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Na metade da Operação Sem Conciliação

24 janeiro 2011

Domingo, 23 de janeiro de 2011.
 
Relatório do Capitão Paul Watson

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Este é o 54° dia da Operação Sem Conciliação e o 25° dia desde que a Sea Shepherd Conservation Society interceptou a frota baleeira japonesa. Estamos quase no meio da campanha, com cerca de outros 54 dias até que o inverno da Antártida comece a expulsar os baleeiros do Santuário de Baleias do Oceano Antártico e outra temporada de abate chegue ao fim… espero que esta – 2010-2011 seja a última delas.

Apesar deste estar sendo o ano de maior sucesso para a missão da Sea Shepherd as quotas de baleias mortas ser menor do que nunca fora anteriormente, a verdade é que esta é uma campanha muito difícil e complexa que se desenrola ao longo de centenas de milhares de quilômetros quadrados em condições meteorológicas adversas, entre icebergs e campos de gelo. Trata-se de coordenar três navios, um helicóptero e 88 tripulantes. Também envolve uma logística complexa, como abastecimento, fornecimento, reparos, levantamentos aéreos e vistoria do gelo, comunicações e vários outros detalhes.

Nunca é uma tarefa fácil e não é tão simplista como muitos dos nossos difamadores pensam ser. Nossas campanhas são as maiores expedições na Antártida em todos os sentidos possíveis. Elas são maiores em termos de navios, tripulação e equipamento, do que qualquer uma das famosas expedições de Shackleton(Ingês), Scott(Inglês) ou Amundsen(Norueguês) – (três desbravadores do continente antártico, Shackleton fora membro da expedição em que Scott morrera e em sua expedição ficara mais de um ano a deriva no gelo antártico após que sua embarcação naufragou, tendo sido Amundsen o primeiro homem a chegar ao Pólo Sul. Scott fora o segundo e vira a bandeira de Amundsen encravada no pólo. Scott morre no retorno a base) – de quase um século atrás.

O lado mais positivo durante esta campanha é que nós fomos capazes de localizar a frota baleeira japonesa antes que eles matassem uma única baleia. Fomos capazes de interceptar o navio de abastecimento Sun Laurel, cortando o fornecimento de combustível para o Nisshin Maru e para o resto da sua frota baleeira. E o mais importante de tudo, temos mantido dois dos três navios arpoadores completamente fora das operações de caça às baleias, enquanto o terceiro continua correndo junto com o Nisshin Maru.

Temos perseguido a frota baleeira há mais de 4.000 milhas, nos últimos 24 dias. As baleias estão sendo mortas? Possivelmente, mas não muitas.

Nós ainda não localizamos o Nisshin Maru, mas nós geralmente não conseguimos isso até fevereiro de cada campanha. No ano passado, nós não encontramos o navio-fábrica até quase meados de fevereiro, e ainda fomos capazes de salvar mais baleias do que os baleeiros conseguiram matar.

Como em qualquer conflito em uma área remota, as coisas dão errado. Eu tive que enviar o Gojira de volta para Hobart para alguns reparos rápidos nos novos motores a diesel marinhos que instalamos em novembro de 2010. No entanto, o Gojira será capaz de retornar ao Oceano Antártico antes do Steve Irwin ser forçado a retornar ao porto para reabastecer. O Bob Barker tem reservas de combustível suficiente para ficar com a frota até março, altura em que o Steve Irwin vai retornar com reservas de combustível para ampliar a intervenção da Sea Shepherd até o final da temporada de caça às baleias.

A evidência do nosso sucesso este ano vai ser vista quando a frota baleeira japonesa anunciar suas últimas estatísticas de matança em algum dia do mês de abril. Esses números devem ser inferiores aos anos anteriores. Sem dois de seus três navios arpoadores para ajudar na matança e com o terceiro constantemente em fuga, a sua eficiência e produtividade como empreendimento industrial tem diminuído bastante. A temporada de caça 2010-2011 será um desastre financeiro para a frota japonesa.

Já este ano, a frota baleeira chegou com três semanas de atraso ao Santuário de Baleias do Oceano Antártico, e eles vieram com apenas quatro navios, o navio-fábrica e três navios arpoadores, enquanto no ano passado tinham sete no total. Mas a Sea Shepherd retornou muito mais forte neste ano do que antes, com três navios e um helicóptero mais rápido e de longo alcance.

A minha esperança é que a Operação Sem Conciliação será a última campanha da Sea Shepherd no Oceano Antártico, mas se a frota japonesa retornar em dezembro deste ano, pretendemos estar aqui mais uma vez, para cumprimentá-los. A Sea Shepherd não vai recuar até que o Santuário de Baleias do Oceano Austral seja reconhecido e protegido como um santuário na prática e não apenas em palavras.

Além do sucesso da nossa campanha no Oceano Antártico este ano também conquistamos algumas vitórias de relações públicas com a revelação feita pelo Wikileaks de que o Japão reconhece a Sea Shepherd como seu principal obstáculo na promoção do seu programa de caça às baleias. O Wikileaks também verificou que a união por parte dos governos americano e australiano em favor do Japão foi e é real, e não uma paranóia da Sea Shepherd.

O artigo intitulado “Frota baleeira japonesa em fuga“, publicado recentemente pelo jornal Sydney Morning Herald, é uma indicação do tipo de mídia positiva que estamos alcançando na Austrália.

A campanha deste ano para o Oceano Antártico tomou uma grande dose de esforços e de tempo em nome de centenas de voluntários dedicados. Até agora, 88 membros da tripulação de 22 países diferentes participam na campanha, a bordo de nossos navios. Vários tripulantes a mais serão incorporados à nossa frota, quando reabastecermos o Steve Irwin, em fevereiro. Os voluntários em terra nos portos da Austrália e em cidades ao redor do mundo tornaram possível levantarmos os fundos necessários para reparar os navios, a compra do Gojira, combustível, e suprimentos para os navios, e cobrir as despesas com o porto e de comunicação para essa campanha. Nós somos capazes de fazer o que fazemos devido à paixão de nossos voluntários aqui dentro e lá fora, e uma base sólida e leal de apoiadores em todo o mundo.

A Sea Shepherd tem um objetivo – pretendemos abolir todas as atividades de caça no Santuário de Baleias do Oceano Antártico. Estamos aqui para defender a integridade do santuário. É um objetivo simples, descomplicado e temos regras muito simples de engajamento. Nós não temos histórico e não vamos causar uma única lesão nos caçadores, mas vamos obstruir os seus navios e equipamentos. Nós não iremos quebrar qualquer lei internacional na perseguição deste objetivo; a Sea Shepherd não foi acusada ou repreendida por qualquer infração relacionada ao bloqueio e interceptação dessas operações baleeiras. Finalmente, não iremos comprometer o nosso objetivo – não vamos aceitar qualquer atividade baleeira, independentemente de quem o faça, a qualquer momento dentro do santuário.

Em relação ao argumento de que nossos esforços estão fortalecendo a resistência japonesa para acabar com a caça, só podemos lembrar as pessoas que a alternativa é se render à vontade dos baleeiros, e que nós simplesmente não faremos isso. O mesmo argumento foi dito durante o movimento de oposição ao apartheid na África do Sul. Sim, o regime branco sul-africano foi fortalecido, mas finalmente eles caíram sob o peso da opinião pública internacional.

A estratégia da Sea Shepherd é se concentrar em causar danos financeiros para os baleeiros. Nossa intenção é afundar economicamente a frota baleeira japonesa, arruiná-los e depois tirá-los do negócio.

Os dias aqui no Oceano Antártico são longos – literalmente. As milhas de oceano que já navegamos são imensas, e os perigos do tempo e do gelo são muito reais e estão sempre por perto.

No entanto, o moral da tripulação cresce a cada dia que paramos a caça dos baleeiros. A cada dia que se passa avistamos baleias não molestadas pelos cruéis arpões que servem como lembretes diários para a tripulação do motivo de estarmos aqui, e quem nós representamos de fato. Hoje nós vimos um grupo de orcas, mas desde a nossa chegada no Santuário do Oceano Austral, nos foi dado o prazer da companhia das Baleias Jubarte, Minkes, Piloto e Cachalotes.

Estas baleias são nossos clientes e elas são a razão de virmos aqui por quatro meses a cada ano. Estamos aqui para representar os seus interesses. Elas são nossos clientes e nosso objetivo é erradicar a obscenidade da caça às baleias no Santuário de Baleias do Oceano Antártico. Teremos sucesso na concretização deste objetivo, não importa quanto tempo leve ou quão perigoso se torne… vamos acabar com a caça no Santuário de Baleias do Oceano Antártico!

Traduzido por Raquel Soldera, voluntária do ISSB.

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