espécies, usando táticas de ação direta para investigar atividades ilegais em alto-mar. Dessa maneira, trabalha para assegurar a sobrevivência da biodiversidade de ecossistemas oceânicos para as futuras gerações. No Brasil, as atividades do ISSB tiveram início em junho de 1999, através da implantação da sede nacional, em Porto Alegre, no Rio Grande do Sul - o único escritório no mundo com total autonomia da matriz americana. Hoje, conta ainda com núcleos de voluntários no Rio de Janeiro, São Paulo e Santa Catarina. A missão é promover ações que visam o estudo, a educação e a proteção da vida selvagem marinha. Além de executar, junto a entidades públicas, privadas e ONGs nacionais, atividades que promovam a conservação da diversidade biológica e ecossistemas, assim como fiscalizar e denunciar atividades ilegais que degradam estes ambientes.

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