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“Clean Up Day 2015”: Sea Shepherd Brasil realiza atividades em Ilhabela/SP, Rio de Janeiro/RJ e Cabedelo/PB

30 setembro 2015

Realizado anualmente no dia 19 de Setembro, o “Clean Up Day - Dia Mundial de Limpeza de Rios e Praias” - é um evento internacional de conscientização e de ação a respeito do que podemos fazer para melhorar a qualidade do meio ambiente e dos mares, salvando assim milhares de espécies marinhas.

Este ano, o  Instituto Sea Shepherd Brasil realizou atividades nas cidades de Ilhabela, em São Paulo, na Capital do Rio de Janeiro e na cidade de Cabedelo, na Paraíba.

Em Ilhabela, a ação mundialmente reconhecida ocorreu em todo o arquipélago e foi realizada em parceria com a Secretaria do Meio Ambiente do município, o Parque Estadual de Ilhabela como também outras entidades. A limpeza da Praia do Curral e do Parcel de Santa Cruz, localizado no sul da ilha, foi coordenada pela equipe do Sea Shepherd Brasil  e a Operadora de Mergulho Mar e Vida EcoTrip os quais formaram equipes, instruíram os voluntários e dividiram tarefas. A limpeza do lixo da praia e do fundo do mar contou com 04 (quatro) voluntários  terrestres, 08 (oito) mergulhadores SCUBA  e o apoio de um jet-ski.

Praia do Curral – Ilhabela/SP lotada de mesas dos bares ao longo da orla

Equipe de mergulho Mar e Vida Eco Trip preparados para a limpeza do fundo do mar.

Equipe Sea Shepherd Brasil na areia da praia recolhendo embalagem de alimentos e bitucas de cigarro.

A fim de minimizar os impactos do lixo nos organismos marinhos, ao final de cada mergulho de limpeza, alguns animais ainda aprisionados no lixo como lagostins, ofiúros, caranguejos e poliquetas foram separados do “lixo fantasma” e devolvidos vivos ao mar. Assim foi possível garantir que os organismos incrustantes ou escondidos no meio do lixo fossem devidamente salvos e devolvidos ao seu local de origem.

Todo o lixo retirado (papel, metais, plásticos, madeira, vidro, tecidos, borracha, bitucas de cigarro e embalagens de alimentos) foi catalogado e armazenado em sacos reforçados. O descarte deste lixo foi adequadamente para o Centro de Triagem de Ilhabela, que dará a sua destinação final.

Resgate dos animais marinhos do lixo

O lixo da praia continha 267 bitucas de cigarro e muita embalagem de alimentos

 

“O lixo dos oceanos e canais é avaliado como um dos problemas de poluição mais grave que acometem o nosso planeta. Muito mais que desagradável aos olhos, uma maré crescente de lixo marinho ameaça a saúde dos homens, animais, comunidades e economias do mundo todo. O oceano enfrenta muitos desafios, mas o lixo não pode ser um deles. O lixo dos oceanos é totalmente evitável e os dados que você coleta são parte da solução” – explicou Mara Lott, Coordenadora do Instituto Sea Shepherd Brasil em Ilhabela.

Resgate de Fauna dos resíduos descartados incorretamente

 No Rio de Janeiro, a atividade foi realizada na Praia da Urca, local onde os voluntários da Sea Shepherd já mantém um trabalho constante de preservação há 03 (três) anos.

Lixo flutuante recolhido pela equipe do Rio Va´a

Juntamente com os parceiros do Projeto BG500 e tendo o apoio da Subprefeitura ZS, da Associação de Moradores da Urca - Amour, do Rio Va’a (Canoa Polinésia), da EmbraPec, do Projeto Hippocampus (que mesmo não podendo estar lá fisicamente, ajudou muito ao divulgar e convocar seus seguidores para o evento), foi coletada uma razoável quantidade de resíduos sólidos.

Resgate de Fauna dos resíduos descartados incorretamente

O trabalho foi desenvolvido em 03 (três) focos: o lixo flutuante que foi recolhido pelos voluntários do Rio Va’a que trouxeram sacos cheios nas canoas; a limpeza na faixa de areia e nos canteiros em volta do prédio do antigo Casino da Urca e a limpeza subaquática, que focou em retirar a parte final de uma rede fantasma que há quase 02 (dois) anos tem as partes removidas e triadas pelo Projeto BG500.

“Com a ajuda de muitas mãos e olhos, finalmente este último pedaço de uma grande rede de arrasto foi recolhido, nos possibilitando libertar suas últimas centenas de animais presos e não vai matar mais ninguém. Foi o ano com a menor quantidade de resíduos sólidos coletados. Esse é o nosso objetivo e dos nossos colaboradores. Agradecemos a todos que vieram à partir da divulgação feita nas redes sociais” – falou Ed Bastos, Coordenador do Projeto BG500 e voluntário do Sea Shepherd Brasil.

Equipes Núcleo RJ e BG 500 no Clean Up Day do Rio de Janeiro

Em Cabedelo/PB, os voluntários percorreram 2 km em um trajeto que abrange os pontos mais críticos das praias de Camboinha e do Poço.

Equipe Sea Shepherd da Paraíba anexo da Prefeitura Municipal de Cabedelo. Foto: ISSB

“O resultado do nosso trabalho que é, foi e sempre será voluntário (sem patrocínio, apoio ou regalo por parte de qualquer entidade cujos interesses colidem com os da conservação ambiental) não é pra ser comemorado. O “Clean Up Day” não é um dia de celebração, confraternização, autopromoção ou regozijo, pelo contrário. É uma data que para nós da Sea Shepherd não difere tanto de outras, nas quais empreendemos ações de campo, mas que tem a sua importância na conscientização.” – disse Igor Trigueiro, Coordenador Regional do Instituto Sea Shepherd Brasil na Paraíba.

Coleta de lixo na Paraíba - Foto: Katherine Viana

Uma dúzia de abnegados voluntários retiraram 0,3 ton. de duas praias da região metropolitana de uma capital que recebe milhares de turistas ao ano, mesmo tendo ciência de que esta ação não vai resolver os problemas locais, contudo, buscam desenvolver uma conscientização ambiental importante na região.

Inutilização dos petrechos de pesca ilegais recolhidos. Foto: ISSB

“Apesar da retirada dos bares da beira-mar do Poço, outros continuam por lá ocupando irregularmente uma região de APP (Área de Preservação Permanente) e, no lugar dos removidos, autônomos fornecem aquilo que os banhistas convenientemente desejam...comida e bebida na areia da praia. Os restos? Podem muito bem fazer companhia às 8 milhões de toneladas de plástico (apenas de plástico) que jogamos todos os anos nos oceanos. Lixeiras? Não registramos. Limpeza regular das praias ao menos igual à que é feita nas ruas? Segundo os moradores, inexiste.” – completa Igor Trigueiro.

Equipe Sea Shepherd da Paraíba - Foto: ISSB

Mas durante a ação ambiental constatou-se algo cotidiano. Além da costumeira aglomeração de resíduos sólidos, mais uma vez foram encontradas redes de “pesca fantasma”. Petrechos proibidos que causam grandes danos à vida marinha. Os voluntários retiraram 20 kg destas redes e inutilizaram, conforme manda a cartilha da campanha “Mares de Sangue”, do Instituto Sea Shepherd Brasil. E é aí que o “Dirty Sea Project” vira “Redes em Chamas”. As redes tiveram que ser inutilizadas e o restante do lixo pesado e descartado adequadamente.

Parece um tanto óbvio agora, o porquê de tantas tartarugas, raias, tubarões, aparecerem mortos na costa. 06 em cada 10 tartarugas marinhas morre em função da ingestão de lixo. O restante fica à mercê da pesca “acidental” (bycatch) e das redes de espera ilegais espalhadas ao longo da costa. A rede que recolhemos é uma pequena amostra do que temos espalhado em nosso litoral e que, por falta de fiscalização/punição/leniência continuam onde estão. E continuam onde estão não apenas porque os órgãos de fiscalização ambiental na Paraíba encontram-se sucateados. Eles sempre estiveram. Ainda que a Superintendência do IBAMA local se incomodasse com essa situação (o que não parece ser o caso), a Autarquia Federal dispõe apenas de 03 embarcações para fiscalizar todo litoral brasileiro. É um convite à delinquência. Fica o registro de mais uma ação de limpeza em que se constatam os mesmos problemas dos anos passados.

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