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Encontro com os descendentes do Moby Dick

30 dezembro 2012
Comentário pelo Capitão Paul Watson

Cachalote observa o helicóptero. Foto: Eliza Muirhead / Sea Shepherd

Enquanto nós fazemos o nosso caminho em direção ao sul do Santuário de Baleias da Antártica, nos deparamos com um grupo magnífico de cachalotes ontem. Meu coração literalmente disparou de alegria quando vi aqueles majestosos gigantes gentis nadando livres e sem serem molestados no mar. Anos atrás, quando eu olhei no olho de um cachalote morrendo, Eu senti que a grande baleia tinha ordenado para mim um caminho ao longo da vida. Cerca de quarenta anos depois, a minha paixão pelas baleias permanece firme, Paciência e persistência permitiram-me sufocar minha ira. Foi o olho de uma baleia cachalote moribunda que me colocou neste caminho de defender as baleias. Isso foi em 1975. Eu declarei, então, que eu dedicaria a minha vida para proteger as baleias e espécies marinhas. Eu continuo a fazer isso, e vou continuar fazendo pelos restantes anos de minha vida. Enquanto nossa equipe sobrevoou as baleias, o líder macho virou de lado e olhou para cima para o helicóptero da Sea Shepherd. Mais uma vez o olho de uma baleia se comunicou conosco, nos inspirou e nos deu força. A visão dessas baleias maravilhosas nadando livremente no mar dá sentido a todas as nossas ações ao longo das últimas quatro décadas. As baleias são as mentes da água, o grande Buda sem braços do oceano. Toda vez que eu as vejo vivas e nadando, lembro-me por que fazemos o que fazemos, e que os riscos que corremos e o esforço valem a pena. Por gerações os seres humanos mataram baleias. Motivados pelo nosso desejo por dinheiro, temos assassinado milhões delas. Temos massacrado baleias por petróleo, por saias para as mulheres, por carne, pela gordura para a fabricação de explosivos para matar outros seres humanos e mais baleias. Temos usado óleo espermacete em lubrificantes para mísseis balísticos intercontinentais, matando essas mentes da água com o objetivo de exterminar a vida de nossa espécie. É essa loucura pela humanidade que nos opomos. Tem sido minha ambição ao longo da vida erradicar a caça de nossos oceanos. Eu gostaria de ver a caça seguir o caminho da escravidão. Deve ser totalmente e para sempre abolida. É uma crueldade que não tem lugar no século 21, e não há lugar no coração da humanidade. Estes magníficos, socialmente complexos e inteligentes seres sencientes têm os maiores cérebros de todos os animais do planeta. Eles pensam. Eles sentem. Eles amam. Eles sofrem em nossas mãos. Há tanta coisa que podemos aprender com eles. Nós não precisamos ir para o espaço à procura de vida inteligente quando temos possibilidades aqui em nosso planeta, na nossa própria casa, que nós ainda nem começamos a explorar. Ontem vimos as baleias cachalote e hoje tinham jubartes nadando ao lado do navio. Eu gostaria que as pessoas que matam as grandes baleias pudessem experimentar a alegria de nadar com elas e de ouvir suas canções.

Cachalote nadando no oceano. Foto: Eliza Muirhead / Sea Shepherd

Ouvir as suas canções debaixo das ondas é uma experiência que não dá para ser esquecida. Enquanto o grupo de baleias cachalote se aproximou, o segundo oficial Beck Straussner, do Havaí, encontrou-se diretamente com elas. Ele viu sua abordagem e ouviu suas vozes subaquáticas trovejantes. Ele ouviu suas músicas, suas palavras, e sentiu sua presença. Beck um dia foi um treinador no SeaWorld. Ele deixou essa atividade quando percebeu que manter estas grandes criaturas em cativeiro estava errado, e toda vez que ele encontra uma baleia ou golfinho em cativeiro, compara com os que ele encontrou na natureza. "Este é o lugar onde estes incríveis animais pertencem, nadando livres no mar, não em pequenos tanques para nossa diversão", disse ele quando voltou para o convés do Steve Irwin.

Um grupo de cachalotes. Foto: Eliza Muirhead / Sea Shepherd

Um grupo de cachalotes. Foto: Eliza Muirhead / Sea Shepherd

Cachalote. Foto: Eliza Muirhead / Sea Shepherd

Traduzido por Raquel Soldera, voluntária do Instituto Sea Shepherd Brasil

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